A questão é: até que ponto esses dois universos (privado e
público) possuem semelhanças que justifiquem a transposição de conceitos e
tecnologias de gestão do primeiro para o segundo? Em que medida podemos aplicar diretamente esses conceitos? Não estou dizendo que a
iniciativa privada não possa oferecer instrumentos para a administração
pública, nem afirmo que as soluções concebidas em um não oferte a outro
possibilidades de renovação. Ao contrário, já se sabe largamente que diversas
ferramentas são usadas e com grau positivo de eficiência. O que não se pode
esquecer é que há diferenças substantivas entre eles. As finalidades são
distintas, os recursos possuem diferentes níveis de escassez e as necessidades
de atendimento do bem ou do serviço ao usuário final também possui suas
diferenças.
O setor público possui seus sistemas de gestão próprios e
erigidos a partir de uma construção histórica baseada em suas culturas e
práticas que, bom ou ruim, vem evoluindo quanto ao atendimento das necessidades
da sociedade. Muitas falhas existem, sem dúvida, porém há de se pensar que a
reprodução direta de sistemas exógenos gerará desde apropriações formalísticas
ou de “faz de contas” até verdadeiros traumas. A transposição de conceitos, recombinação
criativa ou adaptação criativa, ou seja lá qualquer designação que se queira
atribuir é obrigatório o cuidado de não cair no que se chama de “redução gerencial” de Bergue,
2008, cuja a saída menos complexa seria a construção de soluções endogenamente
orientadas.
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