segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Transposição de conceitos

O setor privado vive em constantes mudanças e inovações gerenciais de toda ordem. Novos conceitos e tecnologias de gestão são produzidos visando atender e satisfazer as necessidades do cliente. Vive-se uma espécie de ciclo virtuoso de identificação de problemas e geração de soluções. A administração pública por sua vez, nas últimas décadas, têm se voltado para o campo da administração privada ne busca de soluções para problemas semelhantes. A introdução do Balanced Scorecard é um exemplo disso, inclusive esse é o instrumento escolhido pela UFPA como modelo de gestão para tocar o seu PES – Planejamento Estratégico Operacional de 2011 a 2105.

A questão é: até que ponto esses dois universos (privado e público) possuem semelhanças que justifiquem a transposição de conceitos e tecnologias de gestão do primeiro para o segundo? Em que medida podemos aplicar diretamente esses conceitos? Não estou dizendo que a iniciativa privada não possa oferecer instrumentos para a administração pública, nem afirmo que as soluções concebidas em um não oferte a outro possibilidades de renovação. Ao contrário, já se sabe largamente que diversas ferramentas são usadas e com grau positivo de eficiência. O que não se pode esquecer é que há diferenças substantivas entre eles. As finalidades são distintas, os recursos possuem diferentes níveis de escassez e as necessidades de atendimento do bem ou do serviço ao usuário final também possui suas diferenças.

O setor público possui seus sistemas de gestão próprios e erigidos a partir de uma construção histórica baseada em suas culturas e práticas que, bom ou ruim, vem evoluindo quanto ao atendimento das necessidades da sociedade. Muitas falhas existem, sem dúvida, porém há de se pensar que a reprodução direta de sistemas exógenos gerará desde apropriações formalísticas ou de “faz de contas” até verdadeiros traumas. A transposição de conceitos, recombinação criativa ou adaptação criativa, ou seja lá qualquer designação que se queira atribuir é obrigatório o cuidado de não cair no que se chama de “redução gerencial” de Bergue, 2008, cuja a saída menos complexa seria a construção de soluções endogenamente orientadas.

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