sábado, 28 de abril de 2012

Taxa de desemprego em março é a menor em 11 anos

Taxa de desemprego em março é a menor em 11 anos SÃO PAULO - O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou ontem que a taxa de desocupação, ao atingir 6,2% em março, foi a menor para o mês da série histórica. Porém, foi superior ao percentual registrado em fevereiro e janeiro deste ano. De acordo com o gerente da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), Cimar Azeredo, a explicação para este aumento é devido ao efeito sazonal do período. "Esse comportamento é justificado pela dispensa dos trabalhadores contratados no final de 2011, o que tradicionalmente acontece no primeiro trimestre de um ano", explica Azeredo. Para o professor no curso de Administração da ESPM, Adriano Gomes, mesmo sazonal, o ritmo de alta da taxa está "forte". "De fato, o percentual em março foi favorável. Mas o que preocupa é a evolução desde dezembro (4,7%), para janeiro (5,5%), fevereiro (5,7%) e março (6,2%). Coloca uma luz amarela no ritmo de desocupação no País", entende. Segundo ele, a explicação para esse ritmo é pelo desaquecimento da economia. Já o economista do Itaú Unibanco, Aurélio Bicalho, avalia que dados evidenciam a continuidade das condições favoráveis no mercado de trabalho, "com a população ocupada crescendo em ritmo condizente com a velocidade de recuperação da economia". "Avaliamos que a aceleração mais acentuada da atividade econômica na segunda metade do ano deve contribuir para que as condições se mantenham positivas para o emprego e para a renda em 2012 e em 2013", prevê. De acordo com o IBGE, a população ocupada em março (22,6 milhões) permaneceu estável na comparação com fevereiro. Em comparação com o mesmo mês de 2001, ocorreu crescimento de 1,6% nessa estimativa, para mais 367 mil ocupados. Apesar do número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado (11,1 milhões) não ter registrado variação na comparação com fevereiro, na comparação anual, houve uma elevação de 3,7%, a representar um adicional de 394 mil postos de trabalho. Por outro lado, a população desocupada (1,5 milhão de pessoas) cresceu 8,8% no confronto com fevereiro (mais 122 mil pessoas procurando trabalho). Frente a março do ano passado, a estimativa permaneceu estável. Mas, esse resultado, segundo o gerente da PME, é novamente explicado pela dispensa dos temporários. Salário e educação Outro resultado positivo da pesquisa do IBGE no mês passado é com relação ao rendimento médio real habitual dos ocupados, de R$ 1.728,40, o valor mais alto para o mês de março desde março de 2002. Com relação a fevereiro, o valor apresentou alta de 1,6%, e frente ao mesmo período de 2011, o montante subiu 5,6%. Desta forma, a massa de rendimento real habitual (R$ 39,4 bilhões) cresceu 2% em relação a fevereiro e 7% em relação a março de 2011. E a massa de rendimento real efetivo dos ocupados (R$ 38,9 bilhões), subiu 1,2% ante o mês anterior e 6,2% no ano. O professor da ESPM comenta, porém, que o resultado mostra que há um encarecimento dos salários no Brasil, o que prejudica a intenção dos empresários em elevar o número de contratações. "Isso também pode explica o aumento da taxa de desocupação", diz Gomes. O lado positivo é que o aumento do salário proporciona a expansão dos investimentos em educação - ideal para buscar qualidade no emprego. Essa é uma das explicações para que a estimativa de gastos nesse setor, de acordo com estudo do IBOPE Inteligência, seja de R$ 49,55 bilhões neste ano, o que dá um gasto per capita de R$ 303,92. Esses resultados mostram elevação em relação a 2011, quando o gasto com educação básica e superior foi de R$ 43,61 bilhões e o per capita, de R$ 267,68. O potencial de consumo da classe C, que representa 52,38% do total de domicílios urbanos no País (50,07 milhões), passou de 17,9% em 2011, para 18,67%, na previsão para este ano. Da Classe B (24,45% dos domicílios) teve um ligeiro recuou de 58,57% para 58,26%. Com relação à Classe D e E (20,58% das residências urbanas), caiu de 1,6% para 1,53%. E da Classe A (2,6% de domicílios), passou de 21,93% para 21,55%. 27/04/2012 - DCI - SP

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