sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Homo Sedens - o pensamento sentado

Por: Márcia Tiburi

"Somos, por fim, vítimas do que Baitello apontou como uma “conjunção perversa”, em que o sedentarismo de nossos corpos alia-se à hiperatividade visual. Anestesiados diante das máquinas, vivemos na direção contrária de nossa própria capacidade nômade."

Tratar o ato de sentar como uma questão culturalmente relevante pode soar como mera brincadeira. Quem, começando a levá-la a sério, se perguntar “quanto tempo de nossas vidas passamos sentados?” ou “quantas cadeiras há no mundo?”, por mais que consiga respostas estatisticamente impressionantes, não terá, contudo, atingido o cerne da questão inusitada que nos faz pensar nas formas assumidas pelo sedentarismo como caráter da cultura. Na contramão do nomadismo, o sedentarismo faz parte da história de nossa civilização. Mais do que parte da história, é uma postura que caracteriza nosso tempo presente. A maior parte de nossos gestos corporais acaba no assento; passamos muitas horas do dia sentados, tudo, em nossas vidas, convida-nos a sentar. Mas esse convite agradável ao descanso tem significados mais complexos: sentamos em casa, na rua, nas escolas, sentamo-nos diante de máquinas; sobretudo, hoje em dia, sentamo-nos diante de telas.
Norval Baitello Junior, professor da PUC de São Paulo, escreveu, em seu livro O pensamento sentado (Unisinos, 2012), sobre o lugar do “assento” em uma cultura sedentária. Sua crítica vai na direção de um pensamento sentado que, para ele, seria o pensamento acomodado. Recuperando a expressão alemã usada por Nietzsche para falar da “vida sedentária” – Sitzfleisch – ele explora a tradução por “carne de assento” que, literalmente, leva à usual “bunda”. Bunda tem um vasto alcance no Brasil. Mesmo que soe deselegante, não seria um erro considerar a atualidade de um “pensamento-bunda”, aquele pensamento cansado que, no extremo, expressa o que entendemos no cotidiano, no âmbito da irresponsabilidade do “bundão”.
O caráter “assentado” é o da “discursividade previsível e acomodada”, a que reduz o ato de pensar em nossa época, contra sua natureza mais íntima. O “decréscimo da mobilidade” do corpo é, segundo ele, também do pensar, cuja imprevisibilidade e capacidade de surpreender estariam em baixa. Conhecemos essa acomodação, sabemos que ela é necessária ao poder, ao sistema econômico e político, que esperam corpos dóceis e mentes paradas, repetindo acomodadamente mais do mesmo que mantém tudo no mesmo lugar: sentado.
Pensar na reflexão aos saltos do livro de Baitello é uma atitude dinâmica, como seria o movimento de nosso corpo, inquieto e propenso a caminhar, pular, correr e saltar. A capacidade humana, que está ligada a todo o nosso processo de aprendizagem em relação à vida, de explorar o entorno, é diminuída quando tudo se reduz a “assento”. O primata que somos se ressente de não poder mover-se.
Regra da cultura
Baitello nos lembra que sentar e sedar têm a mesma origem etimológica: sedere. Assim, comentando que somos “Homo sedens”, a atrofia dos músculos e dos movimentos surge como uma espécie de regra da cultura. Quando observamos o nosso dia a dia, sentados por todos os lados, diante de computadores, da televisão, dentro de carros, temos certeza que a mobilidade corporal que nos caracterizaria, e que ainda se coloca como nossa potência, cede lugar à estranha mobilidade incorporal da máquina. As máquinas se movem em nosso lugar, tornamo-nos imóveis: esperamos sentados a máquina que nos substitui. De certo modo, participamos passivamente de um “devir” imóvel, que não nos leva a lugar nenhum, senão àquele onde já fomos previamente postos.
Por fim, forçados a sentar, vivendo o elogio da disciplina, resistimos enquanto seres sentados em nome de um esforço. Valorizamos aquele que consegue aguentar a sala de aula, a cadeira no trabalho burocrático.
Somos, por fim, vítimas do que Baitello apontou como uma “conjunção perversa”, em que o sedentarismo de nossos corpos alia-se à hiperatividade visual. Anestesiados diante das máquinas, vivemos na direção contrária de nossa própria capacidade nômade.
Talvez fugir desse mundo seja um desejo soterrado por cadeiras numa avalanche mole ao qual nosso corpo se adequa por ter medo de seus próprias potências. Bom lembrar que fugir é sempre um direito.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Rule-Breaking Teens Make More Successful Entrepreneurs

Por Jeremy Dean
PsyBlog: www.spring.org.uk
ago 2013

According to a new study, successful entrepreneurs are three times more likely to have engaged in illicit activities as teens like shoplifting, skipping out of school and even drug-dealing.

The insight comes from a nationally representative sample of 12,686 Americans who have been followed for other 30 years, since they were teenagers (Levine & Rubinstein, 2013).

They looked at what types of cognitive and other factors were associated with becoming a successful entrepreneur—especially one that had incorporated their business.

Naturally they found that successful entrepreneurs have to be smart, have high self-esteem and be well-educated; but they also need the attraction to risk.

Those who turned out to be the best entrepreneurs often had a history of being rule breakers in their teenage years. They were more likely to have smoked marijuana, to have bunked off school and even to have assaulted others.

But this illicit aspect was also coupled with a very stable family background. Successful entrepreneur’s were disproportionately likely to come from families that were: high-income, well-educated, and stable. So we’re not exactly talking about disadvantaged youths here.

We’re also not talking about women here: since men, on average, are more aggressive and are prepared to take on higher risks, they are more likely to become entrepreneurs. Women made up just 28% of the entrepreneurs who had incorporated their business.

Does more risk mean more reward? But does this extra risk pay off?

This study found that in a financial sense, the risk may well pay off. Successful entrepreneurs earned 41% more per hour than similar salaried workers, although they also worked longer hours (on average, 27% more).

The study doesn’t, however, tell us anything about the effects of being an entrepreneur on family life or on psychological health. Perhaps these may not be as favourable as the economic benefits.

In a similar vein, the taste for risk-taking plus high self-esteem can provide a dangerous mix which can easily lead to lapses in judgement. Because of this, entrepreneurs are likely to need someone more risk-averse around who can rein them in when they go too far.


http://www.psiconomia.com.br/2013/12/jovens-que-desrespeitam-regras-tem.html#more

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Transposição de conceitos

O setor privado vive em constantes mudanças e inovações gerenciais de toda ordem. Novos conceitos e tecnologias de gestão são produzidos visando atender e satisfazer as necessidades do cliente. Vive-se uma espécie de ciclo virtuoso de identificação de problemas e geração de soluções. A administração pública por sua vez, nas últimas décadas, têm se voltado para o campo da administração privada ne busca de soluções para problemas semelhantes. A introdução do Balanced Scorecard é um exemplo disso, inclusive esse é o instrumento escolhido pela UFPA como modelo de gestão para tocar o seu PES – Planejamento Estratégico Operacional de 2011 a 2105.

A questão é: até que ponto esses dois universos (privado e público) possuem semelhanças que justifiquem a transposição de conceitos e tecnologias de gestão do primeiro para o segundo? Em que medida podemos aplicar diretamente esses conceitos? Não estou dizendo que a iniciativa privada não possa oferecer instrumentos para a administração pública, nem afirmo que as soluções concebidas em um não oferte a outro possibilidades de renovação. Ao contrário, já se sabe largamente que diversas ferramentas são usadas e com grau positivo de eficiência. O que não se pode esquecer é que há diferenças substantivas entre eles. As finalidades são distintas, os recursos possuem diferentes níveis de escassez e as necessidades de atendimento do bem ou do serviço ao usuário final também possui suas diferenças.

O setor público possui seus sistemas de gestão próprios e erigidos a partir de uma construção histórica baseada em suas culturas e práticas que, bom ou ruim, vem evoluindo quanto ao atendimento das necessidades da sociedade. Muitas falhas existem, sem dúvida, porém há de se pensar que a reprodução direta de sistemas exógenos gerará desde apropriações formalísticas ou de “faz de contas” até verdadeiros traumas. A transposição de conceitos, recombinação criativa ou adaptação criativa, ou seja lá qualquer designação que se queira atribuir é obrigatório o cuidado de não cair no que se chama de “redução gerencial” de Bergue, 2008, cuja a saída menos complexa seria a construção de soluções endogenamente orientadas.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Tratado a virtude da simplicidade

A simplicidade é o tempero de todas as virtudes. Simples não é o oposto do complexo: é o oposto do falso. Ser simples de verdade é levar em conta a natureza complexa das coisas, mas sem multiplicar complicações desnecessárias. A complexidade da simplicidade pode ser confundida com o simplismo que nada tem de virtuoso, ou pior, quando usada como adorno, como uma pose, a simplicidade pode virar apenas uma forma de ascetismo vaidoso.

Ser simples é aceitar, por exemplo, a dúvida eterna. É manter a independência de pensamento sem acreditar em doutrinas. É saber que todas as sociedades por mais desenvolvidas que sejam possuem suas convenções. A simplicidade não é apenas uma virtude moral, mas também uma virtude intelectual. A mente simples aceita a complexidade do mundo, porém não deixa se enganar pelas tentações da complicação gratuita.

“A inteligência é a capacidade de tornar simples as coisas complexas” já dizia André Comte-Sponville em seu Pequeno Tratado das Grandes Virtudes. Certa vez Michel Foucault, que já andou por Belém em visita a UFPA, confessou: “Na França de hoje, você precisa falar e escrever de forma incompreensível; pelo menos 10% do que você diz deve ser obscuro. Do contrário, as pessoas vão achar que você não é um pensador profundo”, deixando claro um certo culto da obscuridade. Goethe: “Tudo é muito mais simples do que se pode imaginar e muito mais intricado do que se pode conceber”.

Pensamentos adaptados de Hermanm Hesse

Num mundo cada vez mais despersonalizado, onde os valores humanos e mentais são devorados pela necessidade de satisfação do ego, preocupado mais em aparentar do que realmente entender, as pessoas já não mais são reconhecidas pelo que pensam ou são, mas sim por aquilo que fingem exteriormente, criando uma espécie de superficialidade emocional, condicionada gradativamente por sistemas de relações virtuais. Sobreviver a uma existência mecânica e despersonalizada sem aprofundar-se nos precipícios das inexploradas percepções mentais, parece soar como uma derrota ante às perspectivas da vida. É necessário uma conexão maior entre a mente e o universo, ou seja, uma consciência cósmica.

Pensamentos adaptados de Hermanm Hesse

sábado, 30 de novembro de 2013

Escolha seu time e seja feliz

Tem gente que se nega veementemente a torcer para um time de fora alegando que os limites geográficos é que, em tese, devem reger as escolhas, levando-se em consideração apenas as agremiações locais. Nem preciso de muitos argumentos pra derrubar algo que por si só não se sustenta. A escolha por Remo ou Paysandu a muito deixou de ser algo relevante no cenário local, pelo contrário, parecem duas ilusões de óticas perdidas no tempo e no espaço do tempo em que o Mangueirão ainda parecia metade de um bolo. Qual sentido teria uma vida em abrir a boca e dizer que você torce pra o Remo ou para o Paysandu? No mínimo medíocre... Remista de nascença não vejo graça nenhuma em o Paysandu ser rebaixado pra série C. A mim se houvesse pelo menos um exemplo regional que dignificasse nosso futebol ao menos poderíamos nos apegar a ele. Como não existem exemplos creio que a alternativa mais sábia é adotar uma estrela de primeira grandeza longe de nossos limites regionais. Pelo menos assim podemos ser recompensados as quartas-feiras e aos domingos com o prazer de um bom futebol. Time de futebol não é parente. Você pode escolher. Cuide mais de você, sofrer tanto assim não vale

As públicas ainda são as melhores

Das 50 melhores universidades do Brasil apenas 7 são privadas. A desconstrução da ideia de que os investimentos de mercado advindos dos pagamentos das mensalidades criam melhor suporte a construção do conhecimento, da pesquisa e extensão. O...u será que a maquiagem conveniente de uma educação do “faz de conta” inunda a maioria das universidades privadas que necessitam atender e superar as expectativas dos seus “alunos-clientes” com os mimos de um produto caro que sustenta a imaginação de sucesso profissional através da emissão de um diploma supostamente comprado em “suaves” prestações? (http://ruf.folha.uol.com.br/2013/rankinguniversitariofolha/)