segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

A cultura influencia a inovação

Como apoio da IBM, o psicólogo social e antropólogo holandês Geert Hofsted traçou um dos mais importantes estudos sobre como os valores organizacionais são influenciados pela cultura de um país. Ao descrever esses valores no Brasil, comparando-os como resto do mundo, queremos discutir como isso nos prepara para a inovação.

São cinco dimensões analisadas para cada país. A primeira diz respeito à distância hierárquica, ou seja, como a população aceita os desníveis de poder e as diferenças geradas pela hierarquia. O nível brasileiro nesse quesito é alto (69), o que define a nossa aceitação às hierarquias e seus símbolos de poder. China, de governo forte, é símbolo de alta aceitação da distância hierárquica. Países Baixos, Inglaterra e Áustria situam-se no extremo oposto.

O segundo fator é a redução da incerteza, que diz respeito ao grau de aceitação de um futuro incerto.Com grau bastante elevado (76), o Brasil, ao lado dos países latinoamericanos, tem forte necessidade de definir regras e leis como intuito de obter mais previsibilidade. Isso não implica aceitação das regras e leis vigentes. Os países asiáticos são os que menos valor dão às incertezas com o futuro.

O terceiro fator diz respeito ao grau de individualidade versus coletividade, medidor do grau de independência da sociedade. Nossa graduação (38) nos impele, desde cedo, a construir fortes relações em grupos, notadamente em família e, depois, no trabalho. No cenário dos negócios, esses valores conduzem a relações sólidas e duradouras.Oindividualismo é forte em países como Inglaterra, Estados Unidos e Canadá. No extremo oposto, o coletivismo é bastante alto na China.

“Masculinidade versus feminilidade” define o quarto índice . Masculinidade impõe competitividade e sucesso; feminilidade, preocupação em cuidar dos outros e ter qualidade de vida. Neste índice o brasileiro está em completo equilíbrio (49). Nos extremos opostos estão Japão (alto grau de masculinidade) e Escandinávia (alto grau de feminilidade).

O índice curto prazo versus longo prazo está relacionado às virtudes, prevalecendo valores como economia e perseverança, enquanto o curto prazo privilegia tradições e regras sociais. Inglaterra, Canadá e Estados Unidos se associam aos valores de curto prazo, ao passo que China é o ápice da orientação para o longo prazo. Curiosamente, o Brasil tem uma pontuação alta neste fator (65), sendo a única sociedade não asiática com esse tipo de orientação.

Nossa predileção pelo longo prazo pode alicerçar um novo modelo de planejamento, não dependente do “jeitinho brasileiro”. Construir modelos flexíveis e menos atrelados a burocracias é um bom antídoto à nossa paixão pela certeza do futuro. Estabelecer organizações menos hierárquicas, com maior acesso às informações e compartilhamento de decisões é certamente um bom caminho, pois aproveita a nossa propensão para construir em grupos. Nosso equilíbrio nos índices de masculinidade e coletividade favorece a diversidade e multidisciplinaridade, elementos-chave da inovação. Na moderna economia o valor percebido vem sempre da genialidade das ideias aplicadas a conhecimentos compartilhados.OBrasil reúne condições de se tornarum grande player global, enaltecendo os seus valores positivos e reduzindo a importância daqueles que não contribuem para gerar riquezas.

27/02/2012 - Brasil Econômico - SP

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Napoleão Bonaparte, o pai da inovação

As primeiras histórias de inovação aberta não são recentes, remontam dos tempos de Napoleão. Ele foi um dos pioneiros a lançar um torneio para encontrar uma solução para conservar alimentos para as tropas durante as longas marchas do inverno europeu. Motivado pelo chamado da pátria, um confeiteiro e chefe francês idealizou e desenvolveu a técnica que deu origem às comidas enlatadas. Por sua contribuição, recebeu 12 mil francos de recompensa.

A busca da inovação extrapolou os limites físicos e geográficos de uma empresa. A necessidade de ampliar a produtividade da inovação tem ensejado companhias de diferentes portes e setores a obterem auxílio externo para inovar. As diferentes fases da cadeia de valor da inovação podem ser alavancadas com o aproveitamento de competências disponíveis em outras empresas, profissionais liberais, institutos de pesquisa, academia e clientes. Muito se fala de inovação aberta, co-criação, crowdsourcing, inovação em rede, etc. Mesmo assim, o número de empresas que consegue efetivamente utilizar essas práticas para inovar ainda é restrito.

Separei quatro fatores que considero críticos para fazer essas iniciativas funcionarem. O primeiro é direcionamento. As campanhas de inovação aberta precisam ter um direcionamento bem definido, ou seja, que tipo de colaboração queremos e para quê. É a chamada estratégia de inovação. Queremos que nos ajudem a inovar em quê? Isso serve para mobilizar as pessoas em prol do objetivo desejado.

O segundo é: torneio ou contínuo? Essa é uma decisão fundamental. Vamos deixar o canal aberto permanentemente ou serão torneios específicos, com começo e fim definidos. A P&G, com o Connect &Develop, mantém o canal permanentemente aberto, incluindo desafios, que são retirados quando as soluções desejadas são encontradas. Outras empresas, como a Pepsico, com o Faça-me um Sabor do Ruffles, realizou um torneio. A escolha passa por uma questão simples: por quanto tempo temos como manter mobilizados os públicos-alvo das campanhas?

Públicos são a terceira questão: a seleção das fontes mais adequadas para cada empresa depende de seus objetivos com a inovação, sua cultura de relacionamento com os envolvidos e o nível de maturidade dos mesmos. Os clientes têm sido a fonte mais comum de inovação para as empresas como parte do desenvolvimento de produtos, geração de novas ideias e sugestões. Outras iniciativas envolvem universidades, fornecedores e inventores independentes. Um estudo recente de mais de 150 desafios realizados no portal de inovação aberta Innocentive mostrou que, ao contrário do senso comum, a maioria das soluções vencedoras veio de pessoas que não estavamdiretamente ligadas à área do desafio. Isso mostra a importância de ir além das fontes óbvias e buscar quem possa pensar de forma criativa.

O quarto aspecto são as recompensas. Criar mecanismos de reconhecimento ou recompensa para fomentar a participação é fundamental para criar um fluxo contínuo de ideias. Essa simbologia serve como motivação para quem busca o “prêmio”,mas também dá um ar de seriedade ao desafio, reforçando o estímulo para que se coloque tempo e recursos na busca pela melhor solução.

24/02/2012 - Brasil Econômico - SP

Brazil Pharma pode ter quase mil lojas com Sant'ana

Brazil Pharma pode ter quase mil lojas com Sant'ana
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

(Corrige matéria publicada em 13 de fevereiro, no 7o parágrafo, para esclarecer que Drogaria São Paulo e Pacheco se associaram, e não que a Pacheco foi comprada)

SÃO PAULO, 13 Fev (Reuters) - O mais recente movimento da Brazil Pharma para adquirir uma rede farmacêutica, deve garantir à holding de farmácias do BTG Pactual distância significativa em relação às suas rivais em termos de número de lojas.

A Brazil Pharma anunciou nesta segunda-feira um acordo para comprar -por meio de sua controlada Farmais- a totalidade da rede de farmácias baiana Sant'ana, por 347 milhões de reais em dinheiro e posterior emissão de 150 milhões de reais em ações.

A aquisição ainda depende de aprovação tanto dos acionistas da companhia quanto de órgãos regulatórios. Considerado o número de lojas, a holding do banco comandado por André Esteves deve se aproximar de 1.000 unidades no país.

A repercussão da notícia no mercado era positiva. Às 13h00, a ação da Brasil Pharma subia 3,3 por cento, a 8,20 reais, enquanto o Ibovespa avançava 1,68 por cento.

Em novembro passado, a Brazil Pharma anunciou a compra das redes Big Ben (por 293 milhões de reais) e Estrela Galdino (por 18 milhões de reais), nas regiões Norte e Nordeste do país, passando a contabilizar 872 lojas.

Segundo uma fonte do setor farmacêutico que pediu para não ser identificada, a rede Sant'ana conta com cerca de 100 lojas em operação, o que elevaria o total sob o guarda-chuva da Brazil Pharma a aproximadamente 972 unidades.

A Raia Drogasil, após unirem suas operações no segundo semestre de 2011, contabilizam 776 lojas no país. A Drogaria São Paulo adquiriu a rede Drogão e se associou à Pacheco, sendo que esta última ficou com 51 por cento de participação na empresa combinada, cujo processo decisório é compartilhado. A rede Pague Menos, por sua vez, possui 496 lojas.

24/02/2012 - Agência Reuters - SP

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

A origem evolutiva do conservadorismo nos investimentos

Imagine-se na pele de um hominídeo há 1,5 milhão de anos caminhando na savana africana à procura de alimento para seu grupo. Estando prestes a emboscar um pequeno animal, você percebe no canto do seu campo de visão um movimento. Sua memória rapidamente identifica o risco de que um predador possa estar prestes a transformá-lo de caçador em caça.

Você tem duas alternativas: 1) ignorar o que parece ser um leão preparando-se para atacá-lo, assumindo o risco de seguir para pegar o alimento (alternativa arriscada) ou 2) ser o mais precavido possível e subir em uma árvore até ter certeza de que não está prestes a virar almoço, deixando de lado a caça (alternativa conservadora).

Diante de situação semelhante, a esmagadora maioria dos animais, incluindo aí primatas e humanos, opta instintivamente pela segunda alternativa. Ou seja, diante de um cenário que envolve a possibilidade de um ganho interessante e elevado (alimentar seu grupo por dias) ou preservar a própria existência, optando pela fuga em busca de proteção em uma árvore alta, a reação instintiva é pelo conservadorismo. Se no instante seguinte o que aparentava ser um predador não passar de um tufo de palha, ainda que a oportunidade de obter o alimento tenha passado, ao menos a própria vida terá sido preservada.

Predadores não são o único risco que nossos ancestrais aprenderam a temer. Ficar sem água, procurar abrigo seguro, conseguir uma fonte de alimento estável; tudo isso era, e de certa forma ainda é, uma questão de vida ou morte e nos deu uma aversão inata ao risco e à incerteza. Do ponto de vista evolutivo, a sensibilidade às perdas provou-se benéfica, já que os que optaram pelo conservadorismo tiveram maior probabilidade de sobreviver.

Experimentos semelhantes ao descrito acima são reproduzidos em laboratórios de zoologia ao redor do mundo e, invariavelmente, apontam a escolha de alternativas conservadoras e pouco arriscadas como as mais frequentes em diferentes espécies. Em um desses experimentos, a pesquisadora Leslie Real colocou abelhas em um recinto com canteiros contendo flores agrupadas, em duas cores. As azuis continham sempre 2 ml de néctar. Já as amarelas continham três vezes mais néctar por flor, porém apenas uma em cada três flores amarelas continha essa enorme quantidade de néctar. Após pouco tempo, 100% das abelhas aprenderam a optar pela alternativa mais conservadora, ou seja, passaram a permanecer todo o tempo nas flores azuis, mais seguras e previsíveis. O mesmo padrão foi observado em pássaros e diferentes espécies de macacos, primatas e até humanos.

Esses estudos sugerem que correr risco quando alternativas mais prudentes encontram-se disponíveis não é algo instintivo. Fatores e cenários que envolvem risco são processados em nosso cérebro por uma região chamada Amygdala. Ela entra em ação sempre que percebemos uma ameaça e, em grande medida, neutraliza a ação de outras partes mais racionais do cérebro. Privilegia-se assim a tomada de decisões prudentes que favoreçam a sobrevivência e a previsibilidade, ainda que abrindo mão de recompensas potencialmente maiores.

Dessa forma, não é de se espantar que exista hoje, não só no Brasil, mas no mundo, um volume quase cem vezes maior de recursos investidos em ativos de renda fixa, com retornos mais baixos e previsíveis, do que em renda variável, ainda que esses sejam mais rentáveis num horizonte de tempo maior.

Como deve, então, o investidor lidar com essas limitações para não privar seu portfólio de alternativas interessantes de diversificação e que tenham o potencial de proporcionar ganhos importantes na busca por independência financeira?

A resposta, segundo estudos dos mesmos pesquisadores mencionados, parece estar na familiarização. No caso de finanças, tal familiaridade se conquista por meio da educação financeira. Conforme o investidor passa a dominar o tema, fatores de risco como o inerente às aplicações em bolsa passam a ser cada vez menos tratados em seu cérebro pela Amygdala e cada vez mais pelo Hipocampo, região que lida com temas familiares e, consequentemente, percebidos como mais seguros, previsíveis e favoráveis à sobrevivência.

Aquiles Mosca é estrategista de investimentos pessoais e superintendente executivo comercial do Santander Asset Management. É autor dos livros "Investimento sob medida" e "Finanças Comportamentais".

E-mail aquiles.mosca@Santander.com.br

Este artigo reflete as opiniões do autor, e não do jornal Valor Econômico. O jornal não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações.


23/02/2012 - Valor Econômico - SP

Presidente da Johnson & Johnson renunciará em meio a recalls

O presidente-executivo da Johnson & Johnson, William Weldon, irá renunciar ao cargo em abril após uma série de recalls ter colocado em dúvida a qualidade dos produtos da companhia.

Weldon, 63, permanecerá como presidente do conselho da empresa. O executivo conciliou as duas posições por quase dez anos, após três décadas na companhia.

O vice-presidente do conselho, Alex Gorsky, 51, deve assumir a presidência da empresa na próxima reunião, em 26 de abril, tornando-se a nona pessoa a comandar a empresa desde a sua fundação, em 1886.

Sob o comando de Weldon, a J&J expandiu as operações incluindo mais de 250 empresas, de farmacêuticas a divisões de equipamentos médicos e unidades de produtos de cuidados pessoais.

"Gorsky herdará a companhia com a unidade farmacêutica muito mais engatilhada do que há cinco ou seis anos", disse o analista Jan Wald, do Morgan, Keegan & Co. "Ele terá muito trabalho a fazer e será muito difícil alterar algo no curto prazo".

Problemas de controle de qualidade na unidade que produz medicamentos como Tylenol e Motrin foram tão difundidos que reguladores da área de saúde nos Estados Unidos passaram a supervisionar três fábricas da J&J em março.

Os recalls de produtos no varejo custaram à companhia US$ 1 bilhão em vendas em 2010. Os recalls envolveram também lentes de contato e equipamentos cardíacos.

O recall mais recente ocorreu na sexta-feira, envolvendo o fornecimento total de Tylenol infantil nos Estados Unidos, logo após o produto voltar a ser vendido.


23/02/2012 - Folha de S. Paulo on-line - SP

Boeing diz que 55 Dreamliners podem ter problema na fuselagem

Cerca de 55 unidades do 787 Dreamliner podem ter uma falha recentemente descoberta na fuselagem, afirmou a Boeing nesta quarta-feira, reiterando, no entanto, que o primeiro avião de compósito de carbono do mundo é seguro.

A fabricante tinha anunciado no começo deste mês sinais de "delaminação" em uma estrutura de suporte na fuselagem traseira, o mais recente da série de problemas no desenvolvimento do revolucionário avião.

A Boeing está examinando os Dreamliners já montados para saber se apresentam sinais similares de estresse, que creditou a uma falha no processo de construção.

"Todos os aviões que foram construídos até o de número 55 têm potencial para essa questão", disse o presidente-executivo da Boeing Commercial Airplanes, James Albaugh, durante coletiva em Cingapura. Albaugh disse que o problema pode ser reparado.

"Estamos no processo de reparar os aviões que estão no fluxo [de produção]", disse. "Não há problemas com segurança ou voo nos aviões que já entregamos", acrescentou.

PESO

Apesar de componentes de compósito de carbono já existirem há anos, o 787 é o primeiro avião comercial construído principalmente com esses novos materiais, que reduzem o peso da aeronave e ajudam as companhias aéreas a economizarem combustível.

Albaugh afirmou que as inspeções podem afetar a entrega dos aviões a curto prazo, mas a companhia ainda espera atingir a meta para este ano. Os primeiros seis modelos produzidos são geralmente para testes.

Analistas disseram que a descoberta da falha cerca de nove semanas após a aeronave ter entrado em operação aumentou as dúvidas sobre se a Boeing é capaz de aumentar a produção para dez aviões por mês até o fim de 2013, das atuais 2,5 aeronaves.

A Boeing até agora entregou cinco desses aviões para a japonesa All Nippon Airways, que começou a usá-los em dezembro. Por causa de problemas na produção, isso aconteceu três anos depois do planejado.

A Japan Airlines já disse que não mais espera receber seu primeiro Dreamliner até o fim de fevereiro, por causa dos imprevistos na linha de montagem.

O problema com o 787 acontece enquanto a Airbus investiga a causa de rachaduras nas asas do superjumbo A380. A empresa europeia também afirma que seu avião é seguro.

A Boeing decidirá até o fim deste ano se irá adiante com os planos de produzir uma versão maior do 787 Dreamliner, disse Albaugh.

A maior parte dos analistas de aviação esperam que a Boeing prossiga com os planos de fazer o 787-10, para cerca de 320 pessoas, 40 a mais que a versão mais longa atual do jato, o 787-9.


23/02/2012 - Folha de S. Paulo on-line - SP

Otimismo com o emprego diminui entre paraenses

A população paraense está menos otimista no emprego neste início de ano em relação a igual período do ano passado. De acordo com os índices apurados pelo Centro do Comércio do Pará (CCP) da Confederação Nacional do Comércio (CNC), através da pesquisa Intenção de Consumo das Famílias (ICF), 51,3% dos paraenses sentiram-se mais seguros no emprego, no mês passado, contra 51,9%, no mesmo intervalo de 2011. O recuo de 0,6 ponto percentual neste indicador demonstra a preocupação das famílias em manter a empregabilidade, até porque o índice que mede o desemprego entre os entrevistados cresceu de 9,8% (janeiro de 2011) para 16,5% (janeiro de 2012). Também houve um descenso no percentual de pessoas que igualaram a situação do primeiro mês deste ano ao mesmo intervalo do ano passado: retraindo de 25,1% (2011) para 21,1% (2012).

O indicador que mede a perspectiva profissional positiva, que em janeiro do ano passado bateu a casa dos 75,2%, sofreu um arrefecimento de mais de quatro pontos percentuais, caindo para 70,6% no primeiro mês deste ano. Já o pensamento profissional negativo se manteve próximo dos 11%. A dúvida pairou na cabeça de 11,3% dos entrevistados, que não souberam opinar sobre o futuro - volume de pessoas que cresceu em relação a igual período do ano passado, quando o índice havia batido a casa dos 7,6%. No caso da situação da renda, houve um recuo de quase três pontos percentuais entre os trabalhadores que opinaram ganhar mais neste início de 2012, se comparado a janeiro do ano passado. O índice caiu de 65,5% (janeiro de 2011) para 62,4% (janeiro de 2012). O montante de pessoas que apontou a manutenção dos salários entre os dois anos aumentou de 22% para 28,6%.


EMPRÉSTIMO


Indagados sobre o acesso ao crédito e ao empréstimo, 62% acharam mais fácil contrair a dívida neste início de ano, contra 70,1%, que apontaram a facilidade no mesmo período do ano passado. O descenso no otimismo dos consumidores, na hora de negociar um financiamento, foi de quase oito pontos percentuais. O índice de trabalhadores que garantiram ter dificuldade em conseguir empréstimos no mês passado, teve uma variação pequena, girando em torno de 15% e 16% em relação a igual período de 2011. Já o volume de pessoas que respondeu não ter havido mudança - nem para mais, e tampouco para menos -, subiu de 10% (janeiro 2011) para 16,7% (janeiro 2012). Considerando os mesmos períodos, o número de entrevistados que não soube opinar quase dobrou, de 3,4% (2011) para 6,2% (2012).


23/02/2012 - O Liberal - PA

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Belém cresce e "incha" cidades-dormitório

Por Carlos Giffoni | De São Paulo

O estigma das cidades de Ananindeua e de Marituba é a localização. Situados às margens da BR-316, rodovia que termina em Belém, os dois municípios servem de cidade-dormitório para a capital paraense. O crescimento desordenado de Belém e a busca por moradia mais barata levou ao inchaço das duas cidades, que ocupam lugar de destaque no ranking de favelização levantado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a partir dos dados coletados no Censo 2010. Marituba aparece em primeiro lugar (77,4% dos domicílios particulares ocupados são irregulares) e Ananindeua, em terceiro (61% de domicílios irregulares).

O problema habitacional é facilmente verificado pela densidade demográfica dos dois municípios. Em Ananindeua, há 2.477 habitantes por km2. Em Marituba, são 1.047 moradores por km2. A média brasileira é de 22,4 hab/km2. Entre os anos 2000 e 2010, a população de Marituba cresceu 45%, segundo o IBGE, alcançando 108 mil pessoas, sendo que 83 mil vivem em favelas. Em Ananindeua, 288 mil pessoas vivem nesses espaços.

Tanta gente em espaços tão reduzidos levou essas cidades à posição que ocupam hoje. O processo de favelização, porém, ocorreu de maneira diferente. A construção da BR-010, que liga Belém a Brasília, atraiu indústrias que se estabeleceram na região na década de 1960. "Ananindeua é resultado de um dos planos de desenvolvimento da Amazônia no governo militar. Não deu certo e o que ficou foi o superpovoamento", diz Alcir Matos, do Movimento pela Moradia de Ananindeua (MMA).

"Na época, as terras urbanas foram divididas entre meia dúzia de famílias, a cidade de Belém inchou e os trabalhadores não tinham onde morar e começaram a invadir áreas próximas", explica Matos.

Na década de 1970, foram criadas em Ananindeua as Cidades Novas, conjuntos habitacionais construídos pelo governo do Estado. O processo de favelização ocorreu nas proximidades dessas áreas, que eram destinadas à população de baixa renda. "As pessoas se casavam e procuravam locais para morar, quando preciso, invadir", diz Jhony Santos, coordenador do Instituto Verdejante, em Marituba.

De acordo com Matos, a regularização fundiária é difícil devido à dificuldade em encontrar os proprietários dos terrenos. "A grande maioria está irregular até hoje. Em Belém é mais fácil, porque detectamos áreas da União. Mas quando a área é privada, é mais complicado, porque a gente não sabe quem é o dono. O Pará é o campeão de grilagem no Brasil", diz.

Os terrenos ocupados de maneira irregular no norte paraense são chamados de invasões. A diferença para as favelas está no relevo, menos montanhoso. "São grandes terrenos baldios que as pessoas ocupam. O modelo é o mesmo das favelas: casas em situação precária, domínio do tráfico, falta de saneamento básico e planejamento urbano", explica Santos.

Marituba é onde está localizada a invasão Che Guevara, considerada a maior da América Latina na década de 1990 e que se tornou o bairro Almir Gabriel - favelizado -, onde moram cerca de 25 mil pessoas (23% da população).

A história do município é mais recente. Emancipado em 1994, Marituba era até então um local onde parte da população de Belém mantinha sítios para o lazer - a cidade fica a 23 km da capital. "Se Ananindeua é dormitório de Belém, Marituba é prosseguimento disso", diz Matos, do MMA. Com a criação do município, houve uma atração natural de trabalhadores em busca de empregos públicos. A cidade deixou de ser um local para passar o fim de semana e se tornou um polo de atração para o excesso demográfico da capital.

Diante do problema, a prefeitura começou a incentivar a invasão de terrenos abandonados, segundo Santos. "Esse incentivo vinha como uma espécie de moeda de troca pela falta de habitação, o que ocorre até hoje. Enquanto as disputas judiciais se desenrolam, o processo de regularização é empurrado com a barriga", afirma.

O secretário municipal de Planejamento de Marituba, Amiraldo Pereira, diz que a prefeitura fez um levantamento das áreas invadidas, que estão sendo regularizadas e entregues à população de baixa renda. "A maior parte dessas áreas é propriedade privada. O governo do Estado está fazendo as desapropriações e nós vamos fazer a titulação às pessoas carentes", diz.

22/12/2011 - Valor Econômico - SP

Belém cresce e "incha" cidades-dormitório

Por Carlos Giffoni | De São Paulo

O estigma das cidades de Ananindeua e de Marituba é a localização. Situados às margens da BR-316, rodovia que termina em Belém, os dois municípios servem de cidade-dormitório para a capital paraense. O crescimento desordenado de Belém e a busca por moradia mais barata levou ao inchaço das duas cidades, que ocupam lugar de destaque no ranking de favelização levantado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a partir dos dados coletados no Censo 2010. Marituba aparece em primeiro lugar (77,4% dos domicílios particulares ocupados são irregulares) e Ananindeua, em terceiro (61% de domicílios irregulares).

O problema habitacional é facilmente verificado pela densidade demográfica dos dois municípios. Em Ananindeua, há 2.477 habitantes por km2. Em Marituba, são 1.047 moradores por km2. A média brasileira é de 22,4 hab/km2. Entre os anos 2000 e 2010, a população de Marituba cresceu 45%, segundo o IBGE, alcançando 108 mil pessoas, sendo que 83 mil vivem em favelas. Em Ananindeua, 288 mil pessoas vivem nesses espaços.

Tanta gente em espaços tão reduzidos levou essas cidades à posição que ocupam hoje. O processo de favelização, porém, ocorreu de maneira diferente. A construção da BR-010, que liga Belém a Brasília, atraiu indústrias que se estabeleceram na região na década de 1960. "Ananindeua é resultado de um dos planos de desenvolvimento da Amazônia no governo militar. Não deu certo e o que ficou foi o superpovoamento", diz Alcir Matos, do Movimento pela Moradia de Ananindeua (MMA).

"Na época, as terras urbanas foram divididas entre meia dúzia de famílias, a cidade de Belém inchou e os trabalhadores não tinham onde morar e começaram a invadir áreas próximas", explica Matos.

Na década de 1970, foram criadas em Ananindeua as Cidades Novas, conjuntos habitacionais construídos pelo governo do Estado. O processo de favelização ocorreu nas proximidades dessas áreas, que eram destinadas à população de baixa renda. "As pessoas se casavam e procuravam locais para morar, quando preciso, invadir", diz Jhony Santos, coordenador do Instituto Verdejante, em Marituba.

De acordo com Matos, a regularização fundiária é difícil devido à dificuldade em encontrar os proprietários dos terrenos. "A grande maioria está irregular até hoje. Em Belém é mais fácil, porque detectamos áreas da União. Mas quando a área é privada, é mais complicado, porque a gente não sabe quem é o dono. O Pará é o campeão de grilagem no Brasil", diz.

Os terrenos ocupados de maneira irregular no norte paraense são chamados de invasões. A diferença para as favelas está no relevo, menos montanhoso. "São grandes terrenos baldios que as pessoas ocupam. O modelo é o mesmo das favelas: casas em situação precária, domínio do tráfico, falta de saneamento básico e planejamento urbano", explica Santos.

Marituba é onde está localizada a invasão Che Guevara, considerada a maior da América Latina na década de 1990 e que se tornou o bairro Almir Gabriel - favelizado -, onde moram cerca de 25 mil pessoas (23% da população).

A história do município é mais recente. Emancipado em 1994, Marituba era até então um local onde parte da população de Belém mantinha sítios para o lazer - a cidade fica a 23 km da capital. "Se Ananindeua é dormitório de Belém, Marituba é prosseguimento disso", diz Matos, do MMA. Com a criação do município, houve uma atração natural de trabalhadores em busca de empregos públicos. A cidade deixou de ser um local para passar o fim de semana e se tornou um polo de atração para o excesso demográfico da capital.

Diante do problema, a prefeitura começou a incentivar a invasão de terrenos abandonados, segundo Santos. "Esse incentivo vinha como uma espécie de moeda de troca pela falta de habitação, o que ocorre até hoje. Enquanto as disputas judiciais se desenrolam, o processo de regularização é empurrado com a barriga", afirma.

O secretário municipal de Planejamento de Marituba, Amiraldo Pereira, diz que a prefeitura fez um levantamento das áreas invadidas, que estão sendo regularizadas e entregues à população de baixa renda. "A maior parte dessas áreas é propriedade privada. O governo do Estado está fazendo as desapropriações e nós vamos fazer a titulação às pessoas carentes", diz.

22/12/2011 - Valor Econômico - SP

Sucesso e fracasso

Luiz Carlos Mendonça De Barros


Os fatos são suficientemente fortes para mostrar que olhar para a Argentina com inveja não faz o menor sentido
A mídia brasileira e a mundial deram grande destaque ao fato de que o Brasil tomou, em 2011, o lugar da Inglaterra como a sexta maior economia do mundo.

Isso estava previsto para ocorrer somente em 2013, mas a crise europeia e o elevado crescimento brasileiro no ano passado fizeram com que ocorresse agora.

Nos próximos anos -entre 2013 e 2014- será a vez da poderosa França ser ultrapassada pelo Brasil nessa competição entre nações emergentes e países desenvolvidos que já dura uma década.

Com a Europa entrando em um período longo -talvez mais de cinco anos- de ajustes estruturais e o Brasil surfando um crescimento continuado, talvez até a poderosa Alemanha fique para trás antes que a década atual termine.

Mas, nesta minha última coluna do ano, quero chamar a atenção do leitor para as economias emergentes perdedoras e que, por erros próprios, estão fora dessa arrancada de crescimento.

Entender por que países como a Argentina estão caminhando na direção oposta da do Brasil é uma forma de fortalecer o caminho que estamos trilhando desde que FHC assumiu o poder em 1995.

Até porque temos entre economistas brasileiros, muitos deles ligados ao governo, os que insistem em apresentar a política econômica peronista da família Kirchner como modelo a ser seguido.

Em 1980, entre as 20 maiores economias do mundo, a Argentina ocupava a 10ª posição e o Brasil, a 16ª. Vinte anos depois essas posições tinham se invertido, com o Brasil na 10ª posição e a Argentina na 16ª. Em 2010, o Brasil já era a 7ª economia no mundo e a Argentina estava fora da lista das 20 maiores. Um desastre completo nestes 30 anos.

Nas projeções do FMI para 2015, o Brasil já será a 5ª economia do mundo, ultrapassando a França, e a Argentina estará relegada à 27ª posição. Que fracasso...

Certamente o leitor vai concordar comigo que os fatos são suficientemente fortes para mostrar que olhar para a Argentina com inveja não faz o menor sentido. Pelo contrário, é fugir das ideias básicas que sustentam o modelo de política econômica no nosso vizinho como o diabo foge da cruz. E quais são os pontos de divergência entre a maneira brasileira de administrar a economia e a argentina?

Para mim a questão principal do modelo argentino é a constante intervenção do governo, sempre na busca de resultados econômicos e políticos de curto prazo, nas regras fundamentais de funcionamento dos mercados. Com isso não existe um futuro para as decisões empresariais fora das relações especiais com o governo. Cito a seguir alguns dos pontos centrais do modo argentino de gerir uma economia de mercado e que são resultantes da intervenção do governo.

A repressão financeira, que destruiu o mercado de crédito privado e de capitais, fez com que não exista oferta de recursos acima do prazo de um ano na economia e, mesmo assim, a taxas de juros nominais negativas. A Bolsa de Buenos Aires é uma piada quando comparada com a BMF/Bovespa.

A política de juros menores do que a inflação destruiu o sistema interno de poupança e provocou a exportação para o exterior das economias dos argentinos. Outro resultado perverso da constante intervenção do governo na economia privada é a falta de confiança dos agentes econômicos nas regras de funcionamento de vários mercados e que, por única decisão do governo, podem ser alteradas a qualquer instante.

Como resumo, podemos dizer que o sucesso brasileiro dos últimos anos vem de certa sabedoria - política e técnica- de equilibrar liberdade de mercado com uma intervenção limitada do governo. Já na Argentina a mão pesada -quase fascista- do peronismo destruiu as forças vivas que se desenvolvem em uma economia de mercado e criou um corpo deformado de monopólio de poder do Estado.

Manter esse equilíbrio no Brasil, respeitando as novas demandas por liberdade e racionalidade dos mercados na medida em que nossa economia se desenvolve, será a grande responsabilidade do governo Dilma nos próximos anos. Já a Argentina parece que não tem mais jeito.


30/12/2011 - Folha de S. Paulo - SP

As razões para compartilhar suas ideias no trabalho

Para meus colegas de trabalho. Este texto é simbólico perto da representatividade que essa filosofia de compartilhar informações pode trazer de benefícios para o dia-a-dia.

A colaboração dos colegas de trabalho pode transformar uma ideia em um projeto mensurável

Camila Lam, de
Getty Images

Busque aliados no trabalho para que sua ideia saia do papel
São Paulo – Qual sua atitude quando tem uma ideia? Fica na defensiva com receio de ter sua ideia “roubada”? “Quem rouba ideias ou projetos não se sustenta ao longo prazo; quem tem boas ideais sempre as terá”, afirma Celia Spangher, headhunter, coach e Diretora de Gestão do Talento da Maxim Consultores.

Para Telma Sassaroli, psicóloga, especialista em gestão de pessoas e diretora de serviços da SimGroup, a estratégia para que sua ideia seja apresentada para a liderança sem que outras pessoas “roubem” o crédito é buscar aliados. “Envolva mais de um colega de trabalho, pois uma boa ideia não se estabelece sozinha e estes reconhecerão que a ideia veio de você”, explica.

Confira abaixo algumas vantagens apontadas pelas especialistas para você compartilhar suas ideias:

Boas ideias são difíceis de serem protegidas

A chance de seu colega de trabalho ter a mesma ideia que você não é remota, por isso as especialistas afirmam que proteger a ideia não é o foco. Para que sua ideia seja mensurável, avalie se é de fácil implementação, quais áreas de sua empresa seriam beneficiadas e quais são as principais melhorias.

A palavra chave é a confiança, de acordo com Celia, uma ideia ou projeto não deve ser motivo de divisão e sim de colaboração entre os colegas de trabalho.



18/02/2012 - Revista Exame on-line - SP

74% pretendem descansar no Carnaval

Estudo do Ibope Inteligência mostra que só 16% pretendem sambar -e entre eles o destino preferido é a cidade do Rio de Janeiro

Segundo pesquisa, 74% dos entrevistados aproveitarão o Carnaval para descansar
Rio de Janeiro - A maioria dos brasileiros (74%) aproveitará o Carnaval para descansar. É o que aponta uma pesquisa realizada pelo Ibope Inteligência no painel ConectAí, com 1.374 internautas de todos os estados do país, entre os dias 7 e 10 de fevereiro.

De acordo com o levantamento, apenas 16% dos entrevistados afirmaram que festejarão durante o período. O estudo também mostra que mais da metade (60%) ficará na cidade onde mora, enquanto 30% viajarão.

Os principais destinos dos foliões são Rio de Janeiro (20%), São Paulo (17%), Recife/Olinda (14%) e Salvador (9%). Entre as outras cidades citadas, as mais importantes foram Florianópolis (SC), Vitória (ES), Porto Alegre (RS), Fortaleza (CE) e Belo Horizonte (MG). Na opinião dos internautas, a cidade que tem o melhor Carnaval é o Rio de Janeiro, com 33% de preferência. Em seguida são mencionados os municípios de Salvador (31%), Recife/Olinda (17%) e São Paulo (11%).

A escola de samba fluminense com a maior torcida é a Beija-Flor, com 33% dos votos. A Mangueira aparece na segunda posição, com 18%, seguida pela Portela (7%). Já em São Paulo, as preferidas são Gaviões da Fiel (28%) e Vai-Vai (21%). A pesquisa também apresenta que 23% dos entrevistados gostam muito e 36% gostam do Carnaval.

Entre aqueles que mais curtem a data estão os moradores das regiões Norte, Centro-Oeste e Nordeste, da classe A, em sua maioria mulheres. Por outro lado, 41% declaram não gostar e 13% detestam, principalmente jovens entre 16 e 20 anos.

18/02/2012 - Revista Exame on-line - SP

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Comerciais de alta performance

Que elementos chamam a atenção do público? O que traz resultados em persuasão?

O desafio constante das marcas é ter uma comunicação eficiente baseada em comerciais que chamem a atenção (impacto) e que mobilize o consumidor à compra do produto (persuasão). A meta é a alta performance, criando comerciais que possam representar um retomo positivo sobre os investimentos na marca. No entanto, a experiência tem mostrado que não existe uma fórmula mágica que possa garantir uma campanha de sucesso. Tudo começa com uma boa ideia criativa, que pode tirar o consumidor do seu momento de relaxamento e fazêlo prestar atenção no comercial. Para que ele fique atento ao filme, leia o anúncio em revistas, ouça o rádio e busque os vídeos na internet é importante que a comunicação:

-Gere envolvimento e mantenha a atenção durante sua exposição;

-Traga associações que se mantenham na mente do consumidor a longo prazo;

-Crie sentimentos e emoções positivas em relação à marca.

As propagandas "emocionais" são muito mais envolventes e os consumidores se lembram mais delas. Não é por acaso que crianças, animais, celebridades, romantismo e nostalgia são elementos presentes em muitas propagandas e, de fato, excelentes mensageiros de "emoções': Essas variáveis podem ser suficientes para gerar lembrança e memorabilidade, mas podem não bastar para representar uma comunicação de alta performance para a marca. Com base no histórico dos milhares de comerciais testados por mais de dez anos no Brasil, a Millward Brown pode contribuir com aprendizados que mostram quais seriam os direcionadores chave para a construção de comerciais de alta performance.

O impacto ou a capacidade de chamar a atenção do consumidor para a marca está baseado na criatividade: presença de música conectada com a mensagem, estilo criativo diferenciado e mensagem emocional. Mas o maior peso e a maior diferença entre os melhores e os piores comerciais, em termos de impacto, está na presença de uma única mensagem, ou o que chamamos de single message. Os indicadores de performance em impacto confirmam os conceitos básicos de comunicação que devem ser considerados na elaboração de um comercial. Um deles é o chamado creative magnifier, que mostra a memória seletiva do consumidor ele escolhe apenas as partes que realmente interessam e envolvem e esquece do resto. Mesmo após ver o comercial repetidas vezes, ele vai se lembrar, em geral, das mesmas partes que chamaram a atenção da primeira vez.

Propagandas de sucesso são aquelas que capitalizam esse momento de interesse e comunicam o que deve ser comunicado ao consumidor, associando a marca anunciada e utilizando recursos criativos diferenciados para chamar a atenção.
Quantos comerciais chamam muito a atenção e geram um enorme buzz, mas os consumidores não conseguem identificar a marca anunciada? Dos comerciais presentes atualmente na TV destacam-se os do Fiat Uno, com um exemplo do uso da música conectada à mensagem trazendo uma associação direta com a cultura e a preferência popular. Como exemplo da criatividade bem conectada com a mensagem, temos o comercial do Itaú no qual um bebê dá gargalhadas. Como indicadores de sucesso em persuasão, a análise do banco de dados dos comerciais testados da Millward Brown comprova que a base da persuasão está na presença de novidades em termos de benefícios do produto e no uso de demonstrações para explicitar ou esclarecer esses benefícios.

A melhor performance de um comercial em persuasão está, portanto, na busca de uma execução que associe criatividade à comunicação de benefícios racionais de produto. Sabemos que nem sempre essa associação é tarefa fácil, porque não é fácil ter novidades de produtos para comunicar e execuções para comunicar benefícios, especialmente os demos, que relativizam a capacidade de o. comercial chamar a atenção (criatividade). A questão está nos objetivos estratégicos da comunicação, natureza da categoria e maturidade da marca no mercado. Categorias com menor capacidade de diferenciação entre marcas dependem muito mais de comerciais focados em benefícios de produto que possam representar uma persuasão imediata.

Comerciais de xampus, desodorantes, absorventes, apenas para dar alguns exemplos, são as categorias que mais enfrentam esse desafio. Muitos usam as celebridades como caminho para chamar a atenção e são bem-sucedidos quando mantêm o uso consistente; há uma adequação da celebridade com o posicionamento da marca; as histórias integram de forma adequada a celebridade com a mensagem que se quer transmitir.

Outra pergunta que se faz constantemente é qual a possibilidade de os comerciais "viajarem" por vários países. É uma questão crucial no momento de mercado em que as marcas tomam-se mundiais e buscam estratégias globais de comunicação.
Uma análise da base de dados de comerciais testados da Millward Brown mostra que a performance dos filmes em impacto e persuasão forma grupos de afinidade bastante significativos entre os vários países da América Latina, nos Estados Unidos e na Espanha, indicando similaridade na estrutura de avaliação nos vários países de cultura ibérica. A presença da música, o humor, o ritmo mais agitado, o uso de ícones que representem propriedades da marca, um estilo criativo diferenciado e a presença de crianças são os elementos comuns direcionadores de sucesso nos vários países. Os comerciais no Brasil, Espanha, Argentina e México usam muito mensagens emocionais e pouco áudio com locução em off. Já nos comerciais dos Estados Unidos, destaca-se a presença de novidades e na Colômbia, o uso da locução em off.

Além desses indicadores relativos à execução dos comerciais, a possibilidade de o filme "viajar" depende da maturidade da categoria no país, do estágio de desenvolvimento da marca e do ambiente competitivo.

Fonte: Meio e Mensagem