segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Classe C preocupada com a beleza

Nos últimos anos, frequentar o salão de beleza passou a ser rotina para a dona de casa Ana Marilda Costa. A sensação de autoestima e bem estar são alguns dos fatores que a levam semanalmente ao cabeleireiro. Mais do que isso, cuidar de si e, em consequência, dos gastos acarretados com as compras dos produtos, passa a ser para muitas mulheres sinal de pertencimento a uma nova classe social. Dados da pesquisa da Data Popular, realizada no primeiro trimestre deste ano, revelam que do total de 98,6 milhões de brasileiras, 56% pertencem à nova classe média, ou seja, 55,2 milhões de mulheres.


Segundo o sócio diretor da Data Popular, Wagner Sarnelli, os gastos com produtos de beleza são reflexo da atual conjuntura da classe C. “As mulheres estão indo mais para o mercado de trabalho. Logo, elas estão precisando melhorar a aparência para se inserir em determinado grupo”, analisa. Em 2002, do total da população feminina, 20,6% estava trabalhando com carteira assinada. Já em 2012, esse percentual chegou a 31,5%. Houve aumento de 81,8%.

A cabeleireira Maria do Car­mo Carvalho, conhecida entre as clientes como Menininha, diz que “a maioria das freguesas gasta mais de 50% do orçamento mensal no salão de beleza”. Assim como as clientes, Maria do Carmo também passa a ocupar outro patamar financeiro. “Se minhas cli­entes gastam mais no meu sa­lão, com certeza terei mais dinhei­ro para investir nele”, comple­menta. Atualmente, a renda de­la, que é bastante variável, fi­ca em torno de R$ 5 mil por mês.

Ainda de acordo com a pesquisa, no primeiro trimestre de 2012, os gastos com cuidados pessoais e de beleza totalizaram R$ 53,5 bilhões. Itens como esses ainda são os principais propulsores da economia feminina. Comparado aos anos anteriores, as mulheres dão mais importância aos produtos de beleza (52%) do que aos sapatos (38,2%) e roupas (30,9%). “Em cada dez mulheres cinco dão mais importância a itens de beleza. Quando a pergunta é feita em relação aos sapatos, de dez mulheres, apenas quatro os escolhem. Para o item vestuário, apenas três”, comenta Wagner Sarnelli.

Engana-se quem pensa que a classe C se preocupa mais com o preço do que com a qualidade. A pesquisa diz que “63,7% dão mais atenção à qualidade em relação ao fator preço quando vão realizar compras de produtos de beleza”. “A classe C tem mais preocupação com isso, porque não pode errar na compra. Tem que comprar o que é bom para não desperdiçar”, esclarece o diretor. Embora não sejam as únicas responsáveis pelos gastos com produtos e serviços de beleza, 93,2% costumam comprar cosméticos para os companheiros. “Sou eu quem compro e escolho os itens para ele (marido), apesar de ser o básico”, diz Marilda.

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