segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

A cultura influencia a inovação

Como apoio da IBM, o psicólogo social e antropólogo holandês Geert Hofsted traçou um dos mais importantes estudos sobre como os valores organizacionais são influenciados pela cultura de um país. Ao descrever esses valores no Brasil, comparando-os como resto do mundo, queremos discutir como isso nos prepara para a inovação.

São cinco dimensões analisadas para cada país. A primeira diz respeito à distância hierárquica, ou seja, como a população aceita os desníveis de poder e as diferenças geradas pela hierarquia. O nível brasileiro nesse quesito é alto (69), o que define a nossa aceitação às hierarquias e seus símbolos de poder. China, de governo forte, é símbolo de alta aceitação da distância hierárquica. Países Baixos, Inglaterra e Áustria situam-se no extremo oposto.

O segundo fator é a redução da incerteza, que diz respeito ao grau de aceitação de um futuro incerto.Com grau bastante elevado (76), o Brasil, ao lado dos países latinoamericanos, tem forte necessidade de definir regras e leis como intuito de obter mais previsibilidade. Isso não implica aceitação das regras e leis vigentes. Os países asiáticos são os que menos valor dão às incertezas com o futuro.

O terceiro fator diz respeito ao grau de individualidade versus coletividade, medidor do grau de independência da sociedade. Nossa graduação (38) nos impele, desde cedo, a construir fortes relações em grupos, notadamente em família e, depois, no trabalho. No cenário dos negócios, esses valores conduzem a relações sólidas e duradouras.Oindividualismo é forte em países como Inglaterra, Estados Unidos e Canadá. No extremo oposto, o coletivismo é bastante alto na China.

“Masculinidade versus feminilidade” define o quarto índice . Masculinidade impõe competitividade e sucesso; feminilidade, preocupação em cuidar dos outros e ter qualidade de vida. Neste índice o brasileiro está em completo equilíbrio (49). Nos extremos opostos estão Japão (alto grau de masculinidade) e Escandinávia (alto grau de feminilidade).

O índice curto prazo versus longo prazo está relacionado às virtudes, prevalecendo valores como economia e perseverança, enquanto o curto prazo privilegia tradições e regras sociais. Inglaterra, Canadá e Estados Unidos se associam aos valores de curto prazo, ao passo que China é o ápice da orientação para o longo prazo. Curiosamente, o Brasil tem uma pontuação alta neste fator (65), sendo a única sociedade não asiática com esse tipo de orientação.

Nossa predileção pelo longo prazo pode alicerçar um novo modelo de planejamento, não dependente do “jeitinho brasileiro”. Construir modelos flexíveis e menos atrelados a burocracias é um bom antídoto à nossa paixão pela certeza do futuro. Estabelecer organizações menos hierárquicas, com maior acesso às informações e compartilhamento de decisões é certamente um bom caminho, pois aproveita a nossa propensão para construir em grupos. Nosso equilíbrio nos índices de masculinidade e coletividade favorece a diversidade e multidisciplinaridade, elementos-chave da inovação. Na moderna economia o valor percebido vem sempre da genialidade das ideias aplicadas a conhecimentos compartilhados.OBrasil reúne condições de se tornarum grande player global, enaltecendo os seus valores positivos e reduzindo a importância daqueles que não contribuem para gerar riquezas.

27/02/2012 - Brasil Econômico - SP

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