segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Vai almoçar fora ou fazer compras?

Veja bem, você vai ao supermercado para comemorar o aniversário ou fazer compras? Sai para lanchar ou comprar material de construção e jardinagem? Vai à padaria em busca do pãozinho francês ou para dividir uma mesa com amigos no café da tarde? O brasileiro nunca comeu tanto fora de casa e enquanto os custos do novo modo de vida ocupam fatia cada vez maior do orçamento doméstico, redes de supermercados e grandes varejistas respondem à demanda investindo em espaços para comprar e comer. O ritmo do crescimento é acelerado, em alguns casos chega a representar 30% do faturamento do negócio. No ano passado, lanchonetes e restaurantes abertos em supermercados cresceram 9%, enquanto o setor avançou menos, 4,4%.




Pesquisa da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) mostra que 51% das lojas no Brasil oferecem espaços para alimentação e em Minas o percentual acompanha a média nacional. Com 14 unidades em Belo Horizonte, a rede Super Nosso acaba de investir R$ 500 mil na ampliação de um de seus 10 restaurantes. No ano que vem, a rede vai inaugurar mais lojas – no Cidade Nova e em bairro da Região Sul da capital. “Teremos restaurantes nas duas”, garante Rodolfo Nejm, diretor-superintendente do grupo. E não é por menos: os espaços que oferecem de pizzas a culinária japonesa representam 7% do faturamento.



Segundo o executivo, o retorno do investimento tem sido surpreendente. “Percebemos que há famílias que vão almoçar domingo no supermercado ou tomar o café da manhã. Também tem o público que faz reservas para comemorar o aniversário.” Nejm lembra que o restaurante passou a atrair público para o supermercado, quando a expectativa era que só o oposto ocorresse.



Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que o custo da alimentação fora de casa acumula alta de 9,64% em 12 meses, maior que a inflação do país, que acelerou 5,32% no período. Isabella Carneiro, sócia-diretora da Padaria Vianey, conta que além das compras tradicionais do segmento o cliente pode tomar o café da manhã, almoçar, lanchar à tarde e fazer o happy hour com amigos na padaria. O retorno do investimento no espaço do restaurante foi tão satisfatório que já representa 30% do faturamento da casa. Isabella, que também é sócia-diretora da Padaria Boníssima, diz que a nova loja da rede, que tem investimentos de R$ 6 milhões vai funcionar dentro do modelo. “Essa é uma tendência, até mesmo para os pequenos negócios. As pessoas trabalham muito e não têm tempo para cozinhar em casa.”



Na rede de supermercados gourmet Verdemar, que mantém sete unidades em BH, sendo cinco com área para pizzarias, cafeterias e também uma parilla, o negócio cresce ao ritmo de 15% ao ano (em valores), acompanhando a evolução registrada pelas lojas. “São produtos de grande aceitação pelo consumidor. No princípio, pensamos que atenderíamos o cliente que faz compras, mas já percebemos que existe o público que vem às lojas também para frequentar os restaurantes”, diz o diretor-comercial da rede, Alexandre Poni.



EVOLUÇÃO “Desde o antigo armazém, onde o pedido era anotado na caderneta, os supermercados estão vivenciando sua sexta etapa na evolução do segmento”, diz Adilson Rodrigues, superintendente da Associação Mineira de Supermercados (Amis). Segundo ele, das pequenas empresas aos hipermercados, o setor tem aumentado a oferta de alimentos prontos ou semiprontos. “Resistir é como parar no tempo, descer uma escada rolante que está subindo.”



Com investimentos de R$ 6 milhões, Rodolfo Nejm, que também é diretor do grupo Apoio, diz que neste mês uma nova loja de 4 mil metros quadrados com a bandeira será inaugurada em Ribeirão das Neves, na Grande BH. E a proposta é de que no espaço funcione uma praça de alimentação seguindo o modelo fast food.



Em grandes redes como a Leroy Merlin, loja de material de construção, jardinagem e diversas utilidades, são dois os pontos de café em uma mesma loja. “Hoje, as pessoas precisam economizar tempo. Os cafés trazem comodidade e ajuda para que os clientes possam se planejarem para fazer refeições rápidas dentro do mesmo lugar em que realizam suas compras”, comenta Cesar Trápaga Borb, diretor da loja BH Norte da Leroy Merlin.



Grandes redes como Carrefour, Extra e Walmart também oferecem serviços de lanchonetes e restaurantes. Em alguns pontos de vendas, o conceito é ampliado também para comodidades como drogarias, lavanderias e pet shops.



Saiba mais

Preços quentes

Com as expectativas de que a inflação do país feche o ano acima dos 5%, e do centro da meta estabelecida pelo Banco Central (BC), as atenções se voltam para os alimentos. No país o grupo acumula alta de 8,97% em 12 meses, acima do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) que no período atinge 5,32%. Antônio Braz, analista do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em Minas, diz que a prévia do custo de vida de setembro mostrou aceleração de itens como a carne de frango e óleo de soja. Segundo o especialista, com a seca dos Estados Unidos que reduziu a oferta de alimentos mundialmente, as pressões sobre o grupo podem continuar ao longo do semestre.



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