
Lembro-me como se hoje fosse. Encaminhei um e-mail a uma pessoa que nem palavras eu tenho para tentar explicar o quanto significa e significou pra mim sobre o tema acima. Por diversas vezes a vi sofrer em função de comportamentos de pessoas no ambiente em que trabalhava sobretudo de uma pessoa em particular que nem vale a pena revelar o nome, até porque em nada mudaria o conteúdo do texto. Pois bem, veja como determinadas lideranças doentias acabam por se revelar nos ambientes públicos e privados de suas empresas com a dita Invalidação.
Invalidar é o mesmo que tirar a validade de algo ou de alguém, é diminuir o outro, desprezá-lo, mostrá-lo como errado, incompleto, tolo, menor. Infelizmente, todos nós somos propagadores da invalidação. Como estudante da psicologia, tendo a reconhecer pelo pouco que observo em minhas parcas leituras que existem padrões de invalidação que vieram da infância, da escola, da educação familiar, cuja mensagem generalizada é de reduzir, tirar a validade, deslegitimar, diminuir o sujeito. Muitas das dificuldades dos adultos estão na proibição internalizada que eles carregam, nascidas de invalidações constantes ao longo da vida. Eu tive um grande amigo que as muitas vezes que freqüentei à sua casa me deparava constantemente com seus pais invalidando seus comportamentos a todo momento e, o pior, esse processo era reforçado até pela moça que trabalhava nos serviços domésticos. Ela também detinha um poder de recriminá-lo por qualquer coisa que julgasse errado na conduta daquela então criança. Mais tarde com o decorrer do tempo era perfeitamente previsível um adulto sem alto estima e completamente fragilizado em decidir as “grandes coisas da vida”, pois imagino que mediante alguma decisão supostamente errada lá viriam seus pais descarregando todo o processo juntamente com a moça – analfabeta – que trabalhava lavando roupas e fazendo comida (a scretária).
Voltando ao nosso caso podemos definir o termo invalidação ao descrever uma pessoa que machuca ou tenta machucar a outra. Uma invalidação pode ser livremente expressa por qualquer coisa entre um tapinha nas costas e um tsc tsc. Uma virada dos olhos com um leve suspiro desaprovado, também faz bem esse papel. Tanto quanto uma "torcida no nariz". No campo profissional, entretanto, o invalidador que é eficiente tecnicamente põe você na tempestade. Ele encontra os erros de todos, sutilmente manipula as percepções e procura manter todos sob seu controle. Ele invalida com metas, dados, informes, contabilidade, leis de marketing. Sua verdadeira intenção é exterminar o perigo de ser, ele mesmo, inferiorizado. Tudo isso às custas de reduzir o poder atrativo dos outros. Ele diz a verdade, e a verdade, como diz na música, é seu dom de iludir.
Normalmente é a invalidação sarcástica e mental, não aberta, que traz o efeito mais devastador. Um soco no nariz é uma forma óbvia de invalidação, que, após certo tempo, é curado. Já um ataque à auto-estima, se feito no momento "certo" e da forma "certa" pode se prolongar por toda a vida da pessoa atingida - é o caso daquele meu grande amigo de infância que falei ainda a pouco. Um soco no nariz pode muito bem receber um revide. E o responsável de certo vai ser punido. Mas um ataque mental, subjetivo, geralmente passa despercebido e funciona contra a vítima: a reduz, a impede, a enfraquece, a submete. Esse comportamento só persiste entre as gerações porque, simplesmente, "funciona".
Podemos falar muito mais sobre essa questão que está longe de acabar até porque faz parte de nossa natureza. Mas como o propósito aqui não é defender nenhuma tese a respeito sempre serei breve. O mais importante é que há caminhos para lutar contra esse mal. Estes seres perniciosos estão em todas as partes, e nos oferecem ótimas oportunidades de sermos mais seguros de nós mesmos, não permitindo que seus jogos nos invalidem.
A confrontação é uma forma de oferecer resistência. Você simplesmente olha nos olhos da pessoa que o invalidou de tal forma que deixe claro que você sabe exatamente o que ela está fazendo. Uma longa pausa, uma mão no queixo, ou inclinar-se para frente devagar pode deixá-la saber que é melhor pensar duas vezes antes de mexer com você novamente.
Outra forma de sustentar sua resistência é pedir que o invalidador repita a invalidação que acabou de fazer. Peça pra ele fazer várias vezes. Isso funciona bem no caso de insinuações e venenos encobertos.
Outra forma de sustentar sua resistência é pedir que o invalidador repita a invalidação que acabou de fazer. Peça pra ele fazer várias vezes. Isso funciona bem no caso de insinuações e venenos encobertos.
É bom falar a verdade. Invalidadores são mestres em mensagens duplas, insinuações, inflexões de voz, tom e outras "dicas" atrás das palavras em si. Amplie tudo e diga simplesmente toda a verdade. Um exemplo: Carla mostra-se irritada e impaciente com uma apresentação que começou na sala de reuniões. Mike, o apresentador, percebe e pergunta se tem algo que ela queira dizer. Ela explode: "Sim! Não vejo sentido em nada disso!". Mike ouve e abre o jogo: "Carla, com o que eu apresentei até o momento, não há como termos uma opinião formada, menos ainda uma conclusão. Creio que haja outros interesses ou problemas atrás de sua insatisfação. Peço que respeite minha apresentação e ao final comunique-se sobre o que está necessitando".
Quando falar sobre seus sentimentos fale no “eu” e não no “você”. Existem casais que brigam no você. É um tal de "Você é isso, mas você é aquilo", e nada se resolve bem. Ao falar no "você", estamos colocando no outro o julgamento. Fale sobre seu sentimento. "Eu me sinto mal com sua atitude. Eu não gosto de gritos. Eu preciso de confiança na relação de trabalho". É muito difícil invalidar o que você está dizendo se é sobre o que você sente. Ninguém pode discutir isso: certo ou errado, é o seu sentimento.
Fale em particular. Pessoas que o embaraçam na frente de outros usam o grupo como poder. Se você as pegar a sós, vai descobrir que elas se afundam na cadeira e se tornam "desculposas". Elas passam a respeitar você, porque sabem que você as confrontará em vez de ficar se escondendo por trás de um grupo. Use primeiro a razão com essas pessoas. Se elas o embaraçarem novamente, ameace-as de fazer o mesmo: "Como você se sentiria se eu a embaraçasse na frente de todo o mundo? Faça isso novamente e terei uma surpresinha para você".
Bom, dito isso espero que possa contribuir um pouco mais em desfavor dessas pessoas que em nada se resolvem enquanto seres humanos e acima de tudo querem ferir o semelhante.
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluiro trecho inicial do 3º parágrafo é parte do livro da Claudia Riecken: "Sobreviver...".
ResponderExcluirSeria legal inserir as fontes para validar os pensamentos, blz?
Abs