domingo, 1 de dezembro de 2013

Tratado a virtude da simplicidade

A simplicidade é o tempero de todas as virtudes. Simples não é o oposto do complexo: é o oposto do falso. Ser simples de verdade é levar em conta a natureza complexa das coisas, mas sem multiplicar complicações desnecessárias. A complexidade da simplicidade pode ser confundida com o simplismo que nada tem de virtuoso, ou pior, quando usada como adorno, como uma pose, a simplicidade pode virar apenas uma forma de ascetismo vaidoso.

Ser simples é aceitar, por exemplo, a dúvida eterna. É manter a independência de pensamento sem acreditar em doutrinas. É saber que todas as sociedades por mais desenvolvidas que sejam possuem suas convenções. A simplicidade não é apenas uma virtude moral, mas também uma virtude intelectual. A mente simples aceita a complexidade do mundo, porém não deixa se enganar pelas tentações da complicação gratuita.

A inteligência é a capacidade de tornar simples as coisas complexas já dizia André Comte-Sponville em seu Pequeno Tratado das Grandes Virtudes. Certa vez Michel Foucault, que já andou por Belém em visita a UFPA, confessou: Na França de hoje, você precisa falar e escrever de forma incompreensível; pelo menos 10% do que você diz deve ser obscuro. Do contrário, as pessoas vão achar que você não é um pensador profundo, deixando claro um certo culto da obscuridade. Goethe: Tudo é muito mais simples do que se pode imaginar e muito mais intricado do que se pode conceber.

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