quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Pão, circo e violência


Por GAUDÊNCIO TORQUATO - O Estado de S.Paulo
Vespasiano, o imperador, em 22 de junho de 79 d.C., pouco antes de morrer, em carta ao filho Tito aconselhava-o a concluir a construção do Colosseum (Coliseu), que lhe daria "muitas alegrias e infinita memória". Pois, entre um banheiro, um banco de escola ou um estádio, o povo preferia sentar-se nas arquibancadas deste. O conselho fundamentava-se na ideia de que seduzir a plebe com pão e circo era a melhor receita para diminuir a insatisfação popular contra os governantes. Tito acabou inaugurando o famoso anfiteatro, no centro de Roma, com cem dias de festa. Descortinava-se ali a era do panis et circensis, que consistia em proporcionar, naquela arena, espetáculos sangrentos entre gladiadores e distribuição gratuita de pão. Implicava alto custo para os cofres do Império, com elevação de impostos e economia destroçada, mas a prática populista emprestava enorme prestígio aos imperadores romanos.

É sabido que os jogos, ao longo da História, funcionaram como verniz para lustrar a imagem de governantes. Hoje a estratégia para cooptar a simpatia das populações por meio das artes/artimanhas e do entretenimento continua a receber atenção de administradores públicos de todos os quadrantes. Não por acaso, nossas arenas esportivas, que se preparam para abrigar os jogos da Copa de 2014, deverão colorir o portfólio de feitos do governo.
O que tem mudado na paisagem dos espaços lúdicos não é a ambição dos condutores dos Estados de se alçarem aos píncaros da fama, mas o comportamento das plateias. Espectadores que outrora fruíam a catarse dos embates esportivos, exaltando ou deplorando o desempenho de contendores, tornam-se eles próprios competidores, lutadores, gladiadores, disparando uns contra outros não só a arma das imprecações, mas armas de fogo, e partindo para a violência física. A alteração comportamental de quem vai aos estádios é preocupante, principalmente em nosso território, que elege o futebol como esporte nacional e se depara, a cada campeonato, com os novos sujeitos, as chamadas torcidas organizadas. O fenômeno toma vulto ante o risco de o Brasil vir a ser, por excelência, o palco da violência futebolística, pela constatação de que o aparato da segurança pública tem sido ineficaz para debelar a desordem e a pancadaria nas arquibancadas, a par de medidas paliativas, como cerceamento do acesso de torcedores a estádios, majoração do preço de ingressos, jogos com portões fechados, perda de mando de campo e multas aos clubes.

De pouco adiantará administrar tensões e conflitos sob o escudo policial-repressivo. Como se diz no vulgo, o buraco é mais profundo e está embaixo. A mobilização de pessoas para a formação de grupos e a organização de torcidas obedecem a nova ordem que impregna a dinâmica social no mundo contemporâneo. A competição assume posição singular em todos os setores, espaços, categorias profissionais e classes sociais. As massas fragmentam-se em núcleos, cada qual com seus discursos, bandeiras, uniformes, armas e instrumentos. Os avanços civilizatórios nos campos da macroeconomia, da política e da cultura abrem comportamentos diferentes, multiplicando as pequenas organizações sociais e gerando novos polos de poder.

Os espaços urbanos ganham novos contornos, a esfera do trabalho traz novos desafios e a busca de uma identidade passa a ser central para os indivíduos, principalmente os jovens, motivados a expressar valores como masculinidade, coragem, companheirismo, coesão, solidariedade, sentimento de pertencer a um grupo. Fazer parte de torcidas como Mancha Verde, Gaviões da Fiel, Independente passou a ser referência para habitantes de cidades congestionadas, carentes de serviços e lazer.

Ao escopo semântico - em que se agrupam as agruras sociais - adiciona-se uma estética de diferenciação, caracterizada pelas cores (verde, vermelho e preto, preto e branco, azul, amarelo canarinho), pelos símbolos (gavião, porco, urubu, galo, raposa, coelho, timbu, baleia, leão), pela vestimenta com os dizeres da moda, pelo estilo de andar, de pensar, de perambular em bandos. E fechando o circuito, a espetacularização midiática, por meio da qual os torcedores poderão ver nas telas da TV seus gestos, feições alegres ou crispadas de ódio e ouvir gritos de guerra.

Condenar as turbas com designativos de vândalos, bandidos, selvagens, adensar forças policiais em estádios, continuar a usar meios tradicionais, como punição a clubes, não conseguirão eliminar a violência das torcidas organizadas. Mais cedo ou mais tarde, os atos voltarão. O disciplinamento e a ordem hão de levar em conta a elevação de padrões comportamentais, ancorada no esforço de educação (reeducação) de torcedores fanáticos. Não se trata de promover meras ações de marketing cultural - eventos festivos e associativos para alinhamento dos torcedores ao espírito do clube -, mas um amplo programa com o objetivo de compor um ideário voltado para engrandecer o espírito da democracia, com respeito aos princípios da ordem e da disciplina, que não devem ser incompatíveis com o entusiasmo das torcidas.

É evidente que ante a moldura de extrema competitividade e crescente agressividade entre grupamentos sociais um esforço nessa direção não será tarefa fácil. O que aqui se propõe é uma ação cívica dos clubes de futebol na tentativa de ajudar o Estado brasileiro a melhorar a argamassa do edifício da cidadania. É inimaginável que torcidas se vejam como inimigas tomadas de ódio e virulência; e que o "sarro" tirado por um bandeirinha na direção de um grupo nas arquibancadas, o apito errado de um juiz, um ato menos educado de um policial ou um xingamento de torcedor sejam motivo para pancadaria.

Nem Vespasiano nem Tito imaginariam que, um dia, o dístico panis et circensis seria acrescido de violentia. Fosse assim, o velho Coliseu não estaria em pé.

 

sábado, 7 de dezembro de 2013

Why We Make Bad Decisions - por que tomamos decisões ruins

By NOREENA HERTZ
Fonte: The New York Times

LONDON — SIX years ago I was struck down with a mystery illness. My weight dropped by 30 pounds in three months. I experienced searing stomach pain, felt utterly exhausted and no matter how much I ate, I couldn’t gain an ounce.
I went from slim to thin to emaciated. The pain got worse, a white heat in my belly that made me double up unexpectedly in public and in private. Delivering on my academic and professional commitments became increasingly challenging.
It was terrifying. I did not know whether I had an illness that would kill me or stay with me for the rest of my life or whether what was wrong with me was something that could be cured if I could just find out what on earth it was.
Trying to find the answer, I saw doctors in London, New York, Minnesota and Chicago.
I was offered a vast range of potential diagnoses. Cancer was quickly and thankfully ruled out. But many other possibilities remained on the table, from autoimmune diseases to rare viruses to spinal conditions to debilitating neural illnesses.
Treatments suggested ranged from a five-hour, high-risk surgery to remove a portion of my stomach, to lumbar spine injections to numb nerve paths, to a prescription of antidepressants.
Faced with all these confusing and conflicting opinions, I had to work out which expert to trust, whom to believe and whose advice to follow. As an economist specializing in the global economy, international trade and debt, I have spent most of my career helping others make big decisions — prime ministers, presidents and chief executives — and so I’m all too aware of the risks and dangers of poor choices in the public as well as the private sphere. But up until then I hadn’t thought much about the process of decision making. So in between M.R.I.’s, CT scans and spinal taps, I dove into the academic literature on decision making. Not just in my field but also in neuroscience, psychology, sociology, information science, political science and history.
What did I learn?
Physicians do get things wrong, remarkably often. Studies have shown that up to one in five patients are misdiagnosed. In the United States and Canada it is estimated that 50,000 hospital deaths each year could have been prevented if the real cause of illness had been correctly identified.
Yet people are loath to challenge experts. In a 2009 experiment carried out at Emory University, a group of adults was asked to make a decision while contemplating an expert’s claims, in this case, a financial expert. A functional M.R.I. scanner gauged their brain activity as they did so. The results were extraordinary: when confronted with the expert, it was as if the independent decision-making parts of many subjects’ brains pretty much switched off. They simply ceded their power to decide to the expert.
If we are to control our own destinies, we have to switch our brains back on and come to our medical consultations with plenty of research done, able to use the relevant jargon. If we can’t do this ourselves we need to identify someone in our social or family network who can do so on our behalf.
Anxiety, stress and fear — emotions that are part and parcel of serious illness — can distort our choices. Stress makes us prone to tunnel vision, less likely to take in the information we need. Anxiety makes us more risk-averse than we would be regularly and more deferential.
We need to know how we are feeling. Mindfully acknowledging our feelings serves as an “emotional thermostat” that recalibrates our decision making. It’s not that we can’t be anxious, it’s that we need to acknowledge to ourselves that we are.
It is also crucial to ask probing questions not only of the experts but of ourselves. This is because we bring into our decision-making process flaws and errors of our own. All of us show bias when it comes to what information we take in. We typically focus on anything that agrees with the outcome we want.
We need to be aware of our natural born optimism, for that harms good decision making, too. The neuroscientist Tali Sharot conducted a study in which she asked volunteers what they believed the chances were of various unpleasant events’ occurring — events like being robbed or developing Parkinson’s disease. She then told them what the real chances of such an event happening actually were. What she discovered was fascinating. When the volunteers were given information that was better than they hoped or expected — say, for example, that the risk of complications in surgery was only 10 percent when they thought it was 30 percent — they adjusted closer to the new risk percentages presented. But if it was worse, they tended to ignore this new information.
This could explain why smokers often persist with smoking despite the overwhelming evidence that it’s bad for them. If their unconscious belief is that they won’t get lung cancer, for every warning from an antismoking campaigner, their brain is giving a lot more weight to that story of the 99-year-old lady who smokes 50 cigarettes a day but is still going strong.
We need to acknowledge our tendency to incorrectly process challenging news and actively push ourselves to hear the bad as well as the good. It felt great when I stumbled across information that implied I didn’t need any serious treatment at all. When we find data that supports our hopes we appear to get a dopamine rush similar to the one we get if we eat chocolate, have sex or fall in love. But it’s often information that challenges our existing opinions or wishful desires that yields the greatest insights. I was lucky that my boyfriend alerted me to my most dopamine-drugged moments. The dangerous allure of the information we want to hear is something we need to be more vigilant about, in the medical consulting room and beyond.
My own health story had a happy ending. I was finally given a diagnosis of a rare lymphatic vessel condition, and decided that surgery made sense. Not the five-hour surgical intervention that would have left me in bed recovering for more than three months, but a much less intrusive keyhole surgery with a quick recovery. I chose a surgeon who wasn’t overly confident. I’d learned in my research that the super-confident, doctor-as-god types did not always perform well. One study of radiologists, for example, reveals that those who perform poorly on diagnostic tests are also those most confident in their diagnostic prowess.
My surgery went well. The pain subsided, the pounds gradually came back on. I am now cured.
With brain switched on and eyes wide open, we can’t always guarantee a positive outcome when it comes to a medical decision, but we can at least stack the odds in our favor.
 

Não chore pelo leite derramado

“São as más experiências e as perdas, quando admitidas plenamente e saboreadas em seu gosto amargo, que nos ensinam a viver. Elas nos tornam mais humanos, falíveis, flexíveis. É desse ponto frágil que podemos experimentar a compaixão por outros seres que perdem, e que sofrem as dores do esgarçamento da alma por isso. Conhecemos o gosto de sua aflição e podemos ser solidários com conhecimento de causa. O ganho dessa fraternidade em humanidade, dessa possibilidade de compaixão pelo outro com base em nossa própria experiência, já seria suficiente para absolver muitos de nossos erros e incompreensões do passado.”

Fonte: Revista Vida Simples

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Homo Sedens - o pensamento sentado

Por: Márcia Tiburi

"Somos, por fim, vítimas do que Baitello apontou como uma “conjunção perversa”, em que o sedentarismo de nossos corpos alia-se à hiperatividade visual. Anestesiados diante das máquinas, vivemos na direção contrária de nossa própria capacidade nômade."

Tratar o ato de sentar como uma questão culturalmente relevante pode soar como mera brincadeira. Quem, começando a levá-la a sério, se perguntar “quanto tempo de nossas vidas passamos sentados?” ou “quantas cadeiras há no mundo?”, por mais que consiga respostas estatisticamente impressionantes, não terá, contudo, atingido o cerne da questão inusitada que nos faz pensar nas formas assumidas pelo sedentarismo como caráter da cultura. Na contramão do nomadismo, o sedentarismo faz parte da história de nossa civilização. Mais do que parte da história, é uma postura que caracteriza nosso tempo presente. A maior parte de nossos gestos corporais acaba no assento; passamos muitas horas do dia sentados, tudo, em nossas vidas, convida-nos a sentar. Mas esse convite agradável ao descanso tem significados mais complexos: sentamos em casa, na rua, nas escolas, sentamo-nos diante de máquinas; sobretudo, hoje em dia, sentamo-nos diante de telas.
Norval Baitello Junior, professor da PUC de São Paulo, escreveu, em seu livro O pensamento sentado (Unisinos, 2012), sobre o lugar do “assento” em uma cultura sedentária. Sua crítica vai na direção de um pensamento sentado que, para ele, seria o pensamento acomodado. Recuperando a expressão alemã usada por Nietzsche para falar da “vida sedentária” – Sitzfleisch – ele explora a tradução por “carne de assento” que, literalmente, leva à usual “bunda”. Bunda tem um vasto alcance no Brasil. Mesmo que soe deselegante, não seria um erro considerar a atualidade de um “pensamento-bunda”, aquele pensamento cansado que, no extremo, expressa o que entendemos no cotidiano, no âmbito da irresponsabilidade do “bundão”.
O caráter “assentado” é o da “discursividade previsível e acomodada”, a que reduz o ato de pensar em nossa época, contra sua natureza mais íntima. O “decréscimo da mobilidade” do corpo é, segundo ele, também do pensar, cuja imprevisibilidade e capacidade de surpreender estariam em baixa. Conhecemos essa acomodação, sabemos que ela é necessária ao poder, ao sistema econômico e político, que esperam corpos dóceis e mentes paradas, repetindo acomodadamente mais do mesmo que mantém tudo no mesmo lugar: sentado.
Pensar na reflexão aos saltos do livro de Baitello é uma atitude dinâmica, como seria o movimento de nosso corpo, inquieto e propenso a caminhar, pular, correr e saltar. A capacidade humana, que está ligada a todo o nosso processo de aprendizagem em relação à vida, de explorar o entorno, é diminuída quando tudo se reduz a “assento”. O primata que somos se ressente de não poder mover-se.
Regra da cultura
Baitello nos lembra que sentar e sedar têm a mesma origem etimológica: sedere. Assim, comentando que somos “Homo sedens”, a atrofia dos músculos e dos movimentos surge como uma espécie de regra da cultura. Quando observamos o nosso dia a dia, sentados por todos os lados, diante de computadores, da televisão, dentro de carros, temos certeza que a mobilidade corporal que nos caracterizaria, e que ainda se coloca como nossa potência, cede lugar à estranha mobilidade incorporal da máquina. As máquinas se movem em nosso lugar, tornamo-nos imóveis: esperamos sentados a máquina que nos substitui. De certo modo, participamos passivamente de um “devir” imóvel, que não nos leva a lugar nenhum, senão àquele onde já fomos previamente postos.
Por fim, forçados a sentar, vivendo o elogio da disciplina, resistimos enquanto seres sentados em nome de um esforço. Valorizamos aquele que consegue aguentar a sala de aula, a cadeira no trabalho burocrático.
Somos, por fim, vítimas do que Baitello apontou como uma “conjunção perversa”, em que o sedentarismo de nossos corpos alia-se à hiperatividade visual. Anestesiados diante das máquinas, vivemos na direção contrária de nossa própria capacidade nômade.
Talvez fugir desse mundo seja um desejo soterrado por cadeiras numa avalanche mole ao qual nosso corpo se adequa por ter medo de seus próprias potências. Bom lembrar que fugir é sempre um direito.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Rule-Breaking Teens Make More Successful Entrepreneurs

Por Jeremy Dean
PsyBlog: www.spring.org.uk
ago 2013

According to a new study, successful entrepreneurs are three times more likely to have engaged in illicit activities as teens like shoplifting, skipping out of school and even drug-dealing.

The insight comes from a nationally representative sample of 12,686 Americans who have been followed for other 30 years, since they were teenagers (Levine & Rubinstein, 2013).

They looked at what types of cognitive and other factors were associated with becoming a successful entrepreneur—especially one that had incorporated their business.

Naturally they found that successful entrepreneurs have to be smart, have high self-esteem and be well-educated; but they also need the attraction to risk.

Those who turned out to be the best entrepreneurs often had a history of being rule breakers in their teenage years. They were more likely to have smoked marijuana, to have bunked off school and even to have assaulted others.

But this illicit aspect was also coupled with a very stable family background. Successful entrepreneur’s were disproportionately likely to come from families that were: high-income, well-educated, and stable. So we’re not exactly talking about disadvantaged youths here.

We’re also not talking about women here: since men, on average, are more aggressive and are prepared to take on higher risks, they are more likely to become entrepreneurs. Women made up just 28% of the entrepreneurs who had incorporated their business.

Does more risk mean more reward? But does this extra risk pay off?

This study found that in a financial sense, the risk may well pay off. Successful entrepreneurs earned 41% more per hour than similar salaried workers, although they also worked longer hours (on average, 27% more).

The study doesn’t, however, tell us anything about the effects of being an entrepreneur on family life or on psychological health. Perhaps these may not be as favourable as the economic benefits.

In a similar vein, the taste for risk-taking plus high self-esteem can provide a dangerous mix which can easily lead to lapses in judgement. Because of this, entrepreneurs are likely to need someone more risk-averse around who can rein them in when they go too far.


http://www.psiconomia.com.br/2013/12/jovens-que-desrespeitam-regras-tem.html#more

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Transposição de conceitos

O setor privado vive em constantes mudanças e inovações gerenciais de toda ordem. Novos conceitos e tecnologias de gestão são produzidos visando atender e satisfazer as necessidades do cliente. Vive-se uma espécie de ciclo virtuoso de identificação de problemas e geração de soluções. A administração pública por sua vez, nas últimas décadas, têm se voltado para o campo da administração privada ne busca de soluções para problemas semelhantes. A introdução do Balanced Scorecard é um exemplo disso, inclusive esse é o instrumento escolhido pela UFPA como modelo de gestão para tocar o seu PES – Planejamento Estratégico Operacional de 2011 a 2105.

A questão é: até que ponto esses dois universos (privado e público) possuem semelhanças que justifiquem a transposição de conceitos e tecnologias de gestão do primeiro para o segundo? Em que medida podemos aplicar diretamente esses conceitos? Não estou dizendo que a iniciativa privada não possa oferecer instrumentos para a administração pública, nem afirmo que as soluções concebidas em um não oferte a outro possibilidades de renovação. Ao contrário, já se sabe largamente que diversas ferramentas são usadas e com grau positivo de eficiência. O que não se pode esquecer é que há diferenças substantivas entre eles. As finalidades são distintas, os recursos possuem diferentes níveis de escassez e as necessidades de atendimento do bem ou do serviço ao usuário final também possui suas diferenças.

O setor público possui seus sistemas de gestão próprios e erigidos a partir de uma construção histórica baseada em suas culturas e práticas que, bom ou ruim, vem evoluindo quanto ao atendimento das necessidades da sociedade. Muitas falhas existem, sem dúvida, porém há de se pensar que a reprodução direta de sistemas exógenos gerará desde apropriações formalísticas ou de “faz de contas” até verdadeiros traumas. A transposição de conceitos, recombinação criativa ou adaptação criativa, ou seja lá qualquer designação que se queira atribuir é obrigatório o cuidado de não cair no que se chama de “redução gerencial” de Bergue, 2008, cuja a saída menos complexa seria a construção de soluções endogenamente orientadas.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Tratado a virtude da simplicidade

A simplicidade é o tempero de todas as virtudes. Simples não é o oposto do complexo: é o oposto do falso. Ser simples de verdade é levar em conta a natureza complexa das coisas, mas sem multiplicar complicações desnecessárias. A complexidade da simplicidade pode ser confundida com o simplismo que nada tem de virtuoso, ou pior, quando usada como adorno, como uma pose, a simplicidade pode virar apenas uma forma de ascetismo vaidoso.

Ser simples é aceitar, por exemplo, a dúvida eterna. É manter a independência de pensamento sem acreditar em doutrinas. É saber que todas as sociedades por mais desenvolvidas que sejam possuem suas convenções. A simplicidade não é apenas uma virtude moral, mas também uma virtude intelectual. A mente simples aceita a complexidade do mundo, porém não deixa se enganar pelas tentações da complicação gratuita.

A inteligência é a capacidade de tornar simples as coisas complexas já dizia André Comte-Sponville em seu Pequeno Tratado das Grandes Virtudes. Certa vez Michel Foucault, que já andou por Belém em visita a UFPA, confessou: Na França de hoje, você precisa falar e escrever de forma incompreensível; pelo menos 10% do que você diz deve ser obscuro. Do contrário, as pessoas vão achar que você não é um pensador profundo, deixando claro um certo culto da obscuridade. Goethe: Tudo é muito mais simples do que se pode imaginar e muito mais intricado do que se pode conceber.

Pensamentos adaptados de Hermanm Hesse

Num mundo cada vez mais despersonalizado, onde os valores humanos e mentais são devorados pela necessidade de satisfação do ego, preocupado mais em aparentar do que realmente entender, as pessoas já não mais são reconhecidas pelo que pensam ou são, mas sim por aquilo que fingem exteriormente, criando uma espécie de superficialidade emocional, condicionada gradativamente por sistemas de relações virtuais. Sobreviver a uma existência mecânica e despersonalizada sem aprofundar-se nos precipícios das inexploradas percepções mentais, parece soar como uma derrota ante às perspectivas da vida. É necessário uma conexão maior entre a mente e o universo, ou seja, uma consciência cósmica.

Pensamentos adaptados de Hermanm Hesse

sábado, 30 de novembro de 2013

Escolha seu time e seja feliz

Tem gente que se nega veementemente a torcer para um time de fora alegando que os limites geográficos é que, em tese, devem reger as escolhas, levando-se em consideração apenas as agremiações locais. Nem preciso de muitos argumentos pra derrubar algo que por si só não se sustenta. A escolha por Remo ou Paysandu a muito deixou de ser algo relevante no cenário local, pelo contrário, parecem duas ilusões de óticas perdidas no tempo e no espaço do tempo em que o Mangueirão ainda parecia metade de um bolo. Qual sentido teria uma vida em abrir a boca e dizer que você torce pra o Remo ou para o Paysandu? No mínimo medíocre... Remista de nascença não vejo graça nenhuma em o Paysandu ser rebaixado pra série C. A mim se houvesse pelo menos um exemplo regional que dignificasse nosso futebol ao menos poderíamos nos apegar a ele. Como não existem exemplos creio que a alternativa mais sábia é adotar uma estrela de primeira grandeza longe de nossos limites regionais. Pelo menos assim podemos ser recompensados as quartas-feiras e aos domingos com o prazer de um bom futebol. Time de futebol não é parente. Você pode escolher. Cuide mais de você, sofrer tanto assim não vale

As públicas ainda são as melhores

Das 50 melhores universidades do Brasil apenas 7 são privadas. A desconstrução da ideia de que os investimentos de mercado advindos dos pagamentos das mensalidades criam melhor suporte a construção do conhecimento, da pesquisa e extensão. O...u será que a maquiagem conveniente de uma educação do “faz de conta” inunda a maioria das universidades privadas que necessitam atender e superar as expectativas dos seus “alunos-clientes” com os mimos de um produto caro que sustenta a imaginação de sucesso profissional através da emissão de um diploma supostamente comprado em “suaves” prestações? (http://ruf.folha.uol.com.br/2013/rankinguniversitariofolha/)

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Não tem comparação, pelo menos hoje não!

Parabenizo o atacante Diego Costa que optou por jogar no que é melhor de fato, a Espanha. Ao presidente da CPF e ao treinador da seleção, Escolari, ficam os erros de não saberem levar o não de um jogador e assim resolverem, como crianças, comportar-se de maneira inadequada e inconveniente por acharem que todos devem apoiar esse grande circo montado pra 2014. Parabéns ao Parreira, também, que soube levar um fora com dignidade e evitar comentários desastrosos.

domingo, 20 de outubro de 2013

Acredite se quiser

Tão idiota quanto aquele que faz de sua fé uma propaganda, uma mercadoria com o objetivo de cooptar o próximo a comungar de seus valores é aquele que abre a boca pra dizer que não crê em nada e que Deus não existe. Os dois lados possuem uma substantiva fraqueza de espírito, tão grande que abrem mão da virtude da dúvida que nos acompanha desde nossa primitiva existência. A necessidade de contar histórias é virtuosa em sua grande parte, porém danosa a gerações quando vêm lastreadas da necessidade de se dar significados as coisas que não se pode confirmar por meio da razão.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

UFPA Capacit

Caros Professores/Facilitadores,

A Pró-Reitoria de Desenvolvimento e Gestão de Pessoal, por meio do CAPACIT, vem
prestar homenagem àqueles que dedicam suas vidas ao cumprimento da importante missão
de transmitir conhecimentos, fortalecer vínculos, despertar talentos, acolher e
agregar valor aos servidores da UFPA e demais servidores públicos, possibilitando
adentrar no mundo das letras, dos números, das artes, da ciência, da natureza, da
convivência, dos valores éticos e do respeito ao outro...

A vocês, professores, que aqui tornam-se facilitadores de aprendizagem, e à nossa
assessoria pedagógica, nosso respeito, admiração e muito obrigado!

Um grande abraço,

Equipe CAPACIT
UFPA / PROGEP / DDD / CAPACIT
91 3201 8092

Mensagem da UFPA - parabéns a Todos os colegas docentes

Sei que a profissão se chama professor, porém à mais nobre de todas as missões humanas se dá o nome de educação. Quem, um dia, se fez educador, certamente será sempre um professor, como você, meu caro colega da Universidade Federal do Pará, neste nosso dia.

Neste seu dia, trago-lhe, caro servidor, o pensamento de Machado de Assis ao dizer: “Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho, há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas”, como você.

Carlos Maneschy
Reitor

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Inteligência pura

Isso é sabedoria. Contentar-se com o que possui, mesmo que seja pouco ou que seja de um passado distante. A virtude de se apegar em glórias antigas merece respeito por parte de todos, afinal ser saudosista não há mal algum, se não aquele de ter parado no tempo. O currículo do Papão da Curuzu é impressionante. As vezes me questiono como pode haver um time tão bom pelas bandas de cá, assim como, também, pessoas que contam nos dedos a matemática de sua trajetória. Quem sabe se juntássemos os currículos de todos os times paraenses poderíamos tem pelo menos 1 time de verdade, ou que chagasse a 10% de um Flamengo, São Paulo, Fluminense, etc.  

sábado, 5 de outubro de 2013

E haja fundo

32 partidos políticos e mais de 200 milhões de reais por ano de fundo partidário que vem dos cofres públicos as custas do povo. Nada de mais se a coisa funcionasse na prática. Como não funciona e a população não sente no dia-a-dia os benefícios é mais uma grana que foge pelo ralo. Essa coisa de 32 partidos políticos num país como o Brasil evidencia apenas como a nossa política e os nossos políticos (a maioria) são débeis, oportunistas e sem preparo algum ao desempenho de suas funções nas 3 esferas de governo. Isso explica, em certo modo, a completa incapacidade da máquina pública de administrar Estados e Municípios já que essas instituições dependem das competências daqueles.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Bons motivos para não ser rico


De alguma forma o texto abaixo é bem representativo no universo dos que tem muito em termos materiais. Eu conheço pelo menos uma dezena de pessoas com vários distúrbios adquiridos por conta dessa sede incessante de acumulação de capital. Acumular por acumular. Essa é a regra dos que pensam dessa forma. O texto é da Bruna Narciso e foi retirado integralmente da Revista Poder e replicado aqui. Divirtam-se.

Quando o dinheiro é problema

Para algumas pessoas chega a ser heresia dizer que existe algum motivo para não querer ter muito dinheiro. Ainda mais hoje em dia.  Pois para Clovis de Barros Filho, professor de ética na USP, não existe apenas um bom motivo para não ter uma conta bancária recheada, mas cinco. "Eu me atrevo a dizer que os ricos são atravessados por sofrimentos que os pobres nem sonham em ter", argumenta ele, que ministra o curso Cinco Razões para Não Ser Poder de Rico, na Casa do Saber, em São Paulo. Segundo Barros Filho, além do dilema ético de ter muito dinheiro - principalmente no Brasil - em alguns casos, a riqueza deixa as pessoas imobilizadas. "Os muito ricos têm muitas opções e a vida exige que essas pessoas joguem muitas possibilidades no lixo. E, para o rico, jogar no lixo é muito mais problemático do que para o pobre", explica. Para reforçar sua tese, o professor usa teorias de filósofos consagrados na Grécia Antiga e também de pensadores contemporâneos. Ainda assim, ele reconhece que dificilmente vai conseguir influenciar alguém. "A busca pelo dinheiro e o aumento do patrimônio é algo que não se questiona na sociedade". Aqui Barros Filho levanta reflexões que aborda em seu curso. Todas baseadas na linha de pensamento de cinco importantes filósofos: Platão, Aristóteles, Epicuro, Hobbes e Espinosa.

 
1)   Não amar nem desejar nada

Em O Banquete, o grego Platão fala sobre Eros. Para ele, amor e desejo são a mesma coisa. Você ama aquilo que deseja e só deseja aquilo que não tem. Com isso, segundo Platão, se o desejo aparece com a falta, na presença do que se deseja não há desejo - e sem desejo, não há amor. A pessoa se vê em uma sinuca de bico: ou ama e deseja o que não tem ou tem tudo e não ama nem deseja nada. A lógica de Eros é a lógica do "saco sem fundo". Na riqueza, a pessoa tem tudo e não deseja nem ama nada e, portanto, leva uma vida infeliz.


 
2)   Medo de perder tudo

De acordo com o holandês Bento Espinosa, a essência do homem é sua energia vital, o que ele chama de "potência de agir". Isso nos remete a dois conceitos principais: a alegria e a tristeza. Alegria se relaciona a um estado mais potente do próprio ser e a tristeza é a passagem para um estado menos potente. Você pode ser afetado por um mundo que está na sua frente ou por um mundo que imagina.  Uma queda de potência determinada por algo que está em sua consciência ou sua imaginação é o que se chama de temor ou medo. Com isso, chegamos ao problema de ser rico demais na perspectiva do medo: a chance de ter medo do empobrecimento aumenta conforme aumenta a riqueza. O indivíduo que não tem nada tem vários medos: da morte, de não ter o que comer, de ser esfaqueado, mas não o medo de deixar de ter. Por outro lado, um indivíduo que tem tudo passa o tempo inteiro atormentado pelo temor de perder o que já conquistou.



3)   Não sentir prazer

Para o grego Epicuro, a vida boa é a vida com prazer. Mas sua tese não é "tenha prazer agora e a todo momento", mas que vida boa é aquela que permite ter prazer e continuar tendo, ou seja, Epicuro defende o prazer sustentável. Por exemplo: para quem só toma champanhe Veuve Clicquot rosé safra 1968, ter prazer depende de uma combinação de elementos complicadíssima. Para essa pessoa, o prazer é raro. À medida que as condições materiais do prazer se sofisticam, perde-se a condição de ter prazer com aquilo que é simples. E isso torna a vida ruim porque, quando não houver mais condições de patrocinar a sofisticação, a pessoa ficará sem prazer.


 
4)   Sentir-se sempre inseguro

O inglês Thomas Hobbes, que viveu no século 17, escreveu uma obra importante chamada Leviatã e defende que, embora a vida em sociedade implique em uma série de restrições, é melhor do que a vida no estado de natureza. Segundo Hobbes, existe um medo que torna a vida insuportável: o da morte violenta. Ele acredita que o estado de sociedade tem a prerrogativa de proteger o cidadão contra isso. Sofisticando essa análise podemos considerar que, de certa maneira, quem não tem nada não requer muita proteção. Essa pessoa precisaria de menos proteção do Estado - no que se refere à segurança - do que quem tem tudo. Com isso, a felicidade do indivíduo que não tem nada não fica à mercê da eficácia do Estado. Já quem tem tudo está na mão da eficácia do Estado para manter o que tem. Sendo assim, o indivíduo que não tem nada ou tem pouco pode sair pelo mundo - independente da eficácia do Estado para protegê-lo. Ou seja, na perspectiva de Hobbes, o pobre, curiosamente, está mais em segurança que o rico.


 5)   Ter falsos amigos

Segundo o grego Aristóteles, amor é alegria. Alegria pelo que não falta, pelo que faz bem a você, pelo mundo como ele é. Em uma perspectiva de relação afetiva existe sempre a suposição que o afeto do outro seja equivalente ao seu. Então, se eu amo porque você me alegra, gostaria muito que a recíproca fosse verdadeira. O problema é que isso não se dá da mesma maneira em função das condições materiais que vive quem se relaciona com você. Porque você pode me alegrar por atributos que são seus como, por exemplo, virtudes morais e características físicas ou pode me alegrar por coisas que dispõe, ou seja, eu me sinto alegre perto de você, sobretudo quando estou na piscina de sua mansão. Seguindo esse raciocínio, fica muito mais difícil saber qual é a real causa da alegria de alguém quando o ser amado é rico - assim como fica muito mais fácil perceber que a real causa da alegria é pura e simplesmente a pessoa amada quando ela não tem nada. Não estou falando de pessoas interesseiras, mas daquelas que se alegram com o outro e não conseguem discernir a verdadeira causa da sua felicidade.

 

 

domingo, 22 de setembro de 2013

Felicidade = Realidade - Expectativas

Por quê a geração Y é frustrada?

Why Generation Y Yuppies Are Unhappy
por www.waitbutwhy.com

A geração Y, nascida entre 1980 e 1995, vem chamando atenção de pesquisadores. Muitas empresas têm encontrado dificuldades de lidar com esses jovens. Por se acharam "especiais", costumam ter grandes expectativas e esperam obter crescimento rápido na carreira profissional - sem muito esforço. Ocorre que aos poucos a realidade se impõe e à medida que se mostra pior que as expectativas, faz com que esses jovens se tornem frustrados.
Veja essa simpática apresentação.

Lucy is part of Generation Y, the generation born between the late 1970s and the mid 1990s. She's also part of a yuppie culture that makes up a large portion of Gen Y.

I have a term for yuppies in the Gen Y age group—I call them Gen Y Protagonists & Special Yuppies, or GYPSYs. A GYPSY is a unique brand of yuppie, one who thinks they are the main character of a very special story.

So Lucy's enjoying her GYPSY life, and she's very pleased to be Lucy. Only issue is this one thing:

To get to the bottom of why, we need to define what makes someone happy or unhappy in the first place.
It comes down to a simple formula: FELICIDADE = REALIDADE – EXPECTATIVAS.

It's pretty straightforward—when the reality of someone's life is better than they had expected, they're happy. When reality turns out to be worse than the expectations, they're unhappy.

To provide some context, let's start by bringing Lucy's parents into the discussion:
Lucy's parents were born in the 50s—they're Baby Boomers. They were raised by Lucy's grandparents, members of the G.I. Generation, or "the Greatest Generation," who grew up during the Great Depression and fought in World War II, and were most definitely not GYPSYs.
Lucy's Depression Era grandparents were obsessed with economic security and raised her parents to build practical, secure careers. They wanted her parents' careers to have greener grass than their own, and Lucy's parents were brought up to envision a prosperous and stable career for themselves. Something like this:

They were taught that there was nothing stopping them from getting to that lush, green lawn of a career, but that they'd need to put in years of hard work to make it happen.
After graduating from being insufferable hippies, Lucy's parents embarked on their careers. As the 70s, 80s, and 90s rolled along, the world entered a time of unprecedented economic prosperity. Lucy's parents did even better than they expected to. This left them feeling gratified and optimistic.
With a smoother, more positive life experience than that of their own parents, Lucy's parents raised Lucy with a sense of optimism and unbounded possibility. And they weren't alone. Baby Boomers all around the country and world told their Gen Y kids that they could be whatever they wanted to be, instilling the special protagonist identity deep within their psyches.

This left GYPSYs feeling tremendously hopeful about their careers, to the point where their parents' goals of a green lawn of secure prosperity didn't really do it for them. A GYPSY-worthy lawn has flowers.

This leads to our first fact about GYPSYs:

GYPSYs Are Wildly Ambitious
The GYPSY needs a lot more from a career than a nice green lawn of prosperity and security. The fact is, a green lawn isn't quite exceptional or unique enough for a GYPSY. Where the Baby Boomers wanted to live The American Dream, GYPSYs want to live Their Own Personal Dream.

Cal Newport points out that "follow your passion" is a catchphrase that has only gotten going in the last 20 years, according to Google's Ngram viewer, a tool that shows how prominently a given phrase appears in English print over any period of time. The same Ngram viewer shows that the phrase "a secure career" has gone out of style, just as the phrase "a fulfilling career" has gotten hot.
To be clear, GYPSYs want economic prosperity just like their parents did—they just also want to be fulfilled by their career in a way their parents didn't think about as much.

But something else is happening too. While the career goals of Gen Y as a whole have become much more particular and ambitious, Lucy has been given a second message throughout her childhood as well:
This would probably be a good time to bring in our second fact about GYPSYs:

"Sure," Lucy has been taught, "everyone will go and get themselves some fulfilling career, but I am unusually wonderful and as such, my career and life path will stand out amongst the crowd." So on top of the generation as a whole having the bold goal of a flowery career lawn, each individual GYPSY thinks that he or she is destined for something even better—

A shiny unicorn on top of the flowery lawn.
So why is this delusional? Because this is what all GYPSYs think, which defies the definition of special:

According to this definition, most people are not special—otherwise "special" wouldn't mean anything.

Even right now, the GYPSYs reading this are thinking, "Good point...but I actually am one of the few special ones"—and this is the problem.

A second GYPSY delusion comes into play once the GYPSY enters the job market. While Lucy's parents' expectation was that many years of hard work would eventually lead to a great career, Lucy considers a great career an obvious given for someone as exceptional as she, and for her it's just a matter of time and choosing which way to go. Her pre-workforce expectations look something like this:
Unfortunately, the funny thing about the world is that it turns out to not be that easy of a place, and the weird thing about careers is that they're actually quite hard. Great careers take years of blood, sweat and tears to build—even the ones with no flowers or unicorns on them—and even the most successful people are rarely doing anything that great in their early or mid-20s.

But GYPSYs aren't about to just accept that.

Paul Harvey, a University of New Hampshire professor and GYPSY expert, has researched this, finding that Gen Y has "unrealistic expectations and a strong resistance toward accepting negative feedback," and "an inflated view of oneself." He says that "a great source of frustration for people with a strong sense of entitlement is unmet expectations. They often feel entitled to a level of respect and rewards that aren’t in line with their actual ability and effort levels, and so they might not get the level of respect and rewards they are expecting."

For those hiring members of Gen Y, Harvey suggests asking the interview question, “Do you feel you are generally superior to your coworkers/classmates/etc., and if so, why?” He says that “if the candidate answers yes to the first part but struggles with the ‘why,’ there may be an entitlement issue. This is because entitlement perceptions are often based on an unfounded sense of superiority and deservingness. They’ve been led to believe, perhaps through overzealous self-esteem building exercises in their youth, that they are somehow special but often lack any real justification for this belief."

And since the real world has the nerve to consider merit a factor, a few years out of college Lucy finds herself here:
Lucy's extreme ambition, coupled with the arrogance that comes along with being a bit deluded about one's own self-worth, has left her with huge expectations for even the early years out of college. And her reality pales in comparison to those expectations, leaving her "reality - expectations" happy score coming out at a negative.

And it gets even worse. On top of all this, GYPSYs have an extra problem that applies to their whole generation:

Sure, some people from Lucy's parents' high school or college classes ended up more successful than her parents did. And while they may have heard about some of it from time to time through the grapevine, for the most part they didn't really know what was going on in too many other peoples' careers.

Lucy, on the other hand, finds herself constantly taunted by a modern phenomenon: Facebook Image Crafting.

Social media creates a world for Lucy where A) what everyone else is doing is very out in the open, B) most people present an inflated version of their own existence, and C) the people who chime in the most about their careers are usually those whose careers (or relationships) are going the best, while struggling people tend not to broadcast their situation. This leaves Lucy feeling, incorrectly, like everyone else is doing really well, only adding to her misery:
So that's why Lucy is unhappy, or at the least, feeling a bit frustrated and inadequate. In fact, she's probably started off her career perfectly well, but to her, it feels very disappointing.

Here's my advice for Lucy:

1) Stay wildly ambitious. The current world is bubbling with opportunity for an ambitious person to find flowery, fulfilling success. The specific direction may be unclear, but it'll work itself out—just dive in somewhere.

2) Stop thinking that you're special. The fact is, right now, you're not special. You're another completely inexperienced young person who doesn't have all that much to offer yet. You can become special by working really hard for a long time.

3) Ignore everyone else. Other people's grass seeming greener is no new concept, but in today's image crafting world, other people's grass looks like a glorious meadow. The truth is that everyone else is just as indecisive, self-doubting, and frustrated as you are, and if you just do your thing, you'll never have any reason to envy others.
 
 

UFC

Mais um produto regulado pelas tendências passageiras domina corações e mentes. UFC que até um tempo desses significava Universidade Federal do Ceará agora é uma dessas expressões que pode muito bem ser representada pelas Organizações Tabajara, quando dita na língua original. UFC conquistou corações e mentes de todas as classes sociais. Um clássico produto para o qual qualquer estudo de marketing e vendas se torna um caso de sucesso. Nos bares e restaurantes cujas as televisões são vistas a dezenas de metros o ponta pé come solto em ritmo ininterrupto, é uma porrada atrás da outra e o telespectador inebriado assiste e delicia-se em ver o pau comendo entre os profissionais do ponta pé. Há quem diga que seja um estado da arte, há quem defenda até como meio filosófico e estilo de vida, o que evidentemente não cabe discussão, pois o que dá certo pra cada um deve ser assimilado e ponto final. Afinal, todos devem ser livres a buscarem o que gosta.

sábado, 14 de setembro de 2013

Pedagogia da hipocrisia

Nós temos um “quê” de hipocrisia quando exigimos nas redes sociais ou em conversas informais uma espécie de “pedagogia do trânsito”. Afirmamos que os órgãos fiscalizadores apenas atuam com a punição ao invés de educar mais e melhor os condutores. Porém que tipo de educação é viável para alguém que fura o sinal vermelho? Que pedagogia pode ser aplicada a quem estaciona em fila dupla quando vai deixar seu filho no colégio? Que processo de desenvolvimento deve ser aplicado a quem trafega pela contramão? As infrações no trânsito de Belém são vistas a todo momento independentemente do bairro, hora, dia, tipo de veículo, status do carro, etc. Nós adoramos ter direitos, mas temos sérios conflitos em cumprir com os nossos deveres. Saímos às ruas e fazemos passeatas exigindo menos corrupção, mais educação, moradia e saúde. Mas ficamos muito putos quando somos parados numa fiscalização de trânsito e estamos com o nosso carro em desacordo às normas; e o pior, se tivermos oportunidade oferecemos a aquela “onça” pro seu guarda liberar e esquecer do que viu.

 

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Mundo líquido

Quem diria que a Ferrari um dia não fosse ser um carro competitivo? Coisas de um mundo líquido. Pra ser campeão da F1 o piloto brasileiro simplesmente deseja um carro que preste e não uma Ferrari meia boca. A chateação é tanta que ele (Massa) anunciou a sua saída da equipe. Bom mesmo é a escuderia obedecer às recomendações do piloto. Do ponto de vista de um telespectador como eu que não liga mais a televisão aos domingos desde que o Senna morreu isso tem efeito nulo. Falta mesmo é competência e sorte; e pra ser campeão, de fato, o cara tem que ter estrela coisa que nenhum sucessor do Senna chegou perto.

Podia ser igual ao Pelé, pelo menos nesse ponto.

Depois de transitar com êxito em todas as classes sociais o Chiclete parece que vai pendurar a chuteira, afinal com décadas de sucessos esplendorosos e faturamentos invejáveis para qualquer outra banda do país tudo que começa tem um fim né? Surfando da onda do oportunismo o seu vocalista anuncia uma saída programada e marqueteira para o carnaval de 2014 (antes da copa), momento este que se desvinculará do grupo. Aos inocentes de plantão é um tempinho mais para alocarem seus recursos com os produtos já consagrados do CB como uma espécie de saldão, ou melhor, aproveitem enquanto durar o estoque, além de ajudar é claro na alavacagem do faturamento atual. Aos céticos, que possuem indubitavelmente mais discernimento, resta torcer para que a reinvenção venha com uma nova roupagem diferente dos modelos atuais que levam a exaustão os ouvidos e a consciência dos fãs (ops. Ex-fãs). Inteligência teve o Pelé em anunciar sua aposentadoria no auge da fama.

domingo, 8 de setembro de 2013

O jeito é dividir o Caetano

Senso de oportunismo do Caetano em aparecer como um Black Bloc, ou melhor, como um bandido. Sabe-se lá querendo passar qual mensagem. É um tanto quanto confuso, mesmo porque no passado distante, quando o mesmo, também foi refém, autor e vítima dos atos de violência praticados contra o regime havia um senso de propósito definido de ambos os lados. Hoje, não se consegue enxergar nem de longe o que justifica os fins dados aos comportamentos animalescos de pura fúria de um conjunto de pessoas tapadas que antes poderiam estar se entretendo com a superficialidade natural de sua época em alguma festa de forró no subúrbio a ter que cometer atos de selvageria e depredação do patrimônio público. Quanto ao Caetano, parece que temos que dividi-lo em dois momentos para não ter que julgá-lo por conta dessa sua última versão mais tosca, e que como sempre, na vanguarda dos acontecimentos as mentes medianas tem muita dificuldade de discernimento sobre quem ele realmente representa nesse momento.

sábado, 7 de setembro de 2013

Todo mundo tem um lado Woody Allen.

por em 02 de set de 2013

Falar do Woody Allen é pensar no sentido da vida e na ressignificação da morte. É passear pelas ramificações mais inacessíveis da psique. Woody Allen é um homem muito apegado ao cotidiano, com uma boa dose analítica, ele reconhece o que é necessário para um homem ficar de pé nesse mundo caótico, onde todo pedaço de matéria e cada totalidade do universo interfere diretamente na nossa vida.

Bombardeando-nos com piadas e questões dramáticas que convivem concomitantemente, pode-se dizer que tem muito do cotidiano em seus filmes, sobretudo nova-iorquinos, um cotidiano coberto por uma camada grossa de poeira. Ele retalha o dia a dia como ninguém, ora enxergando tudo como autossabotagem, ora colocando a culpa nas armações da vida, mas sempre atônito diante de uma ebulição de questões.

Woody é uma junção do ar etéreo e sombrio do diretor Ingmar Bergman, com ar cômico-até-o-último-momento do comediante Groucho Marx. A que me refiro? A melhor maneira de levar a vida, reconhecer uma nuvem negra de problemas, mas lidar irônica e comicamente com isso. Opino, mas pedindo toda licença à capacidade majestosa do Woody de falar sobre assuntos existenciais: Todos nós vivemos em um mundo tragicômico, então, cabe a nós reconhecer em que nível fica a tragédia e em que nível fica a comédia.

Nova Iorque ilustra bem essa conexão humana presente em seus filmes. Nela tudo acontece. É a cidade que borbulha todo tipo de cheiro, gosto, experiências, direções, gestos. Nova Iorque é a janela que se abre para a alma do Woody, uma cidade pulsante que serve de portal para uma alma tão pulsante quanto.

Acho que esta cidade ilustra bem a vida em geral, não só a vida “set de filmagem” de seus filmes. Não seria uma metáfora exagerada comparar a cidade-que-não-dorme com a nossa vida. Nossa vida nunca para, os ritmos só aceleram, cabe a nós acompanhar o timing ou não, ainda que isso seja quase uma imposição do mundo pós-moderno.

É um tanto arrogante tentar dissecar um diretor tão cheio de referências, pois é quase impossível sintetizar sua genialidade. Confesso que isso faz com que meu cérebro dê saltos-mortais. Não existe uma fórmula “woodyallenesca” de enxergar as coisas, mas é clarividente que os personagens excêntricos do Woody são reflexos de características existentes em cada um de nós. Assim, de um jeito bem humanizado, pouco vergonhoso, descarado, de alguém que lida com sua loucura sem se importar e não sair correndo, com medo, em direção à saída, no momento que se começa a questionar algo.

Woody e seus personagens são questionadores, em sua maioria, carrancudos que enxergam a vida por um viés psicológico (e, por vezes, psicossomático). Eles sentem a vida em sintomas, por mais redundante que isso possa parecer. Um personagem bem característico é o Boris Yellnikoff, interpretado por Larry David no filme “Tudo pode dar certo” (Whatever Works). Este filme pauta a vida de um neurótico e sua visão satírica e mal humorada sobre a desordem das coisas.

Os diálogos são seu ponto forte. Woody consegue fazer um diálogo, que seria desgastante e monótono, ser a poção mágica para uma revolução intelectual. É um diretor que brinca com o bad moment da vida como quem brinca de jogar pôquer.

Consigo imaginar um personagem intelectual frustrado, altamente neurótico, desajustado, provavelmente infiel, de poucos amigos, jogando pôquer em um dia de lazer programado e mecânico, ouvindo as batidas sincopadas de um jazz, em uma noite nova-iorquina agitada, acatando com conformismo as imposições da sua cruel existência, mas muito consciente do porquê de tudo.
Consigo imaginar isso sendo uma criação legítima do Woody.

Talvez a “paixão de adolescente” do Woody por Nova Iorque seja puramente isso, em meio ao caos, ao caos desconhecido de uma metrópole, ele consegue evidenciar seu próprio caos e fazer do mundo de seus personagens uma desgraça muito maior que qualquer outra. A ironia com que trata os problemas é a dose necessária para transformar um assunto denso, altamente problemático e psicanalítico, em um momento de interpretação individual e interiorização.

Assistir aos seus filmes é estudar o conhecimento e seu valor quanto ao ser humano. Seus filmes tratam disto, desse estudo aprofundado do intelecto aplicado na vida e no cotidiano. Woody Allen, um filósofo no corpo de um judeu franzino, teórico e prático na mesma proporção, que questiona até o ato de questionar, que duvida da própria dúvida e termina dizendo que o problema do mundo é seu umbigo. Termino considerando que Woody domina a arte da intelecção. Woody Allen é melhor que um divã? Diria eu que sim. Todo mundo tem uma Nova Iorque dentro de si? Diria Woody Allen que sim.

Fonte: http://lounge.obviousmag.org/humano_demasiado_humano/2013/09/todo-mundo-tem-um-lado-woody-allen.html


sábado, 31 de agosto de 2013

As classes "E's"

As operadoras de telefonia móvel continuam crescendo suas bases a todo o vapor. São mais ou menos 268 milhões de acessos com algo em torno de 1,26 milhões de novos acessos a cada mês conforme os dados da Anatel de julho do corrente ano. Eis aí uma incoerência de lógica que para qualquer país do mundo seria uma proposição falsa. A exceção, obviamente, é o Brasil que mesmo em condições precárias de ofertas de serviços de todas as operadoras (sem desvio a regra) ainda sim captam mais e mais clientes; esses sempre interessados nas novidades tecnológicas do setor, ou seja, o aparelho puro e simplesmente e apenas isso! Tal fato abraça todas as classes da E a “elite caipira”. Os “novos índios” são vistos a torto e a direita com suas bugigangas telefônicas de última geração num espaço de solidão coletiva.
 
 

 

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Risco Segundo o BACEN e Seus Efeitos no Banco da Amazônia S/A.

Como a maioria de nós bancários não é versada em risco, penso ser melhor, para o entendimento de todos, vamos começar pelo que diz o Banco Central do Brasil no § 1º do Art. 2º da Resolução BACEN nº 3.380 de 29/06/2006.


“A definição de que trata o caput inclui o risco legal associado à inadequação ou deficiência em contratos firmados pela instituição, bem como a sanções em razão de descumprimento de dispositivos legais e a indenizações por danos a terceiros decorrentes das atividades desenvolvidas pela instituição”.

 
No § 2º do mesmo Artigo, estão descritos em oito tópicos os tipos de riscos legais que podem afetar as instituições financeiras sujeitas à fiscalização do BACEN, entre os quais há o que se refere ao pessoal, “III - demandas trabalhistas e segurança deficiente do local de trabalho” grifo nosso.
 
 
De todos os riscos legais relacionados pelo BACEN, o referente ao pessoal, se não mitigados, pode trazer os maiores danos a empresa que, dependendo do grau de desgaste entre a alta gestão e o pessoal operativo, o mesmo pode alastrar-se por todos os outros tipos de risco que são: I - fraudes internas; II - fraudes externas; IV - práticas inadequadas relativas a clientes, produtos e serviços; V - danos a ativos físicos próprios ou em uso pela instituição; VI - aqueles que acarretem a interrupção das atividades da instituição; VII - falhas em sistemas de tecnologia da informação; VIII - falhas na execução, cumprimento de prazos e gerenciamento das atividades na instituição.
 
 
Portanto, a alta gestão tem que ser capaz de desenvolver políticas mitigadoras de conflitos, gerenciá-los quando houver, ter alçada para negociar demandas justas e promover mudanças que alterem práticas anacrônicas na gestão do quadro de pessoal. Sem estas competências, a governança corporativa fica apenas nos normativos e no discurso daqueles que acreditam que, em sendo os manuais concebidos e aplicados em linhas totalitárias, a ordem está estabelecida e preservada. No entanto, comportamentos gerenciais desta natureza servem somente para cavar cada vez mais fundo o fosso entre os gestores e o quadro operativo, fosso esse motivado pela prática do constrangimento, assédio moral, abuso de poder hierárquico e outras práticas inadequadas de gestão que acabam tendo como resultado, demandas judiciais seja na esfera da justiça comum seja na justiça especial do trabalho, trazendo como conseqüência a ampliação do passivo jurídico da instituição.

As instituições que usam práticas administrativas, típicas de regimes de exceção podem atender políticas de curto prazo, mas constituem grandes passivos de longo prazo. Para dar apenas um exemplo, vou me referir à lateralidade que foi aprovada pela diretoria, apresentada e vendida ao Conselho de Administração como sendo a oportunidade de ouro que a instituição teria de promover a capacitação difusa dos gestores pela acumulação/substituição dos mesmos no caso de ausências motivadas por afastamentos a trabalho ou férias e que agregado a isso traria na esteira uma economicidade de R$ 10 milhões no orçamento anual de despesas com pessoal, mas, não me lembro de ter visto um diagnóstico de avaliação dos riscos e prejuízos financeiros que poderia trazer durante um exercício fiscal. Fenômenos estes aos quais ficam expostas as unidades, em decorrência da fragilização dos processos em função do acúmulo de atividades e responsabilidades daqueles gestores.
 
 
Por outro lado, a medida não passou por amplo debate entre o quadro de gestores envolvidos no processo decisório, pois só assim cada um, com as suas experiências, poderiam contribuir com informações que serviriam para a mitigação dos riscos envolvidos, além de tornar cada um, responsável pelos resultados, bem como, ampliar o grau de comprometimento, já que foram partícipes na construção do modelo. Mas, para não fugir a regra, a medida foi empurrada garganta abaixo e agora já começa a surtir resultados que parece não ser muito bons, já que pelo menos um grupo de gestores foi excluído do cumprimento da tal lateralidade. Também não é difícil de ouvir a bocas pequenas de gerentes executivos e coordenadores a maldição e o desejo de que se ponha fim a tal lateralidade.
 
 
De modo que já se pode presumir o estado de ânimo das pessoas envolvidas no processo e por extensão os resultados operacionais que a medida pode alcançar.
São medidas como essa que acabam por ter efeito rebote muito ruins no longo prazo, acabando por comprometer o patrimônio do Banco na esfera jurídica por indenização de danos morais, adoecimentos psicológicos ou até físicos como ler/dort e etc...
 
 
O Tribunal de Justiça do Trabalho da 8ª Região publicou recentemente no seu site, uma lista com as 100 instituições executadas em ações trabalhistas em ordem crescente de 1 a 100 considerando também do maior para o menor valor que estas instituições estarão obrigadas a pagar por tais execuções.
 
 
Na ordem, o Banco da Amazônia ocupa a 3ª posição com R$ 26.326.130,57 (vinte e seis milhões e trezentos e vinte e seis mil), só perdendo para as empresas Transbel Rio Ltda e Estacon Engenharia S/A, que são massas falidas.
 
 
Depois do Banco da Amazônia vem a União Federal e a Locadora Belauto Ltda, esta falida a mais de 20 anos. Na seqüência vem a CAPAF em 6º lugar que até o momento tem sido um ônus de responsabilidade direta do Banco da Amazônia com R$ 21.299.123,55 (vinte e um milhões e quase trezentos mil reais).
 
 
Diante de tal cenário ter-se-ia que perguntar por que isso ocorre.
 Será por falta de sorte das diretorias que se vem sucedendo e dos gestores de plantão?

Ou porque o modelo está errado e por isso as decisões causam tantos estragos ao patrimônio da instituição?
 
 
Não se pode cair na asneira de considerar a primeira hipótese, já que as diretorias e o quadro de gestores tomam decisões descritas em manuais e segundo as suas alçadas, por isso devem tanto festejar os sucessos quanto chorar os fracassos dos resultados alcançados e serem capazes de assumir suas responsabilidades e corrigir as diretrizes das ações para que não haja reincidência.


Se a primeira hipótese não se aplica então o que está errado na segunda hipótese?
Para não tornar o texto muito longo assumo o compromisso em analisar a segunda hipótese neste mesmo espaço oportunamente.

 
Por Antonio Ximenes Barros