"Pixote - Infância dos Mortos, de José Louzeiro
Meninos de rua, sem família, sem estudo e sem perspectiva de uma vida
mais digna. São crianças que têm a infância obscurecida pelo mundo das
drogas e do crime. Vivem à mercê da sorte. Não vão à escola, mas as ruas
se incubem de ensinar-lhes as lições. Desconhecem onde vão dormir ou o
que comer, mas sabem o que fazer para resolver esse problema. Em algum
momento até sonham em mudar de vida, mas os sonhos acabam se convertendo
em esperança de se tornar conhecido no mundo do crime.
Esse é exatamente o cenário de Pixote - Infância dos Mortos, livro
escrito pelo jornalista José Louzeiro em 1977. A trama descreve a
trajetória de um grupo de meninos que se conhecem na rua e se tornam
amigos. Pixote é o menor deles, tem apenas 9 anos de idade. Seus
companheiros são Dito, Fumaça e Manguito. A rua não é o único ponto em
comum entre eles; o destino será cruel com todos. A obra é realista,
pesada, crua. Choca e escandaliza ao descrever a realidade das ruas.
Diferente do que muitos pensam, o personagem principal do livro acaba
sendo Dito. Dos amigos de Pixote, ele é o mais velho. É o que dita as
regras, que luta contra a polícia, que faz as transações com os
traficantes, que diz quem deve matar ou morrer. É também o protetor do
grupo e na maioria das vezes o mais sensato. Por ser o mais forte, Dito
acompanha o fim de todos, um por um, até se encontrar só, lutando pela
sobrevivência.
O personagem Pixote, mesmo tendo uma breve participação no livro de
Louzeiro, foi inspiração para que, quatro anos mais tarde, o diretor
Hector Babenco lançasse o filme Pixote - A Lei do Mais Fraco (1981).
Neste, o menino Pixote é abandonado por seus pais e acaba caindo nas
ruas. Tem somente 11 anos de idade, mas já conhece tudo o que diz
respeito às drogas, ao crime, à marginalidade, à violência, à
indiferença. O filme de Babenco recebeu vários prêmios e marcou o cinema
da época ao abordar o polêmico assunto.
A história do menino Pixote poderia ter parado por aí. No entanto a
ficção ganhou contornos mais reais do que se imaginava. Escolhido para
interpretar Pixote, Fernando da Silva Ramos, menino pobre da periferia,
experimentou, mesmo que instantaneamente, o gosto da fama. Esta não
durou muito tempo. Fernando até tentou seguir carreira, mas as
oportunidades não apareceram. Envolve-se com o crime e vai preso. Anos
mais tarde foi morto pela polícia. Sua história inspirou o livro Pixote
Nunca Mais, de Cida Venâncio, e o filme Quem Matou Pixote?, de José
Joffily.
Pixote fez parte de histórias diferentes, mas que de uma forma ou outra
foram muito iguais. O imaginário e o real. Um pobre menino de rua, que
viveu a realidade de uma vida baseada no crime, nas drogas e na falta de
expectativas."
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