domingo, 29 de abril de 2012

Assaltos em farmácias

Bandidos agem em farmácias e no meio das ruas, atacando pessoas Na última quinta-feira, 26, dois homens armados invadiram uma farmácia localizada no cruzamento das avenidas Almirante Barroso e Júlio César, no bairro do Marco, e efetuaram um assalto. O alvo dos bandidos não era somente a renda do estabelecimento e, sim, os aparelhos celulares expostos nos quiosques da farmácia. No último dia 16 deste mês, o assalto ocorreu em uma farmácia na avenida Presidente Vargas, na Praça da República, de onde os bandidos levaram cerca de 50 celulares da loja. Os dois assaltos retratam uma nova modalidade criminosa que vem sendo executada pelas quadrilhas: o roubo de celulares em farmácias. A polícia ainda não possui dados sobre o número de ocorrências em farmácias, mas calcula-se que só nos últimos dois meses, quatro farmácias que oferecem venda de aparelhos celulares foram assaltadas em Belém e Região Metropolitana. A ação vem assustando proprietários, funcionários e clientes dos estabelecimentos, que temem pela violência da ação dos criminosos. "Pediram para abrir a vitrine onde estavam os telefones, mas tive dificuldade para encontrar a chave, e isso irritou o bandido, que passou a fazer ameaças com o revólver. Nunca vou esquecer o pânico que vivi durante um assalto na farmácia onde trabalho. Pensei que fosse morrer", comentou uma funcionária de uma rede de farmácias vítima de assalto e que preferiu não se identificar com medo de represálias. Segundo ela, a facilidade para executar o roubo em farmácias vem contribuindo para o aumento deste tipo de modalidade criminosa. "Nas farmácias os aparelhos ficam expostos nas vitrines logo na entrada do prédio, o que facilita a abordagem dos bandidos. Eles nem precisam se afastar da porta da farmácia, pois as vitrines ficam na entrada, por isso fogem rápido após o roubo. Já nos grandes magazines os telefones não ficam tão expostos, sem falar que são locais maiores com mais segurança, diferentes das farmácias que são estabelecimentos menores", destacou a funcionária. Segundo o gerente de um dos estabelecimentos comerciais visitados durante a reportagem, o prejuízo mensal com o roubo dos aparelhos gira em torno de 50 mil. "O prejuízo é grande, pois tem celular na vitrine que custa mais de mil reais. Na última ocorrência em nosso estabelecimento, há dois meses, tivemos um prejuízo de cerca de 50 mil, pois os bandidos levaram aparelhos caros, como Ipod, além de moldem para internet que também é vendido nos estandes", contou o gerente, sem se identificar. Procurados pela reportagem, nenhum proprietário das redes de farmácias quis falar com a imprensa sobre o assunto. Ação não deixa rastros para investigação Na feira do Barreiro a variedade de aparelhos celulares atrai compradores vindos de outros bairros da cidade. O mototaxista Raimundo, que não quis revelar o sobrenome, se dirigiu do bairro do Guamá até o Barreiro com um único objetivo: comprar um celular moderno. "Já comprei outras vezes e recomendo, pois aqui tem uma variedade de aparelhos. Vou tentar encontrar aqui um modelo bem moderno que vi na loja de um shopping. Só não comprei na loja por que o preço é muito caro", justificou o mototaxista, enquanto procurava os vendedores "especializados" da feira. "Tem um rapaz que só tem coisa boa aqui na feira. A pessoa que repassa pra ele só trás produto novo, por isso vale a pena", completou o cliente, enquanto se afastava da equipe de reportagem. O rapaz a quem o cliente se referia era um dos mais procurados na feira. "Ele sempre está por aqui com uma mochila cheia de aparelhos, mas hoje ainda não apareceu. Acredito que ele tenha avistado a reportagem, por isso sumiu", comentou uma das feirantes do local. O maior desafio da polícia para desarticular as chamadas "robautos" é a falta de provas. "Nem sempre a vítima registra ocorrência, por isso não tem como provar que aquele aparelho é roubado. Tem produto até com nota fiscal", comentou um dos policiais militares da 7ª Zona de Policiamento (Zpol). A Polícia não tem quantitativo fechado sobre os roubos de aparelhos celulares, mas recomenda que o usário comum tenha alguns cuidados na hora de usar aparelho, sobretudo em público, pois o ladrão pode estar observando a movimentação e pronto para agir. Nesses casos, recomenda a Polícia, o ideal é manter o aparelho guardado na bolsa e só utilizá-lo em local seguro longe da agitação. Ataques são rápidos e apavoram vítimas Nove em cada dez pessoas já teve o celular roubado. A dona de casa Francisca Silva (nome fictício para preservar a identidade da personagem) passou pela experiência de ter o celular roubado quando falava ao aparelho. "Estava caminhando tranquilamente e utilizando o celular, quando fui surpreendida por um bandido. Ele anunciou o assalto e encostou uma faca na minha barriga. Nem pensei duas vezes e entreguei o aparelho, pois minha vida é mais importante", declarou a dona de casa, que optou em ficar sem celular. "Fui roubada há três meses e de lá pra cá ainda não comprei outro aparelho. È bem mais seguro andar sem celular, pois assim não se atrai roubos. Não quero passar pela mesma sensação tão cedo, pois tive a faca encostada na minha barriga. Só imaginava que fosse morrer naquele momento", recordou. Carga furtada vai parar em feiras livres do barreiro e Paar A maioria dos celulares roubados das farmácias é revendida por valores bem abaixo do preço de mercado. Um modelo Iphone, por exemplo, vendido nas grandes lojas a R$ 999,00 pode ser encontrado nas feiras do Barreiro e do Paar pelo valor de R$ 200. As famosas "robautos" comercializam de tudo, mas a venda de celulares nesses espaços vem crescendo. A comercialização do produto é feita ali mesmo, no meio da rua e de forma rápida. "Sempre que preciso de um aparelho moderno por um preço acessível procuro o Canteiro Central do Paar. Lá é possível encontrar aparelho celular de última geração por um valor bem acessível. Se fosse comprar na loja sairia uma fortuna, mas na feira do Paar temos opções de preço e mercadoria", detalhou o autônomo Joaquim Miranda, que considera a venda na "robauto" natural. "Não estou roubando nada dos outros, apenas comprei um produto que estava à venda aqui na feira. Se é roubado, isso eu não sei e nem me interessa. Paguei pelo produto e estou com minha consciência livre", declarou o autônomo. A pena para quem compra produto roubado varia de um a quatro anos de reclusão em regime fechado. Comércio da presidente vargas perdeu dezenas de aparelhos No último dia 15 de abril dois bandidos assaltaram uma farmácia na avenida Presidente Vargas, de onde levaram todos os celulares que estavam em exposição. A dupla fugiu do local em uma motocicleta roubada. Houve perseguição e tiroteio, até o bairro do Umarizal. Os dois foram presos por policiais da 6ª Zona de Policiamento (Zpol) e os celulares recuperados. Segundo informou a Polícia Militar, os bandidos chegaram de moto na farmácia, localizada na esquina da Rua Manuel Barata, bairro da Campina, por volta das 10h da manhã. Eles renderam os seguranças e passaram a recolher os celulares que estavam em exposição. Ao todo foram pelo menos cinquenta aparelhos roubados. Segundo uma funcionária da farmácia, que não quis se identificar, tudo aconteceu de forma muito rápida. "um cliente que estava na loja durante o ataque foi quem chamou a Polícia. Foram momentos de pânico que jamais vou esquecer", recordou a funcionária. Ladrões fazem reféns durante fuga de assalto na área do Marco Outro assalto no dia 26 de abril, o alvo dos bandidos foi uma farmácia localizada no cruzamento das avenidas Almirante Barroso com a Júlio César, no bairro do Marco. Durante a fuga dos bandidos, um homem foi feito refém. A ação ocorreu por volta de 9 horas, quando dois bandidos armados entraram na farmácia e anunciaram o assalto. Houve perseguição e troca de tiros. Um dos bandidos foi baleado nas costas e, mesmo ferido, fez um homem refém na avenida Júlio César, próximo ao Aeroporto de Belém. O outro bandido conseguiu fugir. Utilizando um revólver calibre 38, os bandidos intimidaram os funcionários da farmácia, de onde roubaram vários celulares e a quantia de R$800. No momento em que deixavam o estabelecimento em uma motocicleta, os bandidos foram surpreendidos por uma guarnição da Ronda da Capital (Rondac) da Guarda Municipal de Belém, que saiu em perseguição aos criminosos. Uma viatura da 1ª Zona de Policiamento (Zpol), que passava pelo local, prestou apoio aos guardas municipais iniciando uma perseguição em direção do bairro de Val de Cães. Durante troca de tiros, um dos bandidos acabou atingido nas costas e caiu da moto.

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