
Por esses dias li uma reportagem que dizia o seguinte “Estudantes de medicina treinam como dar más notícias”.
Durante algum tempo fiquei refletindo sobre essa questão que me parece transcender a realidade médica e ir ao encontro de outras profissões. Claro que nesse contexto fica muito mais evidente a questão por se tratar de vidas humanas em jogo. Talvez, para muitos, o bem mais valioso. A reportagem mencionava a dificuldade da classe médica em dar más notícias aos seus pacientes. Essa dificuldade é perfeitamente explicável na medida que o principal papel da classe é “salvar vidas”.
Tento imaginar o quanto deve ser difícil essa tarefa. Mais difícil ainda é pra quem recebe. Aqui em casa já nos deparamos com situação semelhante em que na hora de sabermos o resultado de um exame muito importante que meu pai havia feito ficamos tão perplexos com a má notícia que pensávamos que ele iria morrer no outro dia. Não sei quantas notícias ruins aquele médico, que depois se tornou um amigo da família, já tinha dado naquela semana, porém acho que faltou à época um pouco mais de jeito na verbalização do resultado porque na escrita aí mesmo que não entendemos absolutamente nada. O troço se chama adenocarcinoma o que rapidamente nos fez correr para o Aurélio e tentar desvendar o enigma. Não descobrimos muita coisa a não ser a expressão maligna que vinha logo após a palavra neoplasia e que se origina em tercido glandular com características secretórias e que pode ocorrer em alguns mamíferos, inclusive em humanos. Por um instante eu fiquei me questionando se éramos ou não mamíferos ou mamíferos não humanos o quem sabe uma outra classificação. Eu não sabia mais de nada.
Pesquisando mais sobre o assunto descobri que muitos acadêmicos do Montefiore Medical Center, no Bronx, em Nova York, treinam com atores de como cumprir bem este papel, quando necessário e estão recebendo capacitação através de novas técnicas de identificação do perfil do paciente. Quem melhor recebe uma má notícia e quem tem o perfil de sofrer em silêncio. Com certeza o uso da psicologia se faz muito necessário a esse tipo de treinamento. Resta saber se na prática isso é possível. Se formos pensar em Brasil e todas as peculiaridades que cercam o nosso sistema de saúde é quase utópico imaginarmos que um médico que atende em um posto de saúde do bairro do Guamá em Belém do Pará faça isso.
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