segunda-feira, 13 de agosto de 2012

O design como um recurso inovador

Dos colonizadores aos imigrantes que o país recebeu ao longo de sua recente história, muitas nações contribuíram para a rica cultura brasileira, com referências que se refletem na moral, na ética, nas manifestações da arte, no estilo do brasileiro. Essa multiplicidade é um inesgotável manancial de inspiração e criatividade, com condições de ser aplicada para fomentar negó- cios. O “pense globalmente e aja localmente”, usado há mais de 20 anos, tornou-se “pense na cultura local e gere produtos internacionais”. Isso justifica a alta aceitação da marca Brasil no mundo. Nosso desenvolvimento econômico na era industrial se deu imerso em um modelo de substituição de importações. O capital estrangeiro foi ao mesmo tempo importante e perverso, já que trouxe ao país ativos de produção já obsoletos nos respectivos países de origem. Como resultado desse molde temos, ainda hoje, produtos caros e defasados. Dentro do regime de substituição de importações, falar em diferenciação amparada no design sempre foi encarado como artifício passageiro para gerar distin- ção estética. Empresários brasileiros não confiavam no recurso como diferencial, pois acreditavam na facilidade de copiá-lo. Com o mercado protegido, o estí- mulo à inovação fica sempre em segundo plano. Afinal, um ambiente fechado garante o escoamento da produção a preços mais convidativos. Se inovar é sinô- nimo de correr riscos, mercado resguardado significa exatamente o oposto. Em janeiro de 2006, o Fó- rum Econômico Mundial, em Davos, encontrou espa- ço na agenda de forte apelo econômico para debater três temas então inéditos: Criatividade, Design e Inovação. A grande maioria das empresas internacionais presentes no encontro, a essa altura, já tinha feito o dever de casa terceirizando a produção para a China e os serviços para a Índia. Do ponto de vista da competitividade, as empresas tinham se tornado muito parecidas. A preocupação no mundo era com ações simultâneas para rentabilizar os empreendimentos e atacar os graves problemas sociais, como fome, educação, saúde e habitação. Assim, os conceitos de design e inovação estavam sendo revistos para garantir que os entraves usuais das corporações, relativos ao crescimento e à competitividade, seriam tratados simultaneamente às penúrias sociais. O conceito “design thinking” surgia, então, como método investigativo para solucionar problemas e atender necessidades humanas de maneira participativa e colaborativa, preferencialmente com a vivência, lado a lado, de empresas e consumidores. A metodologia passou a ser aplicada em países ou regiões de baixa renda, assegurando a utilização sustentável de recursos e a geração de trabalho e renda. O design deixou de centrar no produto para, de maneira ampliada, endereçar necessidades e carências humanas com insights criativos e observação antropológica, resultando em produtos e serviços mais adequados, com maior percepção de valor e, também, socialmente justos e ambientalmente responsáveis.


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13/08/2012 - Brasil Econômico - SP

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