A paraense Maria Goreth Medeiros de Miranda, 54 anos, contou com muito estudo,
dedicação e trabalho para sair da pequena cidade de Prainha, na beira do Rio
Amazonas, e conquistar um bem remunerado cargo de servidora pública em Brasília.
Filha de uma família enorme—são 11 irmãos —, ela deixou a casa onde nasceu ainda
menina, aos 11 anos, em busca de um futuro melhor do que a vida precária que os
pais, ambos com apenas o ensino primário concluído, levavam.
Há 32 anos no
serviço público, Goreth recebe hoje cerca de R$ 6 mil, que sustentam ela e a
filha, Maíra, 23, em um apartamento no Guará. “Minha vida mudou muito. Depois de
muitos anos morando de favor e dividindo o aluguel de um cômodo de um
apartamento, comprei meu próprio imóvel, meu carro, além de dar um estudo de
qualidade para a minha filha”, diz.
Transformação
Goreth é a síntese do
forte processo de mobilidade pelo qual passa o Brasil. Dados do Instituto
Data Popular comprovam que 44% dos brasileiros que hoje compõem as
classes A e B são a primeira geração de endinheirados da família. Ou seja,
nenhum de seus parentes chegou antes à elite do país. Na avaliação do presidente
do Data Popular, Renato Meireles, esse movimento de ascensão social é
fruto do crescimento e distribuição de renda no país, além do aumento nos níveis
de escolaridade. Ele estima que cada ano de estudo pode resultar em uma elevação
de até 15% nos salários. A Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da
Presidência da República estima que a renda familiar média mensal da classe A é
de R$ 12.988, e a per capita, de R$ 4.687. Já o rendimento médio das famílias de
classe B é de R$ 4.845 e o per capita, de R$
1.503.
URL desta
notícia: http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica-brasil-economia/33,65,33,3/2012/12/22/internas_economia,340650/no-brasil-44-da-elite-vem-de-familias-pobres.shtml
24/12/2012 - Correio Braziliense on-line - DF
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