terça-feira, 30 de outubro de 2012

Desenvolvimento pessoal

Cultivar o seu próprio desenvolvimento não significa ser egoísta, mas sim um grande presente para os outros. E, quando falo em desenvolvimento não estou falando apenas de um conjunto de conhecimentos somados as habilidades e atitudes. Estou me referindo a saúde emocional, ao equilíbrio e autocontrole, ao ser holistico que somos e indivisivel.

Liderança


Um líder de loja é seguido pelo que ele faz e não pelo que ele fala. Se você quer que seu colaborador cumpra o horário então mostre a ele que você é o primeiro a cumprir seus horários de trabalho com disciplina e regularidade. Lembre-se sempre: AS PESSOAS FAZEM O QUE AS PESSOAS VEEM. Para a obtenção do sucesso enquanto líder de sua loja procure encarnar a vida que desejam em seus seguidores.
Um dos maiores erros que um gerente de loja pode cometer é acreditar que todos os seus colaboradores são iguais. Gestores de lojas são alçados ao cargo de gerência para atingir os objetivos e as metas da Empresa e nós não podemos abrir mão disso. O resultado da nossa loja mede o grau de comprometimento e a competência que temos. Não podemos admitir pessoas em nosso quadro que não estejam remando na mesma direção preconizada pela Companhia. Não somos gerentes para fazer pessoas felizes e proporcionar conforto. Todo colaborador deve receber apoio e encorajamento, mas desempenhos fracos ou medíocres não devem ser recompensados da mesma forma que os desempenhos fora do comum.

Os gestores de loja devem distribuir oportunidades, recursos e tempo de acordo com o histórico de desempenho dos colaboradores. Quanto maior o desempenho, maiores as oportunidades. Quando o gerente não tiver certeza do nível do desempenho de um colaborador, especialmente um “novato”, dê-lhe oportunidades frequentes mas pequenas para determinar seu calibre. Isso mostrará como você deve agir.

Toda pessoa carrega a semente do sucesso. Para encontrá-la em seus liderados, você tem que olhar para seus dons, temperamentos, paixões sucessos, alegrias e oportunidades. E, quando encontrar essa semente você precisa fertilizá-la com encorajamento e regá-la com a oportunidade. Não esqueça:

Todo mundo quer sentir que vale a pena.
Todo mundo precisa e reage a encorajamento.

A motivação costuma ser algo natural.

Quanto mais você entende as pessoas, maior é a sua chance de sucesso como líder.
Obs: inspiração do texto extraída do livro Minutos de Liderança de John C. Maxwel

Opinião: A cerveja e a propaganda


Rodrigo Leão| »
04 de Setembro de 2012 • 08:35

Há alguns anos parei de tomar cerveja. Porque toda vez que tomava eu tinha dor de cabeça, me sentia enjoado e no dia seguinte tinha uma ressaca irritante. “Acho que não me dou bem com fermentados”, era como me justificava diante da incredulidade de amigos, que, de imediato, começavam a suspeitar da garra do meu heterossexualismo.
Então, na hora de beber, eu partia pros drinques. Houve a fase hi-fi, a fase gin tônica, a fase Mojito, e assim por diante. Nunca em excesso — dois drinques e ponto. Acordava novinho em folha e não tinha enjoo nem dor de cabeça. Não sentia falta nenhuma da cerveja. Mas, de uns seis meses pra cá, por influência do meu sócio, Márcio Cócaro, um fã desse tipo de bebida, resolvi experimentar umas cervejas artesanais. Não sou muito de cheirar rolha (sabe, como fazem aqueles caras que manjam de vinho e ficam passando a rolha em frente ao nariz e detectando subtons amadeirados?). Então, durante cada um de seus excelentes churrascos gaúchos, ele me apresentava algumas dessas e falava: “Ah! Essa aqui foi feita por monges Trapistas na Bélgica”, e eu não dava muita bola. “Essa aqui ganhou o prêmio xisipisilonzê...” e eu estava, na verdade, curtindo a direção de arte bem louca do rótulo (que é muito comum nesse segmento).
Até que percebi que não passava mal com aquelas cervejas. “De repente eu sou fresco mesmo e meu corpo só se adapta a artigos de luxo,” pensei. Tudo bem que, de fato, aquelas brejas não se pareciam nada com as redondinhas que a gente normalmente toma por aí. Reparei que só se tomava uma ou duas garrafas numa rodada, mais como um vinho do que como as cervejas que eu conhecia. Mas era curioso perceber como a mesma bebida causava reações tão diferentes no meu corpo.
Até que recentemente começamos a trabalhar para uma premiada cervejaria artesanal e o pessoal que faz a cerveja me explicou a diferença. A maioria das cervejas industrializadas não é feita para ser uma boa cerveja: é feita para dar o maior lucro. E essa é uma diferença importante no resultado.

Como assim? Assim ó: além de lúpulo, cevada e água, na latinha entram arroz, milho e outros tipos de cereal mais barato. Aí, vai um produto químico pra fazer uma espuma bonita; outro pra ter cor dourada bonita; e outro para o sabor sair homogêneo. Hoje, tem até umas com mais químicos pra você não empapuçar e beber e gastar mais. Ou seja, não era a cerveja que me fazia mal, era o kit “meu pequeno químico” que as empresas usam pra deixar o produto mais lucrativo que me zoava.
Lembrei então de um artigo que escrevi quando tinha uma coluna no jornal Metro em que eu comparava a mentalidade do empreendedor que gosta do que faz e do empreendedor que só gosta de dinheiro. Apresentava-os como o “O Homem do Negócio” e “O Homem de Negócios”.

O “Homem do Negócio” gosta de fazer bem aquele negócio em que ele se meteu: o faz por obsessão, e não por dinheiro, mas acaba ganhando algum porque necessariamente faz muito bem o que se propõe a fazer. Tanto que muitas vezes integra o nome ao próprio negócio. Como meu amigo Eddy do Trombone, o Rogério Fasano ou mesmo o Professor Porsche.O objetivo final é o próprio processo de viver fazendo algo que faz muito bem feito. Na propaganda, costumávamos ter muitos desses.
Já o “Homem de Negócios” se interessa mais pelas recompensas que um negócio oferece do que no negócio propriamente dito. O objetivo é lucrar, seja vendendo karaokês evangélicos ou vibradores eletrônicos, propaganda ou produtos de arame e plástico. O bom “Homem de Negócios” tende a ficar muito rico pois não importa em que negócio se meta, sempre dá um jeito de ganhar muita grana — faz o que for preciso para lucrar, como, por exemplo, encher a sua loirinha de produtos químicos.
A especialidade do “Homem do Negócio” é criar valor. A especialidade do “Homem de Negócios” é extrair valor. É curioso ver como grandes grupos econômicos internacionais controlam a propaganda que a gente consome e a cerveja que a gente bebe. Eu fico aqui pensando: será que a ressaca que a maioria das propagandas vem me causando atualmente não é causada pelo mesmo motivo da cerveja? Você pode até dizer que eu sou fresco, hipster ou mesmo comunista, mas eu acho muito errado celebrar quem tira mais em lugar de quem acrescenta mais.

Rodrigo Leão é sócio-diretor de criação da Casa Darwin e professor dos MBA de Marketing, MBA Executivo Internacional e International MBA da FIA. Uma vez por mês ele escreve artigos para Meio & Mensagem. Este texto foi publicado na edição 1525, de 3 de setembro.

Devo aceitar a oferta para assumir novas equipes?


Por Karin Parodi

Há quatro anos ocupo o cargo de diretor de uma empresa de médio porte que presta consultoria para o setor de infraestrutura. Sou responsável por atender o maior de nossos clientes, que acaba de anunciar que não vai mais usar nossos serviços. Isso gerou uma crise interna e os sócios decidiram demitir outros dois diretores e me fazer assumir o trabalho de ambos. Estou pensando se devo enfrentar o desafio, pois vejo vários problemas pela frente como a resistência das equipes - sou muito exigente, enquanto os outros diretores eram mais 'flexíveis' -, a dificuldade de gerenciar clientes menores e o aumento da carga de trabalho sem compensação a curto prazo. Apesar disso, não tenho outro emprego em vista e, de certa forma, sinto-me prestigiado de ter sido "poupado" do corte. O que devo fazer?

Diretor, 42 anos

Resposta:

Minha resposta curta? Não creio que seja hora de você buscar um novo desafio fora da empresa. Embora não haja, nesse caso, o certo e o errado, fica evidente a necessidade de enfrentar e assumir um desafio. E eu lhe desafio a desafiar-se, com o perdão da repetição de palavras. Desafie-se aí mesmo onde você está e prove, com resultados, que merece ser compensado por isso. A consequência será não apenas o reconhecimento dos sócios, mas o rico aprendizado embutido e o aperfeiçoamento profissional que pode abrir horizontes no futuro.

De modo realista, a mudança em curso em sua empresa não está sob seu controle e isso é algo com o que você tem de se conformar. Em paralelo, ela precisa ser encarada com naturalidade, pois mudar faz parte do dia a dia das organizações e da vida humana. Isso sempre gera dúvidas, insegurança, desconforto, interrupções e rompimentos.

Não é bobagem quando se fala que toda mudança demanda muita energia dos envolvidos. Você poderia ter sido uma história de "rompimento", se demitido, mas foi o eleito para permanecer. Isso significa não apenas que os sócios estão confiando em sua capacidade de assumir os desafios, mas que lhe estão oferecendo a oportunidade de demonstrar um conjunto de competências ampliado. Nem sempre, afinal, aparecem em nossas vidas desafios dessa envergadura, em que podemos nos arriscar para alçar voos maiores.

Porém, esses sócios também o colocaram em um processo de transformação corporativa que geralmente se caracteriza, por alguns momentos, pelo surgimento de sentimentos como confusão, medo do desconhecido, sensação de perda de rumo e, talvez o maior dos perigos, reações inesperadas. Por essa razão, é preciso enxergar a situação à luz da razão. Desafios como esse podem fazer uma diferença abissal em seu futuro.

O que o impediria, então, de aceitar a oferta? Vale a pena repassar suas preocupações uma por uma. Você menciona, inicialmente, a carga de trabalho, que tenderia a ficar excessiva. Diante disso, eu argumento que, no segmento de consultoria, não é surpresa para ninguém que as horas do expediente cresçam dependendo do projeto em andamento - e isso ocorre, especialmente, quando o empregador precisa ajustar a estrutura organizacional e buscar novos clientes para sobreviver e perpetuar-se.

Em segundo lugar, você observou que não há promessa de uma maior compensação de renda. Como diretor, você não pode se prender a ganhos de curto prazo, pois sabe, melhor do que qualquer outra pessoa, que uma carreira profissional consiste em uma maratona e não corrida de 100 ou 200 metros rasos do jamaicano Usain Bolt.

O fato sobre o qual você mais se deteve foi talvez o da potencial resistência das equipes incorporadas. Sou a primeira a concordar que sua tarefa não será fácil nesse aspecto, mas é perfeitamente possível mostrar aos "órfãos" dos gestores flexíveis anteriores, com vícios adquiridos em sua concepção, as vantagens de se ter um chefe exigente - destacadamente, o fato de que cobrar padrões elevados de desempenho das pessoas as leva a evoluir de modo constante e a atingir um nível de excelência cada vez mais alto, o que tende a impactar sua carreira de modo muito positivo.

Mostra-se fundamental, contudo, não esquecer o conselho que lhe darei agora, fruto de muitos anos de experiência: lide com as resistências sempre individualmente, entendendo o que pode motivar cada um a abraçar uma causa, reforçando objetivos futuros, valorizando os mínimos esforços de mudar de um subordinado.

Além disso, você também poderia aproveitar as novas circunstâncias para mudar um pouco seu estilo de liderança. Que tal adicionar uma pitada de flexibilidade ao seu saudável nível de exigência e chegar ao melhor dos mundos em gestão de times? Seria o momento ideal para fazer uma reflexão e reforçar uma das competências mais importantes que é o autoconhecimento, maximizando as fortalezas e desenvolvendo-se mais nos pontos tidos como vulnerabilidades.

Para terminar, lembro uma lição que todos aprendem, mais cedo ou mais tarde: quando contratam alguém, as empresas se concentram no que o profissional fez de diferente. Então, faça a diferença que lhe pedem para fazer.

Valor Econômico - SP

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Classe C brasileira descobre a moda

Investir na aparência e estar bem vestido nunca foi tão importante para a classe C. Empregada, com renda maior e mais acesso ao crédito, a nova classe média está mais consumista e até o fim deste ano vai gastar em roupas R$ 10,2 bilhões a mais do que as classes A e B. De acordo com pesquisa divulgada pelo Instituto Data Popular, em nove anos os consumidores da classe C ampliaram os gastos com moda, descontada a inflação do período, em aproximadamente 153,2%. Hoje, eles representam 46% dos consumidores de roupas e devem atingir a cifra de R$ 55,7 bilhões ainda em 2012. Enquanto isso, as classes A e B respondem por 37,6% dos gastos, somando R$ 45,5 bilhões e as classes D e E por 16,4%, cerca de R$ 19,8 bilhões. A resposta ao consumo crescente vem no surgimento e fortalecimento de redes e lojas voltadas para esse público.

Há dois anos no mercado de Belo Horizonte, a loja de departamento 7 Bello, no Centro, vem crescendo 40% ao ano embalada pela classe C. “Atender o mercado emergente é cada vez mais lucrativo porque ele ganha mais e gasta mais”, afirma o gerente Cláudio Hernani Murta. O bom desempenho, segundo ele, pode ser justificado ainda pela oferta de mercadorias mais baratas, mas que primam pela qualidade. “Esses são clientes extremamente exigentes e desejam produtos de qualidade”, afirma.

Segundo Murta, lojas populares com roupas amontoadas em bancas já não são mais o foco desse cliente, que acabou transformando o varejo. “Os consumidores, principalmente as mulheres, estão muito mais interessados em moda, têm informações, gastam mais e sabem o que tem e o que não tem qualidade”, explica. “Por isso é importante investir em uma loja diferenciada, com manequins e araras, peças exclusivas, em tendências e sempre buscar novos fornecedores”, acrescenta.

Há 20 anos no setor de confecção e varejo de roupas, a empresária Andrea Maria Savino Nogueira e o marido Carlos Henrique Nogueira já têm 10 lojas espalhadas em ruas e nos shoppings populares e pensam em fortalecer os negócios com a criação de uma franquia da loja Plus Basic. Os gastos crescentes da mulher da classe C, e também da classe B, despontam como principais motivos para a nova aposta.

Com expertise em confecção de roupas básicas femininas, eles pretendem em três anos criar um modelo de franquia. “O acesso ao crédito tem facilitado o bom desempenho desse tipo de negócio e entendemos que a nossa loja pode ser atrativa para quem quer entrar nesse mercado”, afirma a empresária. As blusas e vestidos de malha lisa ou estampada, que têm fabricação própria e preços de R$ 10 a R$ 50, levam movimento para a loja durante o dia todo. “Hoje, o preço ainda ganha na preferência desses consumidores, mas esse público se atualizou e quer qualidade acima de tudo”, completa.

Para homens

Na contramão dos empresários que investem no público feminino está o proprietário da loja Canal do Surf, Leandro Lustosa, que optou por atender os homens da classe C. Há quatro anos, ele era estoquista de uma loja de roupas, foi promovido a vendedor, depois a gerente e viu nesse mercado a chance de fazer a própria renda. “Via como as pessoas consomem roupas e achei atrativo investir nesse setor”, comenta. Com a ajuda do ex-patrão, adquiriu uma franquia da loja em março, e pretende recuperar cerca de 80% do valor investido na compra da franquia até dezembro. “Estou confiante que vou atingir essa meta porque esse público entra na loja e efetiva suas compras, ao contrário das mulheres, que ainda pesquisam muito”, comenta.

Para o sócio-diretor do Data Popular, Renato Meirelles, o que impulsiona o crescimento das lojas é, principalmente, a chegada desse consumidor da classe C ao mercado de trabalho. “Esse público não fica mais em casa e precisa estar bem vestido para enfrentar as jornadas de trabalho”, garante. Meirelles lembra que 77% das compras de vestuário pela classe C são feitas por mulheres.

Universo para elas

Além de serem as principais consumidoras do setor de vestuário, as mulheres se mostram mais interessadas em moda que os homens, segundo os dados do Instituto Data Popular. Enquanto 80,5% das mulheres disseram ter pelo menos algum interesse em moda, 54,8% dos homens informaram ter algum interesse no assunto. Reforçam os números a caixa Natália da Silva e a vendedora Adriana Paula de Castro, que são consumistas assíduas. Sempre que sobra um dinheiro no orçamento, elas compram uma peça de roupa. “Ou é uma blusa ou uma calça para trabalhar”, confessa Natália. Todos os dias, as amigas, que trabalham no Centro, vão às lojas atrás dos melhores preços. Na última semana, Adriana foi buscar uma camisa social para o marido e saiu da loja com uma sacola. “Eu compro para mim, para ele e para o meu filho”, diz.

Segundo a professora de economia da Fundação Getulio Vargas (FGV/IBS) Zirene Roxo Matesco, a qualidade das roupas melhorada pela concorrência e importações também é grande responsável pelo crescimento desse mercado. “Hoje a classe C está vestindo a mesma moda das classes A e B com preços menores, e são as próprias consumidoras que fomentam esse mercado e buscam os lançamentos nas lojas populares”, afirma.

O acesso aos cartões de crédito e de débito e a facilidade ao comprar são apontados pela professora como os principais responsáveis pelo fenômeno notado não só no varejo como também em outros setores. “Há oito anos o crédito correspondia a 25% do PIB, e hoje já é 50%. Este ano a economia vai crescer pouco, cerca 1,6%, mas o consumo das famílias de forma geral vai aumentar quase 4%, ou seja mais que o dobro do crescimento da economia”, destaca.


URL desta notícia: http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/economia/2012/10/28/internas_economia,404612/classe-c-brasileira-descobre-a-moda.shtml

29/10/2012   - Diário do Grande ABC on-line - SP
 

Aché segue investimento em aplicativos, agora de olho em serviços para pacientes

O laboratório Aché lançou um aplicativo para tablets e smartphones que promete ajudar os usuários a lembrarem a hora certa de tomar os medicamentos. Batizado de AlarmPill, o sistema foi desenvolvido pela área de remédios respiratórios e traz informações sobre doenças como asma e rinite. Antes, o laboratório já tinha investido em outros aplicativos de serviço, mais voltados aos médicos que aos pacientes.


domingo, 28 de outubro de 2012

As 7 forças da liderança, segundo Roberto Justus

“Tudo na vida são forças”, afirma o publicitário e apresentador de TV Roberto Justus. Em palestra durante a 12ª Convenção ABF do Franchising, que acontece até 28 de outubro na Ilha de Comandatuba, na Bahia, Justus elencou as sete forças fundamentais para o sucesso pessoal e profissional.

1. A força de vontade. O que você mais quer na vida? A força de vontade vai levá-lo até lá. Todas as pessoas querem ter sucesso. Isso pode ter vários significados, como ganhar dinheiro, formar uma família. Todos queremos ser bem-sucedidos. Mas, sem força de vontade, não conseguimos. De todas as forças, essa é a que mais podemos controlar. Para isso, o líder precisa saber tomar decisões e saber delegar. Em vez de fazer uma lista de coisas para fazer, precisa ter uma lista do que não fazer.

2. A força da visão. O que faz a diferença? O que leva dois garotos em uma garagem a criar a Apple? Steve Jobs deu à empresa sua grande visão. Essa é uma força que diferencia as pessoas. Em um mundo cada vez mais competitivo, mais importante do que fazer melhor é ver melhor o que vem lá na frente. Uma visão significativa, em todos os casos, antecede uma realização significativa. É preciso enxergar-se grande para ser grande.

3. A força do caráter. Se você prejudica alguém, mais cedo ou mais tarde vai topar com essa pessoa. Caráter é um DNA transmitido por hábitos e exemplos, e o líder é aquele que forma ou deforma o caráter de uma empresa. Uma pessoa de caráter toma decisões pensando em todos. Não muda de opinião apenas para agradar. Fala para o cliente aquilo que ele precisa ouvir, e não o que ele quer ouvir.

4. A força de persuasão. Saber persuadir é uma arte. Você não consegue vender aquilo que não compra. A pessoa que acredita em si e no que quer vender tem uma capacidade de convencer muito maior. E você não vende nada para alguém em que você não acredita.

5. A força da criatividade. Quem quer ter uma vida extraordinária precisa ter ideias extraordinárias. Todos têm talentos escondidos. É preciso cutucar esses aspectos para que apareçam. Como é difícil criar a partir de uma folha em branco, cabe ao líder passar os parâmetros definidos para os liderados. É fundamental pensar fora da caixa, desde que dentro da estratégia.

6. A força da coragem. É preciso ir além das fronteiras criadas pelas próprias limitações. Algumas pessoas preferem estar dentro do caixão a fazer discurso no funeral. A gente tem de acabar com as limitações que a gente cria. Para mudar, é preciso ter coragem para fazer as mudanças necessárias. O cavalo passa selado em alguma oportunidade. Você precisa ter a coragem de montá-lo.

7. A força da paixão. Uma empresa de sucesso é o resultado de um grande trabalho, mas esse sucesso é ainda maior quando há pessoas felizes e apaixonadas. Os empresários vão criar franquias melhores se tiverem pessoas apaixonadas. Para o franqueado, faz uma grande diferença quando ele vê que o franqueador ama o que faz. A escolha deve ser sempre por algo que você ama fazer.

26/10/2012   - Revista PEGN on-line - SP

Cobrança de metas não gera indenização por danos morais

Trabalhadores estão buscando na Justiça danos morais por serem pressionados a cumprir metas. Tribunais Regionais do Trabalho (TRTs), porém, têm entendido que a cobrança, por si só, não gera indenização, a menos que seja realizada de forma ofensiva e sob ameaças, ou que os objetivos sejam inalcançáveis. "O cumprimento de metas está dentro do poder diretivo do empregador, sendo uma decorrência do mundo competitivo", diz o juiz convocado Helder Vasconcelos Guimarães, relator de um caso analisado recentemente pela 5ª Turma do TRT de Minas Gerais.

No processo, uma ex-funcionária do Itaú-Unibanco afirma que havia "pressão desumana" para o cumprimento de metas, havendo inclusive ameaça de demissão. Segundo a autora, a cobrança era diária e havia exposição dos vendedores "lanternas". Era enviado a todos os funcionários um relatório com ranking das agências bancárias. O relator, no entanto, considerou que "a simples exposição do desempenho de cada agência, com a indicação daquelas que apresentavam resultado abaixo da meta não pode ser considerada como ofensa à dignidade da reclamante".

Os pedidos de danos morais por exigência de cumprimento de metas começaram a aparecer com maior frequência de cinco anos para cá, de acordo com o diretor jurídico do Itaú-Unibanco, Sergio Fernandes. "Os juízes, porém, são favoráveis à cobrança de metas, desde que não haja excessos", diz o diretor. "Faz parte da vida. Mas como não há sucumbência na Justiça do Trabalho, pede-se tudo."

Para a desembargadora Elizabeth Fátima Martins Newman, da 2ª Turma do TRT da 8ª Região (Pará e Amapá), relatora de um outro caso envolvendo o Itaú-Unibanco, a "cobrança de metas, desde que não exageradas, é perfeitamente possível dentro de uma instituição bancária, que precisa agir dentro do mercado financeiro com eficiência e eficácia". E acrescenta: "É uma prática geral, inclusive no serviço público, não podendo ser vislumbrada como pressão psicológica."

No processo, um ex-gerente da instituição financeira alegou que as metas eram praticamente impossíveis de serem alcançadas e "os funcionários eram ameaçados inclusive de dispensa". A 2ª Turma do TRT entendeu, no entanto, com base no voto da relatora, que não ficou configurado o dano moral e reformou sentença que havia fixado indenização de R$ 30 mil.

Em uma decisão do TRT de São Paulo envolvendo a Casas Bahia, a desembargadora Kyong Mi Lee, da 16ª Turma, lembra que "o trabalho sob pressão é, hoje, inerente à sociedade moderna". Segundo ela, cada pessoa reage de forma diferente à cobrança. "Condições tidas por insuportáveis para alguns indivíduos, para outros não o são. A prática de estabelecer metas é demandada pelos tempos atuais em razão da exigência do mercado competitivo", afirma.

Nesse caso, porém, a desembargadora, relatora do caso, entendeu que em uma das duas situações apresentadas por uma vendedora ficou comprovado assédio moral. A turma decidiu, então, reduzir de R$ 25 mil para R$ 10 mil a indenização. A relatora considerou que a forma de cobrança de metas para vendas de garantias e seguros complementares era "inadequada e ofensiva". Mas não classificou como "um castigo" o fato de a trabalhadora ser deslocada temporariamente para o caixa da loja.

Por meio de nota, a Casas Bahia afirma que, "embora não reconheça a prática de assédio moral, a empresa zela pelo ambiente saudável entre os seus colaboradores e reitera a aplicação de materiais educativos através de treinamentos, palestras e orientações diárias visando a inocorrência de atos reprováveis". De acordo com a empresa, "as metas objetivam unicamente a motivação profissional, entendimento que vem sendo reconhecido pelos tribunais do país".

Mesmo a retirada provisória de benefícios - como diárias, horas extras, de prontidão e sobreaviso - e a divulgação de listas com os nomes de empregados que não atingiam as metas não configuram danos morais. O juiz convocado Wilson Carvalho Dias, relator de um caso envolvendo a América Latina Logística (ALL) na 10ª Turma do TRT do Rio Grande do Sul, entendeu que "tais práticas não ultrapassam os limites do poder diretivo do empregador". A reclamação foi ajuizada por um maquinista, que discutia a forma de cobrança de metas para economia de combustível. Segundo ele, aqueles que não as alcançavam, ficavam "trabalhando fixo na estação, sem receber vantagens inerentes às viagens". Procurada pelo Valor, a ALL preferiu não comentar o caso.

Para o advogado Pedro Gomes Miranda e Moreira, do escritório Celso Cordeiro de Almeida e Silva Advogados, só há danos morais nos casos em que se evidenciar flagrantes excessos praticados pelo empregador. "O trabalhador não pode ser alvo de piadas, sofrer penalidade físicas, como flexões, tampouco ser demitido por justa causa por não cumprir metas", diz o advogado. "O empregador, porém, pode direcionar como o trabalho vai ser realizado."

De acordo com o advogado Geraldo Baraldi Jr., do Demarest e Almeida Advogados, é preciso ter bom senso na fixação de metas e na forma de cobrança. "Não podem ser estabelecidas metas impossíveis de serem cumpridas e nem haver excessos na cobrança", afirma. "A instituição de metas não é um ilícito trabalhista. O próprio Conselho Nacional de Justiça impõe metas para os magistrados."
26/10/2012   - Valor Econômico - SP

“Carros chegam a custar três vezes mais no Brasil”

ENTREVISTA
Henning Dornbusch Presidente da BMW no Brasil
Na onda de montadoras que anunciaram investimentos para produzir automóveis localmente, atentas aos incentivos fiscais previstos pelo novo regime automotivo brasileiro, a BMW decidiu colocar seus euros em Santa Catarina.

Na segunda-feira passada, a multinacional alemã confirmou a instalação de uma fábrica em Araquari, município vizinho ao polo metalmecânico de Joinville (SC), investimento inicial de 200 milhões de euros (cerca de R$ 525 milhões) e geração de mil empregos diretos.

Os primeiros modelos brasileiros da BMW X1 sairão da linha de produção ao final de 2014. O projeto é a principal estratégia da empresa para ampliar as vendas no Brasil de 12 mil para 30 mil carros ao ano em médio prazo.

Nesta entrevista, o presidente da BMW no Brasil, Henning Dornbusch, fala mais sobre o investimento e as perspectivas da companhia no Brasil. O executivo estará em Porto Alegre na próxima quarta-feira, no 21º Congresso de Marketing, promovido pela seção gaúcha da Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil (ADVB). Confira os principais trechos de entrevista concedida ontem à tarde a ZH.

Zero Hora – O Brasil é visto pelas montadoras de automóveis premium como uma boa alternativa de mercado?

Henning Dornbusch – O Brasil tem uma demanda reprimida muito grande, existe um movimento de distribuição de renda para os próximos anos. Também há mobilidade urbana individual ou coletiva muito baixa no país, comparando com os países desenvolvidos. Além disso, o número de habitantes por carro no Brasil ainda é muito elevado. E essa razão é maior ainda no segmento premium, onde a BMW se insere. Estou falando de 1% ou 1,5% da participação dessa categoria sobre o total no mercado. Se você analisa a Europa e os Estados Unidos, isso chega a 25%.

ZH – Qual a avaliação da BMW sobre o regime automotivo anunciado pelo governo brasileiro?

Dornbusch – O que está acontecendo agora é que o governo está começando a alinhar os interesses de desenvolvimento do país à qualidade das indústrias já existentes e aos novos entrantes. A China, a Índia e a Rússia estão fazendo isso. O Brasil demorou muito tempo para desenvolver uma política automotiva. O que nós tínhamos antes não era uma política propriamente automotiva, mas regras bem antiquadas.

ZH – A matriz da montadora vê motivação protecionista no aumento de tributação de carros com baixo conteúdo nacional?

Dornbusch – A questão é que o Brasil está começando a definir estratégia de longo prazo visando a proteger o emprego e a indústria local. É algo que já está ocorrendo em diversos países que têm maior potencial de consumo nos próximos anos. Não vou dizer que é protecionista, mas é uma nova política de desenvolvimento econômico baseado em regras que visam a incentivar a disseminação de novas tecnologias.

ZH – O preço dos carros no Brasil é considerado, inclusive por publicações internacionais – como a Forbes –, extremamente alto. O que pesa no valor? As margens da indústria são maiores aqui?

Dornbusch – A margem de lucro no Brasil é uma das menores no mundo, não é a margem que pesa. É a questão do custo. Há uma carga tributária muito forte, que para a importação é de 35%. O Imposto sobre Produtos Industrializados que inicialmente era 25%, passou para 55%. Existe ainda o PIS/Cofins, que chega a 11%, e são todos impostos sobre impostos. Para cobrir todos os custos de distribuição, alguns carros chegam a custar três vezes mais no Brasil do que no Exterior.

ZH – incentivos fiscais ainda são a principal arma dos Estados para atrair grandes investimentos, como o anunciado pela BMW para Araquari (SC)?

Dornbusch – O que vai acontecer cada vez mais é que os incentivos fiscais vão se tornando um instrumento menor na decisão de investimento de uma empresa. Até porque os incentivos fiscais podem ser alterados antes do tempo. Nós não consideramos os incentivos fiscais como ponto principal na decisão de uma fábrica. Nossa ideia é que o projeto tem de ser viável sem renúncia fiscal, por que ela pode ser volátil.

ZH – O que pesou a favor de Santa Catarina para a decisão do investimento?

Dornbusch – Foi relevante a questão portuária. Há diversos portos em funcionamento no Estado e outros que podem ser adaptados ao tipo de produção da BMW. Também levamos em conta a mão de obra qualificada e o fato de não existir um setor automotivo constante em Santa Catarina, o que motiva a BMW a ser pioneira nesse sentido, ajudar o Estado a desenvolver um polo automotivo e fornecedores que conheçam melhor os nossos processos, sem vícios de outras montadoras.

ZH – A BMW chegou a levar em conta a hipótese de se instalar no Rio Grande do Sul?

Dornbusch – Vários Estados foram considerados como investimento. O Rio Grande do Sul foi um deles. A questão é que todos eles tiveram projetos interessantes, mas não vem ao caso dizer por que um ou outro não foi escolhido.

ZH – Poderá haver compra de autopeças e serviços de fornecedores do Rio Grande do Sul?

Dornbusch – Sim. Mas nosso departamento de compras internacionais está mapeando os fornecedores agora, junto com a matriz na Alemanha, e prefiro não antecipar informações.

Natura muda política para consultoras

Pela primeira vez em um ano, a Natura apresentou alta na produtividade, ou seja, nas vendas por revendedora. A mudança na tendência do indicador é resultado da nova estratégia da empresa, colocada em prática este ano, que busca estimular cada consultora a vender mais. Antes, a companhia concentrava seus esforços no aumento do exército de vendas.

Para que as consultoras aumentassem seus pedidos, a Natura começou a mudar as métricas de carreira e remuneração em julho. Até então, a comissão variava de acordo com o número de revendedoras que as Consultoras Natura Orientadoras (CNOs, que "chefiam" outras revendedoras) tinham em seu grupo, e não importava o quanto elas vendiam. A partir de agora, as CNOs ganham mais à medida que o valor dos pedidos de sua rede são maiores.

Do aumento de 11,4% na receita líquida da Natura - no terceiro trimestre, em relação ao mesmo período do ano passado -, 1,4% é referente ao crescimento de vendas por consultoras, e 10% são resultado da expansão no número dessas revendedoras.

De cada dez lares brasileiros, seis compram produtos da Natura. A companhia considera que já tem uma penetração grande no país, portanto, o próximo passo é aumentar o consumo em cada um desses domicílios.

Segundo o vice-presidente de finanças e relações com investidores da Natura, Roberto Pedote, a inovação foi um fator importante para estimular a produtividade das consultoras. O índice de inovação da companhia foi de 67,3% nos primeiros nove meses do ano ante ao índice de 64,6% registrado no mesmo período do ano passado. Esse é o percentual da receita da empresa proveniente da venda de produtos lançados nos últimos dois anos.

Melhores níveis de serviço (reduzindo a falta de produtos e o tempo de entrega dos produtos às consultoras) e promoções também ajudaram. Pedote destacou que o ganho de produtividade é gradativo. "O conjunto de iniciativas que estamos tomando vai refletir em melhoras ao longo dos próximos trimestres".

Neste ano, a Natura também mudou a forma de reajustar os preços. O aumento foi feito em dois momentos, em fevereiro e setembro - em torno de 2% cada vez. A Natura costumava promover apenas um aumento "forte" no início do ano, segundo Pedote. Em 2011, foi de 4,5%.

A estratégia não impediu que a empresa perdesse mercado. Sua participação nas vendas de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos no país foi de 23,2% no primeiro semestre, em queda de 1,5 ponto ante ao mesmo período de 2011. Segundo Pedote, o crescimento de 16,8% do setor no primeiro semestre ficou acima de sua expectativa. Ele diz que as vendas no segundo semestre podem ser menores pois o impacto do aumento do salário mínimo já ocorreu.

A Natura divulgou na quarta-feira seus resultados do terceiro trimestre. O lucro líquido cresceu 18% em relação ao mesmo período de 2011, para R$ 237,3 milhões. A receita líquida (no Brasil e outros países da América Latina) aumentou 15% na mesma comparação, para R$ 1,59 bilhão. Apenas na operação brasileira, o avanço foi de 11,4% para R$ 1,4 bilhão, entre julho e setembro.

Valor Econômico - SP

As cidades na ponta do lapis

Ao fim do processo eleitoral que renova as prefeituras e câmaras dos 5.565 municípios brasileiros, os problemas urbanos que inspiraram os debates entre os candidatos nas principais capitais adquirem uma dimensão nova. Os prefeitos, novos ou reeleitos, terão de fazer face à "era das cidades" na economia mundial. Ou seja, cada problema, deficiência ou gargalo de uma cidade deixa de ser um problema só dela para tornar-se um empecilho à economia de todo um país. Engarrafamentos, poluição, o isolamento dos subúrbios, a falta de áreas verdes, afetam não somente a vida do eleitor (e cidadão), mas também a capacidade da economia para continuar crescendo.

O papel amplificado do universo urbano está expresso na recém-lançada edição do relatório bienal "State of the World's Cities" (Estado das cidades do mundo), publicado pela agência Habitat, da Organização das Nações Unidas (ONU).

Quando emergir da longa crise financeira que começou em 2007, o mundo vai descobrir que o motor de sua prosperidade, daí por diante, será "o dinamismo e a intensa vitalidade das cidades", afirma o geógrafo Eduardo Lopez Moreno, diretor da divisão de monitoramento e pesquisa da agência.

A "era das cidades", como diz Moreno, não resulta apenas do fato de que, desde 2010, mais de metade da população mundial vive em áreas urbanas, proporção, que, calcula-se, deve chegar a 70% até 2050. O fator preponderante é que "são as grandes cidades, e não os países, que passam a comandar a criação de riqueza". Na introdução do relatório, lê-se que, "no futuro que vai tomando forma, as áreas urbanas ao redor do mundo serão não só a forma dominante de habitat da humanidade, mas também o motor do desenvolvimento humano como um todo".

Estudos disponíveis apresentam os centros urbanos brasileiros como muito mal situados para entrar nessa "era das cidades". Economistas, urbanistas e geógrafos assinalam que a mobilidade deficiente pode custar até R$ 40 bilhões ao ano (FGV, 2008), a poluição atmosférica custa, só em São Paulo, até R$ 17 bilhões em doenças respiratórias (Unifesp, 2012) e a deficiência da rede de esgotos leva a perdas na massa salarial que podem ser estimadas em cerca de R$ 41,5 bilhões (FGV e Instituto Trata Brasil, 2009).

O impacto generalizado de perdas como essas, para além das fronteiras do município afetado, aparece no estudo sobre enchentes paulistanas realizado pelo Núcleo de Estudos Regionais e Urbanos da Faculdade de Economia da Universidade de São Paulo (Nereus/FEA-USP). Empresas localizadas perto de quarteirões alagados já chegaram a perder negócios avaliados em R$ 30,7 milhões em dias de enchente em um ano. Seus clientes e fornecedores no Estado perderam mais R$ 8,75 milhões. Somando com os fornecedores e clientes do país inteiro, as perdas chegam a quase R$ 50 milhões.


Todos esses cálculos são conservadores, porque não levam em conta efeitos em cascata, incluindo a influência cruzada. Por exemplo, a mobilidade deficiente incentiva a ocupação desordenada do solo, em habitações sem saneamento e infraestrutura, com pouco acesso à educação e assim por diante. São inúmeras as variáveis que influenciam a vida e a economia de uma cidade. No Brasil, os estudos dessas variáveis ainda são esparsos e desconexos. Desde a presença de cientistas que trabalham na cidade até a dispersão dos bairros, passando pela agilidade do transporte público e a proliferação de habitações precárias, os elementos que compõem a mobilidade, a saúde pública e a qualidade de vida do ambiente urbano se afetam mutuamente, a ponto de torná-los difíceis de distinguir.

De acordo com José Augusto Fernandes, diretor de políticas e estratégia da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a entidade se alarmou com "a constatação de que as cidades brasileiras estão parando". De um estudo então produzido resultou o relatório "Cidades: Mobilidade, Habitação e Escala", divulgado neste mês, que é apresentado como "um convite para pensar as cidades e colocá-las no centro da agenda".

O relatório se abre com uma afirmação peremptória, que ecoa o aviso da ONU de que a era das cidades já começou: "O bom ambiente urbano é tão determinante para as atividades econômicas, no século XXI, como a proximidade à fonte energética e à matéria-prima o foi para a indústria, no século XIX". Segundo Fernandes, "hoje, é impossível fazer duas ou três reuniões na mesma cidade, no mesmo dia. Isso afeta a produtividade, tanto da direção das empresas quanto dos trabalhadores, que chegam desgastados ao trabalho".

Qualquer elemento que reduza a produtividade de empresas e trabalhadores bate de frente com a exigência de agilidade da economia moderna, em que ganham preeminência a inovação no setor de serviços e a criação de novos modelos de negócios. Fernandes aponta as dificuldades específicas para a indústria: em tempos de produção "just-in-time", em que manter grandes estoques é indesejável, a dificuldade de calcular o tempo que vai levar um determinado deslocamento implica custos suplementares. "As cidades deixaram de pensar o transporte e a moradia como algo integrado ao seu modo de existência. Esse fato demonstra que temos um problema de gestão das regiões metropolitanas", diz Fernandes.

O processo pelo qual as economias se tornaram mais crucialmente urbanas é resumido pelo economista Eduardo Amaral Haddad, do Nereus/FEA-USP. À medida que as indústrias deixavam as regiões urbanas em busca de custos menores (o chamado "hollowing out"), as cidades passaram a concentrar os serviços, as tomadas de decisão, os centros de pesquisa e inovação. Com o desenvolvimento de tecnologias de comunicação, as trocas entre as cidades cresceram muito mais aceleradamente do que o produto das próprias cidades - que se tornaram, segundo o economista, "interdependentes e concorrentes". Apesar da coincidência no sobrenome, o economista não tem parentesco com o candidato petista à prefeitura de São Paulo.

O mundo urbano e globalizado do século XXI exige das grandes cidades, outrora industriais, uma rápida adaptação às novas formas de produção. Citado por Haddad, o economista urbano Charlie Karlsson, da Jönköping Business School, argumenta que não serão muitas as cidades a se integrar à rede das "cidades criativas" globais, aquelas em que atividades de inovação e conhecimento dão a tônica da produtividade econômica. Desde a década de 1990, Karlsson mapeia a presença nas maiores cidades do planeta de indústrias consideradas inovadoras, equipamentos culturais e ocupações pautadas pela criatividade. O resultado é um "ranking" com as 30 cidades mais adiantadas nesse processo.


Neste ano, pela primeira vez uma cidade brasileira apareceu na lista: São Paulo ocupa a 29ª posição, entre a canadense Montreal e a conurbação britânica de Manchester e Liverpool. "A vantagem de São Paulo é que seus 20 milhões de habitantes por si sós já oferecem escala, ainda que a evolução em outros campos seja lenta", diz Haddad. "Vale a pena para indústrias criativas instalar-se em São Paulo, se de 20 milhões pelo menos 2 ou 3 milhões conseguem formar um mercado para elas."

Os demais fatores que tornam uma cidade atraente para as modernas indústrias criativas, porém, enfraquecem a posição de São Paulo, como das demais cidades brasileiras, na competição para se tornarem pontas-de-lança econômicas do século XXI. Aglomerações urbanas produzem ganhos de escala, tanto para as empresas quanto para os residentes, que encontram bens e serviços mais disponíveis e têm mais acesso a interações e empregos. Segundo Haddad, estima-se que a eficiência econômica de uma cidade é incrementada em 15% quando ela dobra de tamanho.

Por outro lado, as metrópoles também criam novos custos, específicos da realidade urbana, e que são bem conhecidos, começando com os engarrafamentos e a poluição. "O ideal é que a produtividade cresça mais rápido que os custos, mas no Brasil os custos já crescem mais do que a produtividade", diz Haddad. Embora os números desse descompasso entre custos e ganhos sejam difíceis de precisar, a percepção de que as cidades brasileiras estão ineficientes é generalizada e motivou a produção do relatório da CNI sobre mobilidade e habitação. O maior dos vilões, segundo as pesquisas de economistas urbanos, é a mobilidade.

"Se conhecemos os meios de deslocamento dos trabalhadores, os locais de moradia e trabalho, os salários e algumas outras variáveis, podemos fazer todo tipo de simulação", diz o economista. "Por exemplo, o que acontece se retirarmos o metrô de repente? Fizemos os cálculos e chegamos a uma perda anual entre R$ 400 milhões e R$ 500 milhões." Ao calcular a projeção de retorno do investimento em linhas e estações de metrô, lembra o economista, seria desejável que esse valor entrasse na conta.

Cálculos como esse revelam como a "era urbana", ao emergir, produz a necessidade de se desenvolverem ferramentas para medir da maneira mais completa possível o funcionamento das cidades. Como escreve Eduardo Moreno, "o que pode ser medido pode ser mudado". A partir dos estudos pontuais que medem a forma como as particularidades de uma cidade podem contribuir para a elevação da renda de seus moradores, ou, no sentido inverso, como as deficiências dessa cidade atravessam o caminho da prosperidade de seus cidadãos, Moreno adverte para a necessidade de captar a conexão entre os diversos componentes da economia urbana.

Segundo o urbanista Vinícius Netto, da Universidade Federal Fluminense, esse gênero de medição ainda é um grande desafio. "Estudos empíricos e quantitativos como esses são raros no Brasil, embora nossas cidades sofram prejuízos diariamente por causa das deficiências estruturais das cidades", diz Netto. "Como ninguém computa o problema, passamos décadas sem enfrentá-lo." Sem conhecer ao certo os componentes da economia urbana, as políticas públicas calculadas para incentivá-la e combater os gargalos das cidades ficam tímidas e pontuais. Comparadas às iniciativas chinesas - a China considera a urbanização como estratégica em seu processo de crescimento geopolítico -, os programas de infraestrutura brasileiros, como o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) são modestos.


A proposta expressa no relatório da ONU é a iniciativa mais recente de fornecer uma medida ampla e completa para o mecanismo das cidades, que possa ser empregada em conjunto com os governos locais para implantar políticas públicas. O relatório introduz um "Índice de Prosperidade da Cidade", no esforço de representar a interação entre cinco fatores que sustentam a realidade urbana: a infraestrutura, a produtividade econômica, a qualidade de vida, a inclusão social e a sustentabilidade ambiental. Colocados lado a lado, os fatores compõem a "roda da prosperidade".

Sem surpresa, Viena (Áustria), Helsinque (Finlândia) e Oslo (Noruega) se destacam no índice geral da ONU, respectivamente com as notas 0,925, 0,924 e 0,924 (de um máximo de 1). São cidades dotadas de "fatores de prosperidade muito sólidos". As cidades com notas acima de 0,9 "são bem governadas e asseguram ambientes seguros e confiáveis", a expectativa de vida da população é alta, assim como os índices de educação, "a infraestrutura é disponível e o ambiente é bem administrado".

São Paulo, única cidade brasileira da lista, exibe um índice de 0,757; trata-se de uma cidade na "primeira categoria de fatores sólidos de prosperidade", em situação logo abaixo de Moscou (Rússia), com 0,793, e Ancara (Turquia), com 0,780, mas logo acima da Cidade do México (0,709). São cidades "com instituições sólidas, em que cada eixo da prosperidade reforça os demais, oferecendo impulso no caminho da prosperidade". São Paulo, México e Moscou, porém, sofrem com o problema da desigualdade, que reforça a sensação de insegurança e bloqueia o intercâmbio cultural no interior da cidade.

O índice é fruto da percepção de que o modelo de urbanização das últimas décadas não favorece a qualidade de vida e a produtividade dos cidadãos. Os principais exemplos negativos são a baixa densidade dos bairros construídos na segunda metade do século XX e a segregação dos usos do solo, que afastam as populações de seus locais de trabalho e dificultam a identidade das pessoas com os ambientes em que vivem. No afã de produzir uma prosperidade entendida simplesmente como incremento do PIB, as sociedades modernas deixaram de promover os fatores que tornam a vida urbana realmente próspera, avalia Eduardo Moreno. E isso, justamente no momento em que as cidades se tornam mais cruciais para a economia mundial.

"Conversando com populações de muitas cidades ao redor do planeta, notamos uma coisa muito curiosa: o que os habitantes dos centros urbanos consideram importante para seu bem-estar pessoal e econômico é muito parecido, seja na América Latina, na África ou na Ásia", afirma Moreno. Uma renda segura, a garantia de conseguir trabalhar e a pouca exposição a variações de preço compõem o eixo da "produtividade" no índice. Segurança, espaços verdes e recreativos, saúde, educação e transporte constituem o eixo da "qualidade de vida".

"Constatamos, também, que os habitantes das cidades nunca deixam de mencionar suas necessidades de comunicação, conexão, saneamento e mobilidade", relata Moreno. Esses critérios foram unidos no eixo da infraestrutura urbana. O quarto eixo, a "sustentabilidade ambiental", retoma por outra perspectiva alguns dos itens presentes nos demais: ar e água limpos, espaços públicos agradáveis, a forma como as atividades daquela cidade afetam a mudança climática. "Por fim, o mais notável foi observar como os habitantes de todas essas cidades consideram que só existe desenvolvimento de verdade se os benefícios forem compartilhados pelo conjunto da população." Por isso, incluiu-se o quinto e último eixo, o da igualdade social.

Moreno chama atenção para a importância desse último eixo, que julga um tanto negligenciado pelo poder público em muitos países. Para demonstrar a importância da igualdade no ambiente urbano, a agência Habitat oferece uma versão de seu índice que desconsidera essa categoria. "É notável como a desigualdade é quase sempre o item que puxa o índice de uma cidade para baixo", diz o pesquisador. O caso paulistano é particularmente notável. Desconsiderando a desigualdade econômica, que marca 0,507 (Copenhague, na Dinamarca, tem 0,922), a nota, que está hoje em 0,757, chegaria a 0,836. Dentre as cidades com "fatores de prosperidade muito sólidos", é Nova York a que mais se ressente da alta desigualdade (0,502) no relatório da ONU: sua nota é reduzida de 0,934 para 0,825.

Os índices escolhidos pela ONU para avaliar o funcionamento das cidades permitem conhecer o estado daquilo que Vinícius Netto chama de "funções urbanas", que incluem a infraestrutura de comunicação, saneamento, habitação e mobilidade, por exemplo, e que favorecem o aparecimento de interações, trocas e demais formas de contato, ou seja, a "química urbana". Netto cita o urbanista Richard Florida para ilustrar como essa "química urbana" é capital para o momento de inflexão na história da economia urbana. Diz Florida que "profissionais instruídos e trabalhadores criativos que vivem juntos em ecossistemas densos, interagindo diretamente, geram ideias e as transformam em produtos e serviços com mais agilidade que pessoas talentosas em outro tipo de cidade".

A complexidade da tarefa inclui aspectos que, à primeira vista, não parecem econômicos. Estudos feitos pela equipe de Netto demonstram, por exemplo, que as diferenças de morfologia arquitetônica dos bairros influenciam a presença de pedestres nas ruas, que, por sua vez, influenciam a implantação de pontos de comércio. Com isso, quarteirões em que os prédios dão para a rua e os pavimentos térreos são ocupados por lojas têm uma vitalidade econômica maior do que áreas dominadas por condomínios e comércio encerrado em shopping centers.

Outra pesquisa, realizada pela mesma equipe em Florianópolis e Porto Alegre, demonstra que a criminalidade - uma das maiores preocupações das populações urbanas brasileiras - é favorecida pelos muros altos que deveriam mantê-la longe. "O criminoso não quer testemunhas e as janelas próximas das calçadas são a testemunha mais eficiente", explica Netto. "É uma ironia: a pessoa que se sente mais segura atrás de um muro não imagina que no semáforo da esquina está correndo o maior perigo justamente por causa do muro."

índices amplos, como o de prosperidade proposto pela ONU, são baseados em medições mais pontuais, que tentam simular pequenas variações no interior de uma cidade. Eduardo Haddad compara as ferramentas disponíveis para os pesquisadores a "um Sim City" científico, em referência a um jogo de computador em que o usuário desenvolve uma cidade virtual e deve lidar com questões como transporte, criminalidade e crescimento.

Simulações como essa incluem imaginar como seria São Paulo se o metrô desaparecesse da noite para o dia. A engenheira química Simone El Khouri Miraglia, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), buscou calcular o custo da retirada do metrô em São Paulo a partir de seus impactos sobre a saúde: quando os trens não circulam, mais automóveis atravancam as ruas, a poluição aumenta e as doenças respiratórias se multiplicam. Para calcular a dimensão do fenômeno, Simone comparou as entradas em hospitais paulistanos por doenças respiratórias nos dias de greve de metrô em São Paulo com os dias imediatamente anteriores e posteriores. O resultado foi expressivo: se o metrô deixasse de circular, a concentração de poluentes na atmosfera da cidade cresceria 75% em um ano, gerando um aumento de até 14% nas mortes por problemas respiratórios.

"Calculei quanto essas pessoas teriam produzido se continuassem vivas, para chegar à medição do impacto econômico dessa poluição, e o resultado ficou próximo de R$ 18 bilhões por ano", diz Simone. "Meu cálculo pode parecer exagerado, mas é bem conservador, porque muitos dos malefícios da poluição só se tornam visíveis no longo prazo."

As pesquisas da engenheira incluem outras simulações semelhantes: o custo das faltas ao trabalho por causa de doenças ligadas à poluição (cerca de R$ 13 milhões por ano) e, mais recentemente, a perda de produtividade dos trabalhadores de Diadema (SP) que vivem em moradias precárias. "Sem isolamento térmico, essas casas são frias e úmidas. Seus moradores adoecem mais, morrem mais e faltam mais ao trabalho. "Se a moradia prejudica a saúde de alguém, é difícil competir com quem vive em condições melhores."

Cada elemento da vida urbana que afeta a capacidade de competir das pessoas também se reflete na competitividade das cidades e, portanto, na produtividade da economia como um todo. Conjugar um sem-número de variáveis como essas é o desafio de indicadores como o índice de prosperidade proposto pela ONU.

26/10/2012   - Valor Econômico - SP

Coca-Cola vence em refrigerante e Skol lidera entre as cervejas

A ideia de associar a marca a momentos felizes com a família e amigos, por meio de maciços investimentos em publicidade e ações para aproximação dos consumidores, leva a Coca-Cola a liderar pela 22ª edição consecutiva a pesquisa Folha Top of Mind na categoria refrigerante.

O índice de lembrança da marca foi de 62% neste ano, um ponto percentual acima do obtido em 2011 e 17 a mais que no primeiro ano da premiação. É seguida por Antarctica, da Ambev (12%), Fanta (5%) e Pepsi (3%). A Coca-Cola venceu ainda na categoria Top do Top, com Omo.

Considerada uma das marcas mais valiosas do mundo (US$ 74 bilhões, segundo a consultoria Millward Brown), a força da Coca-Cola tem tudo a ver, na avaliação da companhia, com o compromisso assumido com o consumidor. No Brasil, ela detém 41% do mercado, segundo dados da Nielsen. Editoria de Arte/Folhapress

Há 125 anos investimos no relacionamento com os consumidores. Não existe fórmula secreta. São fatores que vão desde a parceria com fornecedores até a maneira de reinventar a promessa de felicidade de Coca-Cola", afirma Luciana Feres, diretora de marketing da empresa no Brasil.

Uma das ações mais recentes foi a campanha Descubra a Sua Coca-Cola Zero. A companhia lançou, em agosto, uma edição limitada de embalagens com os 150 nomes mais comuns entre jovens adultos no Brasil, como Igor e Gabi.

As embalagens foram distribuídas em 500 mil pontos de venda de todo o país. Quem não tiver o nome nas latas e garrafas pode ainda participar
de uma votação na "fan page" do refrigerante.

"Esse tipo de ação leva o consumidor a interagir com a marca, reforçando o seu posicionamento e a lembrança", afirma Eduardo Tomiya, diretor-geral da BrandAnalytics, consultoria especializada em gerenciamento de marcas.

A comunicação por meio das redes sociais tem contribuído fortemente, na avaliação da companhia, para a aproximação e o diálogo com seu público.

A Coca-Cola Company superou a marca de 50 milhões de usuários no Facebook e decidiu lançar um programa para apoiar a comunidade on-line na transformação do mundo "em um lugar mais feliz".

O projeto visa identificar indivíduos e ideias que estimulem as pessoas a se engajarem em atividades associadas à felicidade.

O resultado final, a ser testado no ano que vem, poderá ser uma invenção ou mesmo um aplicativo social, que aproveite a comunidade no Facebook para replicar o conceito.
Essa e outras ações estão inclusas em um programa de investimentos altos no país: de 2012 a 2016, a companhia prevê R$ 14,1 bilhões, 50% a mais do que investiu entre 2007 e 2011.
Coca-Cola
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Garrafa de Coca-Cola em 1898

A Coca-Cola Brasil também está envolvida com ações sustentáveis. O índice de uso de água nas fábricas do país, segundo a companhia, é um dos melhores da multinacional: 1,91 litro de água para cada litro de bebida, menos da metade de 13 anos atrás.

Na reciclagem, a filial brasileira desenvolveu, por meio do Instituto Coca-Cola Brasil, um programa chamado Reciclou, Ganhou, que, desde 1996, colabora para a reciclagem de materiais. Hoje, 98% das latas de alumínio e 56% das garrafas PET são recicladas, segundo a companhia.

CERVEJA

A proximidade com os consumidores também é uma das principais preocupações da Ambev. A Skol, uma de suas marcas, conquista pela 11ª vez consecutiva a liderança na categoria cerveja do Top of Mind, com 40% das menções.

O índice é um ponto percentual menor do que em 2011, mas está próximo do maior já conquistado pela marca: 43%, em 2009. Editoria de Arte/Folhapress



Ainda assim, a Skol está 21 pontos percentuais acima da segunda mais citada, a Brahma, também da Ambev, que foi lembrada por 19% dos entrevistados. Outra da Ambev, a
Antarctica, vem na sequência, com 10%, seguida por Nova Schin e Kaiser, com 7% cada uma.

Além de mais lembrada, a Skol é também a marca de cerveja mais valiosa (US$ 4,7 bilhões, segundo a BrandAnalytics). A Brahma ocupa a segunda colocação (US$ 2,3 bilhões), seguida por Antarctica (US$ 851 milhões) e Bohemia (US$ 697 milhões).

Para Eduardo Tomiya, da BrandAnalytics, a Skol foi posicionada de forma distinta de outras marcas da Ambev e tem caminho praticamente livre para crescer, já que Antarctica disputa o mercado diretamente com Nova Schin e Kaiser.

A Skol chegou ao Brasil em 1964 por meio de um grupo de empresários portugueses. Em 1980 foi adquirida pela companhia Brahma, que depois se uniu à Antarctica, criando a Ambev.

Desde 1998, a marca é líder de mercado -hoje concentra 30% das vendas, segundo a companhia.

Para a Ambev, a força da Skol se deve aos investimentos em inovação. A Skol 360º é um exemplo: foi lançada em 2010, após três anos de pesquisa, a partir do apelo de apreciadores de cerveja por uma bebida que não estufasse. A Skol 360º faz isso a partir de um ciclo rápido de baixa fermentação.

Numa ação de proximidade com o consumidor, assim como a Coca-Cola, a Ambev lançou, pelo Facebook, a lata dos fãs de Skol, que estampa fotos dos consumidores da marca.

Gilberto Galan, consultor e professor da ESPM, diz que o grande desafio das marcas Coca-Cola e Skol é criar situações que chamem a atenção do público, já que não há mais muito o que inovar no produto em si, na sua avaliação.

"Coca-Cola é o refrigerante que todo mundo conhece e cerveja é cerveja. O que elas fazem agora é investir pesado em ações de marketing e campanhas publicitárias", diz. "A Skol opta por campanhas com tom cômico e alegre. Já a Coca-Cola reforça a questão das emoções, dos momentos felizes. Os apelos não estão focados diretamente nos produtos."

 Folha de S. Paulo on-line - SP

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

As profissões e o mercado de trabalho

O Brasil precisa aumentar o número de pessoas com ensino superior completo. Em 2010 havia cerca de 10 milhões de graduados na população brasileira, que correspondiam a 10% da população adulta. No México essa taxa é de 15%, no Chile, 25%, a média da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) é de 30%, sendo que na Coreia e nos EUA os graduados formam 40% da população adulta. Como podemos aumentar o número de graduados no Brasil? Existe mesmo um apagão de mão de obra qualificada? Que tipos de profissionais são mais necessários hoje em dia?

Na verdade, é difícil afirmar que há um apagão generalizado de mão de obra qualificada no Brasil. O salário médio das pessoas com nível superior declinou na última década, passando de R$ 4.317 em 2000 para R$ 4.060 em 2010. Essa queda no salário real foi maior do que a observada entre os que completaram apenas o ensino médio cujo salário passou de R$ 1.378 a R$ 1.317). Se a demanda por graduados no ensino superior estivesse realmente crescendo a uma taxa superior à expansão da oferta, os diferenciais de salários nesse nível deveriam estar aumentando.

Dados de uma pesquisa recente1 mostram que a diminuição dos diferenciais de salário do ensino superior na última década reflete a queda salarial ocorrida em algumas formações específicas, que tiveram grande aumento na proporção de formados. Essas profissões são: pedagogia, administração de empresas, enfermagem, turismo, farmácia, marketing, atuárias, comércio, terapia/reabilitação, engenharia eletrônica e de produção. Todas essas carreiras tiveram reduções salariais significativas ao longo da década, como resultado da grande expansão de oferta. Vale notar que, apesar dessas reduções salariais, ainda vale a pena cursar qualquer um desses cursos, já que o seu salário médio continua muito superior ao do ensino médio completo.

Dados mostram que é difícil afirmar que há um apagão generalizado de mão de obra qualificada no Brasil

A grande expansão das matrículas nesses cursos atendeu aos anseios de muitas famílias da "nova classe média", que sonham com o diploma universitário como comprovante de sua ascensão social. A maior parte dos cursos nessas áreas são baratos, não necessitam de grandes investimentos em infraestrutura (como laboratórios de pesquisa) e oferecem um conteúdo menos técnico. Por isso a demanda é tão grande.

Por outro lado, outras profissões tiveram aumentos menores e até redução no número de formados atuando no mercado de trabalho. As principais são: medicina, odontologia, matemática, quase todas as engenharias, física, química, geologia, economia e ciências sociais. Nessas profissões o salário real aumentou significativamente, uma vez que a demanda pelos egressos aumentou mais rapidamente do que sua oferta. Ou seja, a sociedade está precisando de mais profissionais dessas áreas. Filosofia foi a única profissão em que o salário caiu juntamente com a redução da oferta.

Mas, por que não houve expansão maior de oferta nas profissões que pagam altos salários? O problema é que grande parte desses cursos são mais difíceis, mais caros e contam com entidades corporativistas que dificultam a abertura de novas vagas. O caso de medicina é emblemático. O médico é o profissional mais bem pago entre todas as profissões, com salário médio de R$ 8.340 em 2010, três vezes maior do que o dos filósofos. Entretanto, um curso típico de medicina dura seis anos, além do período de residência que o médico deve cursar para tornar-se especialista. A mensalidade média de um curso de medicina no estado de São Paulo é de R$ 4.200, valor que poucas famílias brasileiras teriam condições de pagar sem acesso a crédito.

Por fim, entidades de classe frequentemente criam novos exames para os formados e dificultam a abertura de novos cursos, com o argumento de que é necessário zelar pela formação dos médicos. Assim, o número de médicos cresceu apenas 9% na última década, enquanto o total de graduados cresceu 97%. Enquanto isso, pessoas adoecem e morrem de doenças facilmente tratáveis pelo país afora. O mesmo ocorre com conselhos e ordens de outras profissões que estão em alta.

Outro aspecto importante, que diminui o ingresso nas profissões mais técnicas é a baixa qualidade da educação básica, principalmente em matemática e ciências. Como se sabe, o aprendizado nas escolas públicas brasileiras está entre os piores do mundo. As deficiências de aprendizado vão se acumulando ao longo do ensino básico, fazendo com que o jovem, ao concluir o ensino médio, tenha poucas condições de acompanhar um ensino superior de qualidade em engenharia, por exemplo.

Além disso, vários profissionais acabam trabalhando em ocupações diferentes de sua área de formação. Apenas 10% dos formados em economia, por exemplo, trabalham efetivamente como economistas. No caso das engenharias, essa proporção varia de 30% e 50%, mas aumentou na última década. Além disso, o diferencial de salário para os engenheiros que trabalham em ocupações típicas de engenharia também aumentou. Isso significa, por exemplo, que a sociedade está precisando de mais engenheiros construindo obras do que trabalhando no mercado financeiro.

Em suma, o Brasil precisa ter mais pessoas formadas em medicina e nas ciências exatas. Para que possamos fazer isso é necessário melhorar a qualidade da educação básica; aumentar o crédito estudantil privilegiando essas áreas; facilitar a imigração de profissionais de outros países e evitar que entidades de classe dificultem o processo de expansão de vagas e o exercício profissional dos alunos egressos dessas carreiras.

1 "Apagão de mão de obra Qualificada? As Profissões e o mercado de trabalho Brasileiro entre 2000 e 2010", Centro de Políticas Públicas do Insper e Brain Brasil investimentos e Negócios.

Naercio Menezes Filho, professor titular - Cátedra IFB e coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper, é professor associado da FEA-USP e escreve mensalmente às sextas-feiras. naercioamf@Insper.edu.br

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Onda de aquisições muda configuração do varejo farmacêutico

A ascensão econômica e o aumento do poder de compra e da expectativa de vida da população brasileira têm causado repercussões em vários setores da indústria, e o farmacêutico é um deles. Com mais dinheiro no bolso, e vivendo mais, o acesso das pessoas a remédios, cosméticos e genéricos cresce em ritmo acelerado. O aumento da renda, principalmente, das classes C e D aqueceu o mercado, e isso se traduz em mais oportunidades entre as redes que atuam no segmento no País e que movimentam anualmente cifras bilionárias. Somente em 2011, farmácias e drogarias comercializaram mais de R$ 20 bilhões, segundo a Abrafarma.

Com a disponibilidade da classe média em gastar mais, a oferta de serviços e produtos em geral aumenta. Essa concorrência no varejo faz com que cresça também o interesse dos investidores pelo setor farmacêutico e laboratorial e traga consigo um número maior de operações de fusões e aquisições no segmento. No ano passado, o setor passou por um processo inédito de consolidação. Num inter¬valo de 30 dias, as redes Raia e Drogasil e Pacheco e São Paulo anunciaram fusões, criando os maiores grupos do setor, com vendas superiores a R$ 4 bilhões. Neste ano, em fevereiro, a onda de consolidação recomeçou, quando a Brazil Pharma fechou a aquisição das lojas da Sant'ana. Somente no primeiro semestre deste ano foram registradas 17 fusões e aquisições de empresas do setor de produtos Farmacêuticos e Químicos, o que representa o melhor resultado já registrado em igual período do ano, segundo pesquisa realizada desde 1994 pela KPMG. Novas fusões podem ainda ser esperadas para este ano.

Nas grandes cidades, esse movimento de fusões e aquisições é nítido. Grupos farmacêuticos têm comprado outras redes, concentrando o número de bandeiras a quatro ou cinco grandes nomes na liderança do mercado brasileiro. Porém, trata-se, ainda, de um setor bastante pulverizado. Uma estratégia que vem sendo usada pelas redes é a busca de parceria com empresas de milhagem. E, com os mercados de São Paulo e do Rio de Janeiro bastante explorados, as pequenas farmácias familiares e outras redes pulverizadas em regiões do interior do País entram na mira dos investidores.

Com o movimento de fusões e aquisições, investidores esperam ter ganhos de escala, criar redes regionais para conseguir melhores preços e economizar com logística para ganhar poder de negociação com fornecedores. Se, por um lado, o aumento das transações de empresas que atuam na área reduz o mercado de atuação para as pequenas farmácias e institui a padronização do atendimento, que era mais pessoal, geralmente prestado pelo próprio dono do negócio, por outra ótica, pode trazer benefícios ao consumidor decorrentes do repasse parcial dos benefícios auferidos por estas redes aos consumidores. Essa tendência poderá forçar o varejo independente a se qualificar, se manter competitivo e oferecer maior qualidade no serviço. Já com relação ao setor de distribuição, também há um movimento de concentração nesse mercado. Como não há compra direta das farmácias aos laboratórios, trata-se de uma área ainda bastante pulverizada no Brasil, se compararmos com os grandes mercados.

Diante desse cenário, acredita-se que o mercado deverá ser liderado por um número reduzido de grandes redes que têm capital e know how. Com isso, também se abre a porta para a entrada de grupos estrangeiros que reuniriam as condições necessárias para aquisições de maior porte no Brasil e de empresas com maior governança. Este contexto ainda seria alimentado pelo fato de que o Brasil surge como uma rota natural para investidores estrangeiros e ainda é visto como uma boa opção para alocação de recursos financeiros. Portanto, o mercado deverá se manter aquecido e o apetite para aquisições também.

Luis Motta e Marcelo Luiz Ferreira são sócios da KPMG no Brasil.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

O mandarim e o plutocrata

Romney ameaça a China. Mas medidas protecionistas nos EUA seriam revidadas. Uma guerra comercial prejudicaria o mundo inteiro, e não haveria hora pior

Em 1880, Eça de Queirós escreveu um conto que destoa completamente do estilo realista que marcou a sua obra. A história envolve o diabo, um homem ambicioso e um poderoso mandarim, um alto funcionário público da antiga China.

Um dia, Teodoro, um funcionário público de baixo escalão, indivíduo avarento e propenso ao alpinismo social, descobre num sebo um livro com uma lenda. O livro dizia que o simples toque de um sinete, em uma determinada hora, mataria o dito mandarim e faria do assassino o herdeiro de seus milhões.

Depois da descoberta, Teodoro tem uma visão. Nela, o demônio o visita. Ele o tenta com o toque da campainha. O protagonista não resiste. O tilintar do sinete põe em marcha uma série de acontecimentos que mudarão para sempre a vida de Teodoro. Teodoro fica rico, mas passa a ter uma vida de traição e culpa.

A coisa não acaba bem. Teodoro implora ao diabo que leve a fortuna e faça tudo voltar a ser como era antes.

O candidato republicano à presidência dos EUA, Mitt Romney, não é um "funcionário público" -ainda- e tampouco tem salário de classe média, como o personagem de Eça. Contudo, ao que indicam suas declarações mais recentes, está indócil.

Ele quer tocar a campainha: deseja declarar formalmente que a China manipula a sua moeda, iniciando uma cascata de eventos que pode ser extremamente prejudicial para a recuperação global.

Romney disse, nos debates de campanha, que este será o seu primeiro ato como presidente, se eleito. O momento não poderia ser pior.

A China passa, hoje, por um processo de abertura política e de transformação econômica extremamente importante, tanto internamente quanto para os rumos da economia global. Em reconhecimento a isso, o Nobel de Literatura, tradicionalmente com forte viés geopolítico, foi concedido a um escritor chinês, membro do establishment cultural local.

A transição de poder ineditamente transparente da liderança do Partido Comunista em novembro e a mudança de eixo de crescimento -do investimento e do setor externo para o consumo- são fundamentais para que a China enalteça o seu status geopolítico e consolide a sua posição de potência econômica, reduzindo os riscos de desequilíbrios macroeconômicos provenientes da manutenção de taxas de crescimento excessivamente altas.

É o mandarim global, o conselheiro de alto escalão, se apresentando ao mundo. Mas Mitt Romney quer agredir o mandarim.

Suas ameaças não são mera retórica de campanha, uma forma simples e barata de bajular o eleitorado americano, preocupado com os seus empregos, com a influência crescente do país asiático e com a perda de status dos EUA.

Ele parece realmente acreditar no que diz. Suas ameaças com relação à China, aliás, são mais críveis do que os temores sobre a possibilidade de um governo republicano (ou democrata sem suporte no legislativo) não renovar os benefícios que têm sustentado a renda da classe média americana. Afinal, uma vez eleito, nenhum governo quer correr o risco de antagonizar com a classe média. Já antagonizar com a China... bem, isso é outra história.

A provocação de Romney, caso se concretizasse, traria inúmeros riscos para a economia mundial.

Caso a China fosse formalmente acusada de manipular a sua moeda, os lobbies de diversos setores industriais nos EUA ganhariam força para pedir ao Congresso medidas protecionistas. A China decerto retaliaria, o que teria consequências nefastas sobre a atividade e os empregos nos EUA, uma vez que o país asiático é um dos principais destinos das exportações americanas.

Deflagrar-se-ia uma verdadeira guerra comercial entre as duas maiores potências econômicas globais, com reflexos funestos sobre o crescimento e a inflação.

Neste contexto, o Brasil enfrentaria um quadro muito diferente do "cenário externo de baixo crescimento prolongado e desinflacionário" que sustenta a estratégia do governo brasileiro em relação aos juros, ao câmbio e ao controle da inflação.

Resta-nos, pois, refletir sobre as palavras finais de Teodoro, ao agonizar em seu leito de morte: "E a vós, homens, lego-vos apenas, sem comentários, estas palavras: só bem sabe o pão que dia a dia ganham as nossas mãos, nunca mates o mandarim!".

Infelizmente, o plutocrata não parece ser um leitor de Eça de Queirós.

MONICA BAUMGARTEN DE BOLLE, 40, economista, é professora da PUC-RJ e diretora do Instituto de Estudos de Política Econômica/Casa das Garças

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Consumidora aponta dificuldade em encontrar produtos de beleza


Apesar de estar entre os três maiores do mundo, o mercado brasileiro de cosméticos ainda precisa passar por ajustes na distribuição de seus produtos no varejo. Consumidoras e profissionais de beleza têm dificuldade em encontrar cremes faciais importados, hidratantes corporais e produtos de tratamento para o cabelo nas prateleiras. É o que mostra uma pesquisa feita pelo Pesquise Já para o Popai Brasil - associação que estuda o comportamento do comprador e reúne indústria, varejo, agências de comunicação e fornecedores de materiais para ponto de venda.

De acordo com o estudo, 36% das entrevistadas não encontram com facilidade cremes corporais, 30% reclamam da falta de produtos de tratamento para o cabelo nas prateleiras e 26% sentem falta de produtos faciais importados. Para Romano Pansera, presidente do Popai Brasil, essa situação está relacionada à política comercial das fabricantes, que muitas vezes não contemplam os novos canais.

Os pontos de venda especializados em cosméticos são os preferidos pelas consumidoras: 46% das entrevistadas compram nessas lojas, que incluem as perfumarias, 26% compram em farmácias de manipulação e 28% em drogarias. "As empresas vão ampliar muito as vendas para esses novos canais nos próximos dois anos", diz Pansera.

Setenta por cento das consumidoras compram cosméticos pelo menos uma vez por semana, de acordo com a pesquisa, feita com 1.034 mulheres em setembro, na Beauty Fair - Feira Internacional de Beleza Profissional, em São Paulo. Das entrevistadas, 32% compra semanalmente; 29%, duas vezes por semana; e 9%, mais de duas vezes por semana. Cerca de 30% afirmaram comprar quinzenalmente.

O estudo revelou que 43% das entrevistadas gastam entre R$ 100 e R$ 200 por mês em cosméticos. As consumidoras com gastos até R$ 100 correspondem a 32%, e aquelas que gastam entre R$ 200 e R$ 300 representam 17% das entrevistadas. Apenas 8% gastam acima de R$ 300,00 por mês.

Os produtos para cabelo, como xampus, condicionadores, máscaras capilares, entre outros, são os grandes propulsores deste mercado. De acordo com a pesquisa, o cuidado com os cabelos aparece como prioridade de compra em todas as faixas de gasto mensal, seguido pelo investimento em produtos para o cuidado com as unhas.

23/10/2012 - Valor Econômico - SP

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Olhando pra fora da caixa - 2 forças de Porter

Estou aqui com mais orientações a respeito de nosso trabalho fundamental e precioso. Sabemos que o papel do gerente de nossa Empresa vem mudando substancialmente e que bom que isso aconteça. Assim aproveitaremos mais as oportunidades que surgirão. Vejam só. Hoje grande parte do nosso trabalho é voltado para interior da loja tais como organização e limpeza de loja, precificação, acompanhamento de processos e procedimentos de vários tipos que se formos enumerar dará um calhamaço de coisas.

No entanto, preciso ressaltar que o que move nosso negócio nem sempre tá dentro de loja, ou seja, nosso cliente em sua grande parte está do lado de fora assim como nossos concorrentes (balizadores de nossa atuação); e precisamos convencê-lo (nossos clientes) de que nós temos o que ele precisa (deseja ou necessita). Para isso precisamos olhar para fora da loja no sentido de analisar e avaliar as práticas de mercado que estão sendo realizadas pelos diversos concorrentes que temos, e não só isso, mas também enxergar novas estratégias que podemos usar em nossas unidades a partir da observação do comportamento do consumidor dentro e fora dela.

Vejamos alguns itens que podemos observar mais e melhor:
1.       Existência de alterações legais ou mudanças na legislação em que nosso negócio está inserido que beneficiam ou não nossos concorrentes ou até mesmo nosso negócio;

2.       Como estão se comportando nossos concorrentes, quantos e quais são eles e como estão conduzindo suas práticas de precificação e estratégias de maneira geral;

3.       Quais são as principais diferenças entre o nosso negócio e a concorrência. Quantas empresas semelhantes a nossa estão abrindo lojas. Qual o impacto que isso pode causar em nossa loja e como podemos nos preparar para enfretá-los;

4.       Quais são suas fraquezas e fortalezas e como podemos tirar vantagem de um ou de outro ou atém de ambos;

5.       Qual o crescimento da nossa indústria (farmácias e drogarias). Qual o crescimento das classes de produtos que compõe nosso negócio (exemplo: fraldas geriátricas, coloração e tintura de cabelo, genéricos, dermos, etc.);

6.       Como nossos clientes gostam de comprar;

7.       O que eles mais valorizam na nossa loja e o que não valorizam tanto;

8.       Preferem comprar na concorrência por qual motivo;

9.       Valorizam marca ou valorizam preço;

10.    Compram tudo que precisam na nossa loja ou distribuem suas compras com outras lojas.

Essas são informações preciosas que só conseguiremos respondê-las se estivermos no salão da loja atendendo clientes e, principalmente, ouvindo o que eles nos dizem. Outra dica é: dediquem um tempo para analisar os concorrentes; comprem algo em suas lojas e observem a prestação de serviços deles. Sei que a grande maioria vai ficar muito feliz, pois somos bem superiores!!!
Um grande abraço a todos!

Gualter de Oliveira Rocha

 

 

Transparência pode ajudar na hora de apertar o cinto

No final de agosto, os funcionários da Brasil Foods foram surpreendidos com um e-mail assinado pelo presidente da empresa, José Antonio Fay. A mensagem, enviada a todos os colaboradores, independentemente do nível hierárquico, explicava que, por conta dos resultados financeiros mais fracos do primeiro semestre, ninguém receberia aumento ou promoções este ano.

No comunicado, o principal executivo da companhia pediu o apoio de todos na contenção de gastos, destacando a necessidade de comprometimento com as metas de longo prazo. Para alcançá-las, seria necessário, apenas temporariamente, evitar aumento da folha de pagamento e redirecionar (ou postergar) alguns investimentos. O texto ainda ressaltava as expectativas de recuperação gradual dos resultados no curto prazo, considerando os desafios apresentados pela crise nos principais mercados de atuação da organização.

Em momentos de balanços mais fracos, é normal que as empresas evitem elevar gastos com pessoal, ainda que não adotem essa estratégia abertamente - especialmente em um cenário de escassez de talentos. Pode parecer contraditório, mas a comunicação da decisão de congelar salários foi feita justamente para evitar perder funcionários essenciais. Transparência, segundo Gilberto Orsato, vice-presidente de recursos humanos da Brasil Foods, é a melhor forma de manter o engajamento da equipe. "O objetivo é construir uma cultura organizacional caracterizada pelo comprometimento dos funcionários com nosso planejamento de longo prazo. É dessa forma que podemos alcançar índices satisfatórios na retenção de talentos mesmo em períodos de dificuldade", diz.

A decisão não foi tomada isoladamente por Fay, que teria se reunido com os principais gestores da companhia para chegar ao veredito. "Foram reunidos todos os líderes dos principais centros administrativos para uma conversa", explica Orsato. Afinal, os diretores seriam encarregados de esclarecer qualquer questionamento dos demais funcionários - e qualquer erro ou insegurança na transmissão dessas informações poderiam gerar danos irreparáveis para a empresa no que diz respeito ao comprometimento dos talentos.

"A transparência gera uma relação de confiança com os funcionários. Quando as estratégias da empresa são compartilhadas, a equipe se sente mais motivada a participar delas. Nesse sentido, o diálogo é mais eficiente que a remuneração para engajar e reter os quadros", diz Cláudio Neszlinger, consultor da Eteh Desenvolvimento Humano e ex-diretor de RH da Microsoft.

A comunicação do congelamento de salários, porém, precisa ser feita com cautela. "Não adianta prometer que todos serão recompensados financeiramente quando os resultados forem melhores, pois ninguém controla o futuro. É preciso deixar claro que a situação é passageira e que a companhia está comprometida com a solução do problema", ressalta Neszlinger.

Dessa forma, os danos ao clima organizacional poderão ser minimizados. "A notícia de que a empresa está em recessão se espalha com muita facilidade e todos saberiam, mais cedo ou mais tarde, que vagas e salários foram congelados. Comunicando, a empresa evita interpretações exageradas ou equivocadas."

Para evitar vazamento de informações, a Mercedes-Benz enviou um boletim, em setembro, a todos os seus funcionários da unidade de São Bernardo do Campo, em São Paulo. Esta é a maior planta de caminhões da empresa, onde também está localizado o maior centro de desenvolvimento tecnológico para caminhões e ônibus do grupo Daimler fora da Alemanha. Ao todo, são 12 mil colaboradores, desde os níveis operacionais aos gerenciais.

Com a justificativa de que o mercado de caminhões sofreu forte retração nas vendas do primeiro semestre, a montadora também anunciou que as promoções e os salários foram congelados, independentemente do nível hierárquico, até o fim de janeiro do ano que vem. A medida, aprovada pelo sindicato de classe, também envolve a paralisação da produção por diversos dias ao longo desse período. Foi garantido, contudo, que nenhuma demissão ocorreria nesse intervalo. Procurada, a Mercedes-Benz não se pronunciou.

"Dar a notícia é uma tarefa muito complicada, mas a transparência na comunicação demonstra maturidade do clima organizacional", diz Werner Mitteregger, sócio-diretor da Self Desenvolvimento Humano. O consultor já passou pelas diretorias de RH de empresas como Tecnisa, Pfizer e Elma Chips, mas destaca que raramente as companhias aceitam comunicar abertamente aos seus funcionários que um problema existe. Acabam, desse modo, perdendo a chance de compartilhar as dificuldades e de conquistar apoio.

"A transparência é uma boa saída para fortalecer o relacionamento com os funcionários em tempos de recessão. Mas não é toda empresa que tem o cacife de implementar uma estratégia dessas", pondera. Para que a comunicação seja eficiente, é preciso que a prática do diálogo esteja no DNA da cultura organizacional - caso contrário, a comunicação do problema, de forma repentina, pode gerar estranhamento e dúvidas.

Segundo Mitteregger, a comunicação por escrito é importante, mas um e-mail ou um boletim não deve ser o primeiro contato com o funcionário sobre o assunto. "Antes, é fundamental reunir os principais líderes para discutir o assunto e colher opiniões. A transparência é um ato democrático. Assim, é preciso que a participação de todos seja respeitada."

Embora seja importante para conquistar o engajamento, a comunicação transparente deve vir acompanhada de outras práticas como planos de carreira bem definidos. "Ter um plano de sucessão também é imprescindível para evitar que o risco de perder talentos afete as operações da corporação."

17/10/2012   - Valor Econômico - SP