Nos últimos anos, o Brasil tem vivido um movimento de aprofundamento da inclusão
financeira da população. Fator positivo para toda economia, principalmente para
o setor financeiro , esse processo de bancarização, porém, traz junto novos
desafios. "Essa transformação vem exigindo um grau de responsabilidade e
transparência cada vez maior, de forma a assegurar a adequação da prestação de
serviços e produtos às necessidades do consumidor", afirma Renato Oliva,
presidente da ABBC, Associação Brasileira de Bancos, em entrevista exclusiva ao
portal ClienteSA. Ele comenta que essa inclusão financeira tem obrigado a
construção de novas formas de relacionamento, compatíveis ao perfil do novo
público. Em entrevista, Oliva fala sobre esse novo cenário, o atual estágio dos
bancos em gestão de clientes e pontua os erros e acertos do
setor.
ClienteSA - O setor bancário passa por uma fase de crescimento? O
que tem favorecido esse cenário?
Renato Oliva: No mundo, até a eclosão da
crise financeira, o setor bancário apresentou uma forte expansão. Contudo, os
desdobramentos do episódio reverteram esse processo e impõem muitos desafios. No
Brasil, graças à rigidez do setor bancário e a solidez dos fundamentos
macroeconômicos, o quadro é mais favorável, mas também levanta importantes
questões estratégicas, como por exemplo: o processo sustentável de inclusão
financeira da população, além do ambiente regulatório mais restritivo e a
redução da taxa de juros que criam a necessidade de uma melhoria da
eficiência operacional.
Quais as principais transformações pelas quais o
setor bancário passou nos últimos anos?
Sob o ponto de vista dos clientes, o
setor bancário tem sido impactado pelas transformações positivas vivenciadas
pela economia brasileira. Com elas, houve uma importante redução da pobreza e da
desigualdade social refletida na criação da chamada "nova classe média".
Esse movimento representou um aprofundamento da inclusão financeira da
população. Contudo, essa transformação vem exigindo um grau de responsabilidade
e transparência cada vez maior, de forma a assegurar a adequação da prestação de
serviços e produtos às necessidades do consumidor. Essa mudança também tem
obrigado a construção e desenvolvimento de novas formas de relacionamento que
sejam compatíveis ao perfil desse novo público. Entre elas, não só os bancos,
mas a sociedade em geral, têm canalizado iniciativas de programas de educação
financeira.
Diante disso, qual o desafio do setor?
Entre os grandes
desafios para os bancos encontra-se o de aperfeiçoar o processo de gerenciamento
de relacionamento dos clientes já existentes, permitindo uma oferta de produtos
e serviços adequados e garantindo a fidelização. A gestão de relacionamento
deverá, também, ser desenvolvida de forma a permitir que se conheça o
comportamento dos novos entrantes do mercado.
E para atender o novo
perfil de cliente, mais exigente e com mais informações nas mãos, os banco estão
preparados?
A competitividade tem exigido a otimização da eficiência
operacional, por meio de melhorias nos processos e controles internos e da
ampliação e aperfeiçoamento dos canais de distribuição e comunicação, o que leva
a redução de custos e uma maior satisfação dos clientes. A relevância das áreas
de atendimento ao cliente e a ouvidoria dentro das instituições tem aumentado
significativamente. Além disso, o estabelecimento de um relacionamento mais
próximo do setor bancário junto aos órgãos de defesa do consumidor tem
viabilizado uma maior assertividade no tratamento das demandas dos
clientes.
Onde o setor está acertando em gestão de clientes? E
errando?
Atualmente existe uma consciência e um avanço significativo no
aproveitamento das informações e da base tecnológica para o conhecimento e
monitoramento dos clientes, visando atender melhor as suas necessidades. Dentre
os desafios podemos destacar o conhecimento, o comportamento dos novos clientes
e a velocidade das mudanças regulatórias, tecnológicas e do fluxo de
informações.
Revista Cliente S.A. on-line - SP
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