Saia-justa entre a Fifa e o Governo Federal, intrigas nos bastidores do Festival
de Cannes e até prisão de executivo do Google. O ano de 2012 rendeu uma
série de notícias, no mínimo, desagradáveis para os mercados de
comunicação, marketing e mídia pelo mundo. Meio & Mensagem
selecionou os dez principais fatos do período que deveriam figurar na lista de
itens para esquecer. Confira abaixo a seleção – o conteúdo na íntegra está
publicado na edição 1540 de Meio & Mensagem.
1) As bolas-fora da Copa
de 2014
“O Brasil precisa de um pontapé na bunda.” A expressão mal empregada
pelo secretário-geral da Fifa Jérôme Valcke causou mal-estar entre os
governantes do País e a entidade máxima do futebol. Mas o que a torcida
brasileira realmente considerou uma bola-fora foram as escolhas dos nomes de
dois símbolos da Copa do Mundo de 2014. No caso da bola, Brazuca venceu a
eleição com 77,8% dos cerca de um milhão de votos, batendo Bossa Nova (14,6%) e
Carnavalesca (7,6%). Já o tatu-bola definido como símbolo da competição foi
batizado de Fuleco, após receber 1,7 milhão de votos (48%) na enquete — o nome é
uma combinação das palavras futebol e ecologia. Ficou à frente dos não menos
esquisitos Zuzeco (31%) e Amijubi (21%). Nas redes sociais, muitos
internautas propuseram aos demais chamar o personagem apenas de Tatu-bola, e a
bola de Gorduchinha, em referência ao famoso bordão criado pelo locutor
esportivo Osmar Santos.
2) Intrigas nos júris de Cannes
Lado B do Festival
de Cannes de 2012: um jurado expulso, um boicote à votação, acusações de
favorecimento e dois Grand Prix suspeitos de serem fantasmas. A proeza da
primeira expulsão da história coube ao espanhol Javier Curtichs, que estava
fazendo negócios e atendendo incessantemente seu celular. Já o boicote ocorreu
em Branded Content & Entertainment, em que três jurados liderados pelo
argentino Rodrigo Figueroa Reyes, CEO da Fire, resolveram não participar da
votação do GP, por considerar que os cases concorrentes ao prêmio não eram de
branded content — incluindo o vencedor, “Cultivate”, da CAA para Chipotle. A
acusação mais grave, no entanto, partiu de Martin Sorrell, CEO do WPP, que
apontou intenção de jurados em votar contra as agências do grupo, na categoria
Media Lions. Amir Kassaei, diretor global de criação da DDB, negou a
possibilidade e afirmou que havia uma “tentativa de matar o Omnicom”, grupo da
qual sua agência faz parte. Para terminar, dois GP de Outdoor suspeitos de serem
fantasmas: “Invisible car”, da Mercedes-Benz, apontado como irreal porque
seu efeito de invisibilidade não funcionava com o carro em movimento, e “Coke
Hands”, da Ogilvy Shangai para Coca-Cola, que sequer é a agência
do anunciante na China. Não foi um ano dos mais tranquilos na Côte d'Azur.
3) A novela das sacolinhas em SP
A polêmica cobrança pelas sacolinhas
plásticas nos supermercados de São Paulo deixou o consumidor confuso e com a
sensação de que elas escondem um mico. Entre idas e vindas, as sucessivas
liminares tiraram o foco da questão central do problema, que está longe de
carregar uma solução plausível. Inicialmente prevista para 15 de setembro, a
data estabelecida para a volta da cobrança de R$ 0,59 pelas sacolas retornáveis
foi prorrogada e segue sem definição. Também o consumidor continua sem
esclarecimentos suficientes, nem incentivos concretos para mudar de hábito. Que
em 2013 o mico não resolva pular da sacola para o colo do consumidor.
4)
A prisão do diretor-geral do Google
Um vídeo no qual o candidato do PP
à prefeitura de Campo Grande, Alcides Bernal, era acusado de praticar crimes
levou à Polícia Federal, em São Paulo, o diretor-geral do Google, Fabio
Coelho. O executivo ficou detido por algumas horas, em cumprimento à ordem
judicial do Tribunal Regional Eleitoral do Mato Grosso do Sul. A detenção
aconteceu porque o YouTube, controlado pela empresa, se recusou a retirar o
vídeo do portal, segundo o despacho do juiz Flávio Saad Peren. No dia seguinte,
Coelho informou que o vídeo havia sido bloqueado. E recorreu ao artigo 19 da
Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU, que prevê: “Todo ser
humano tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a
liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e
transmitir informações e ideias por quaisquer meios e independentemente de
fronteiras.”
5) Tufão é pivô de “emboscada”
Ao longo de 17 horas,
entre 8 e 9 de outubro, um vídeo foi exibido no canal da Vivo no YouTube
tendo o ator Murilo Benício promovendo o plano “Vivo sempre
internet”. A atuação incluía os trejeitos do personagem Tufão, de Avenida
Brasil, novela arrasa-quarteirão que, naquela semana, vivia seu clímax. Criada
pela Y&R (detentora de parte da conta da Vivo) e VML (agência digital
também pertencente ao Grupo Newcomm), a ação irritou a Rede Globo, que se
disse vítima de marketing de emboscada — pelas normas de relacionamento
com o mercado, a emissora proíbe o uso comercial de personagens de suas tramas.
Além de ameaçar os envolvidos com processos por perdas e danos, a Globo afirmou,
em nota, que o episódio era “gravíssimo”. Para amenizar a situação, Roberto
Justus, presidente do Grupo Newcomm, desculpou-se publicamente e assumiu o erro
das agências. Passada a semana de crise, a Globo pôs fim à questão, afirmando
que emissora, anunciante e agências seguiriam como “bons parceiros comerciais”.
6) Perdeu o amor, ganhou antipatia
O desafio da Nokia era destacar
a câmera com altíssima definição de seu novo aparelho — mas a forma de fazê-lo,
com uma ação viral, ganhou mais destaque (negativo) do que o próprio produto. Um
vídeo muito bem produzido trazia Daniel, um jovem supostamente enfeitiçado por
uma garota que havia conhecido numa balada na noite anterior, pedindo ajuda para
encontrar a moça. Mesmo em dúvida sobre a veracidade do vídeo, muita gente o
compartilhou. Apesar de o anunciante ter comemorado os resultados da ação,
executada pela agência Na Jaca, uma maré negativa se seguiu à revelação da
campanha. Além de críticas à marca (e à campanha, em especial), o caso virou
objeto de investigação do Procon e do Conar — o órgão de
autorregulamentação, porém, acabou absolvendo a Nokia.
7) Polêmica no
Big Brother Brasil 12
Não foram brigas nem romances que mais chamaram a
atenção dos espectadores da 12a edição do Big Brother Brasil. Na primeira semana
de programa, o público foi surpreendido com uma suposta denúncia de abuso sexual
ocorrido dentro da casa. O caso ganhou a atenção das redes sociais, da
imprensa e até a polícia foi chamada ao local. Após as apurações, a Globo
decidiu expulsar do programa o participante Daniel, que teria sido o autor do
abuso — mesmo depois de Monique, a outra participante envolvida, tê-lo
inocentado. Soube disso tudo, no entanto, apenas quem acompanhou a polêmica pela
internet. Na TV, o apresentador Pedro Bial apenas informou a expulsão de
Daniel, sem nenhuma satisfação ao espectador. A falta de transparência foi
amplamente criticada e a Globo ainda ganhou um processo judicial, movido por
Daniel. O BBB 12 teve uma das piores médias de audiência da história do reality.
8) Truculência nas redes sociais
As redes sociais
intensificaram as relações entre marcas e clientes, propiciando um contato mais
rápido e direto do que o proporcionado por canais tradicionais de atendimento ao
consumidor. Mas a proximidade também potencializa os deslizes cometidos por
profissionais mal preparados na condução desses diálogos. Em setembro, uma
consumidora da loja virtual da Visou, insatisfeita com a demora na entrega de um
produto comprado, optou por usar a página da marca no Facebook para
cobrar soluções. Recebeu como resposta a sugestão de “procurar um macho”. No mês
seguinte, um atendente do SAC online da Vivo recomendou que o cliente
arremessasse o celular contra a parede para solucionar o problema de conexão com
a internet 3G. “Resolve na hora”, garantiu. Em ambos os casos, as
empresas, posteriormente, pediram desculpas — mas o estrago já estava feito.
9) A queda de Lance Armstrong
Diagnosticado com câncer no testículo,
que também atingiu um pulmão e o cérebro, o ciclista Lance Armstrong encerrou
sua carreira precocemente no meio da década de 1990 para se tratar.
Contrariando as probabilidades, o atleta se curou, virou ícone de resistência
física e construiu uma das mais vencedoras carreiras do ciclismo internacional,
com sete títulos do Tour de France (entre 1999 e 2005). Em 2012, a bela história
de recuperação virou umas das maiores fraudes do esporte mundial quando a
agência antidoping dos Estados Unidos (Usada) o condenou por uso de substâncias
ilegais, classificando o caso como o “mais sofisticado programa de doping que o
esporte já viu”. Além dos sete títulos do Tour de France, Armstrong perdeu a
credibilidade e, um a um, todos os seus patrocinadores — dentre eles
Nike, Oakley e AB Inbev.
10) Ainda lembra da Rio+20?
A
Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que
ocupou o Rio de Janeiro durante dez dias em junho deste ano, começou cheia de
expectativas, mas resultou em poucas mudanças. O governo se disse satisfeito
pela inclusão do Desenvolvimento Sustentável com a erradicação da pobreza
no documento final da conferência. Mas as ONGs que ocuparam a cidade
durante o encontro fizeram coro com algumas lideranças estrangeiras ao afirmar
que nada de relevante ficou acertado. Pior: primeiro grande teste entre os que a
capital carioca receberá até a Olimpíada de 2016, o evento causou muito tumulto
na cidade. Parou o trânsito com longos engarrafamentos, registrou alta de preços
e escassez de acomodações — o CEO do Mashable, Pete Cashmore, ficou em um
albergue, pois não achou outro tipo de hospedagem.
URL
desta notícia: http://www.meioemensagem.com.br/home/marketing/noticias/2012/12/21/2012-dez-fatos-para-o-mercado-esquecer.html
24/12/2012 - Meio e Mensagem on-line - SP
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