Comentário sobre a matéria “A visibilidade e a censura na Propaganda” publicada em 04 de dezembro de 2010 no Portal ORM
Prezadas Rafaela Costa e Ivanna Serra, bom dia!
Em regra geral concordo com o texto, no entanto necessito ressaltar que a propaganda tem seu viés negativo quando utilizada incorretamente e a serviço de grandes indústrias. Creio que seja muito importante analisarmos como as pessoas de um modo geral vêm sendo atingidas pelo excessivo bombardeamento da comunicação em massa ou segmentada. Mais importante ainda é analisar o negócio de uma forma global. A tese a ser analisada nessa questão está relacionada ao prolongamento de um marketing competente e agressivo que altera comportamentos a todo instante e é capaz acima de tudo de criar desejos inexistentes de consumo por marcas e produtos.
A propaganda deve sim possuir restrições e em alguns casos até ser proibida em função de mecanismos apelativos desnecessários que somente visam a glorificação do consumo de marca “A” ou marca “B”. Martin Lindstron, um dos maiores gurus globais do mundo publicitário, diz que 80% das marcas mundiais têm uma estratégia específica para crianças e adolescentes. Em 2004 o total de gastos com marketing e publicidade diretamente para crianças foi estimado em US$ 15 bi. Uma pesquisa realizada pela professora Juliet B. Schor da Universidade de Boston, que trata do tema com bastante especificidade, revelou que a exposição excessiva a valores materiais está arruinando o bem-estar das crianças norte-americanas, deixando-as mais depressivas, ansiosas e muito acima do seu peso.
Os dados revelados com a pesquisa são impressionantes. Crianças podem reconhecer logomarcas aos dezoito meses, e antes do segundo aniversário estão pedindo coisas pelo nome da marca. Aos 3 anos, dizem os especialistas, as crianças acreditam que as grifes podem mostrar suas qualidades pessoais, como ser legal, esperta ou forte. Outro fato é que antes de iniciar sua vida escolar, 25% delas já possuem televisão no quarto, podem se lembrar de 200 marcas. Outros dados também coletados revelam que 67% das compras de carros são influenciadas pelos filhos, para vídeos e livros a resposta foi de 80% e para restaurantes, roupas e produtos de higiene pessoal, 50%.
Nesse caso, acredito, que a propaganda deve sofrer uma regulamentação rigorosa. A indústria descobriu que, no atual contexto, as crianças e adolescentes são considerados como o melhor caminho para ser chegar ao bolso dos pais.
Em julho de 2010 quando questionei um diretor de uma grande cervejaria nacional, que esteve por passagem aqui em Belém, sobre a estratégia de marketing do ponto de vista ético, da companhia que optou por fazer ações promocionais na saída da cidade, BR 316, instalando postos promocionais de entrega bebidas e acessórios gratuitamente aos veranista que por lá passavam ao sair da cidade ouvi dele o seguinte: “que se dane a lei seca! Nós precisamos vender e bater nossas metas!”
Sem palavras....
Nenhum comentário:
Postar um comentário