segunda-feira, 11 de março de 2013

Por que a Venezuela chora por Chávez

Os pobres da Venezuela têm motivos para prantear Chávez, morto aos 58 anos. Até os críticos mais severos reconhecem a eficiência de sua política de combate às desigualdades sociais. Nos 14 anos em que esteve no poder, Chávez voltou os olhos para os marginalizados, tendo sido muito provavelmente o primeiro líder do país a centrar seu governo na defesa dos excluídos. Com o dinheiro que jorrava das reservas de petróleo, o presidente construiu escolas, ofereceu alimentos subsidiados para os miseráveis, abriu linhas de crédito para a compra de casas populares, trouxe médicos cubanos para atender gratuitamente os moradores das favelas (o efeito dessa última ação foi a queda de 32% da mortalidade infantil desde 1999). Antes de Chávez, a Venezuela investia 8% do Produto Interno Bruto em ações sociais. Com ele, o número subiu para 14%. Em 1999, um quarto dos venezuelanos vivia na pobreza extrema, índice comparável ao de nações africanas desvalidas. Hoje, o percentual é de 7% e o ritmo de pessoas que deixa a linha da miséria indica que o número tende a cair mais. Ao morrer, Chávez deixou um legado notável na área social e isso explica, em grande medida, por que ele é idotrado por venezuelanos que sempre se sentiram relegados. Isso explica, também, o choro verdadeiro dos pobres, temerosos de que deixem de ser, nos próximos governos, uma massa digna de ser ouvida e respeitada.

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