O volume de vendas no varejo
restrito (que exclui as vendas de veículos e motos, partes e peças e de
material de construção) registrou avanço de 1,5% na margem em junho, já
descontados os efeitos sazonais, segundo a Pesquisa Mensal de Comércio,
divulgada hoje pelo IBGE. O resultado veio em direção oposta às projeções, que apontavam para ligeiro recuo (Bradesco:
-0,3%; Mercado: -0,2%, segundo coleta da Agência Estado). Na comparação
com o mesmo período de 2011, o indicador avançou 9,5%, também acima
tanto da nossa estimativa (6,5%), quanto da mediana do mercado (6,55%).
Em
relação ao índice ampliado (que considera todas as atividades), o
avanço chegou a 6,1% na margem e 12,3% na comparação interanual, puxado
pelo resultado forte da venda de veículos no mês, sob efeito da redução
do IPI. Esperávamos, respectivamente, altas de 4,3% e de 10,5%, enquanto o mercado apontava para elevações de 3,5% e de 9,2%.
A
nossa maior surpresa ocorreu no item hiper e supermercados, alimentos,
bebidas e fumo, cuja alta de 0,8% na margem veio em direção oposta ao
recuo de 4,1% estimado por nós a partir dos dados da ABRAS, divulgado há poucas semanas. Cabe destacar, porém que as metodologias são diferentes. Ao mesmo tempo, os dados da Fenabrave
já apontavam para um avanço expressivo nas vendas de veículos, o que de
fato se concretizou nesta PMC, com um resultado de +16,4% em junho
contra maio) – esta foi a maior alta mensal desde setembro de 2009,
influenciada pela redução de IPI para compra de carros.
É importante, entretanto, dizer que o avanço do varejo
não esteve concentrado neste setor: 9 das 10 categorias acompanhadas
pela pesquisa mostraram evolução positiva. A única exceção, conforme
ilustrado na tabela abaixo, ficou por conta do segmento de equipamentos e
materiais para escritório, informática e comunicação, cujas
vendas registraram recuo de 8,9% na margem (foi o maior recuo desde
julho do ano passado). Este último segmento também mostrou recuo do
volume de vendas na comparação com o mesmo período do ano anterior: a
queda de 14,6% nessa base de comparação chamou a atenção porque as
vendas vinham registrando alta média de 29% (interanual) até maio e
também porque foi o maior recuo desde janeiro de 2005.
Entendemos que a surpresa positiva com a PMC de junho não deve ser lido como sinal inequívoco de retomada exagerada do consumo das famílias, ainda que trabalhemos com uma recuperação desse indicador. De fato, o dado reportado hoje pelo IBGE aponta para um consumo
das famílias crescendo 1,1% entre o primeiro e o segundo trimestres,
ligeiramente acima do 1% verificado no período anterior. De qualquer
forma, o resultado das vendas do comércio varejista reforçam a percepção
de que os estímulos adotados têm surtido efeito, o que fica
potencializado por um quadro no qual a renda continua crescendo em ritmo
elevado.
Vale observar que os indicadores de atividade referentes a
junho reforçam a nossa percepção de recuperação moderada no mês: a
produção industrial avançou 0,23% (após queda de 1% em maio) e a
Sondagem de Serviços da FGV trouxe -1,81% (depois de mostrar -2,15% no
mês anterior). Ao lado desses dados, as vendas no varejo em junho sugerem avanço de 0,8% na margem do IBC-Br (proxy mensal do PIB estimada pelo Banco Central), que deve ser divulgado amanhã ou na segunda-feira.
URL desta notícia: http://www.advillage.com.br/conteudo_detalhes.asp?id=61980
17/08/2012 - Advillage/Cidade Biz - SP
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