Jim Goodnight,fundador do SAS Institute, conseguiu transformar um
trabalho de conclusão de curso em um negócio dos mais lucrativos e agora
espera conquistar clientes no Brasil com software de cálculos.
Jim
Goodnight pode não ser tão popular quanto o jovem Mark Zuckerberg, mas
já está à frente do fundador do Facebook na lista dos dez homens mais
ricos do mundo da tecnologia, de acordo com ranking feito pela
Bloomberg. A fonte da fortuna de US$ 11,8 bilhões que fez o executivo
ultrapassar o criador da rede social na lista atende pelo nome de SAS
Institute, uma empresa de software criada em 1976 que tem faturamento
anual de cerca de US$ 2,8 bilhões. Ao contrário da maioria dos nomes
da lista, como o número um Bill Gates, o negócio de Goodnight não é
conhecido do grande público. O criador do SAS montou seu império
tecnológico sendo pioneiro no que hoje é conhecido como inteligência
analítica, ou seja, sistemas voltados para análise de dados de empresas.
O negócio começou a partir da tese de doutorado de Goodnight na
Universidade Estadual da Carolina do Norte e hoje tem clientes em 134
países, algo inimaginável para o estudante de estatística. Agora, aos
70 anos, o executivo bilionário ainda encontra energia para fazer algo
fora do usual para ele: um road show mundo afora para mostrar
pessoalmente aos clientes as últimas apostas do SAS. Uma das paradas
escolhidas por Goodnight foi São Paulo. Isso porque o Brasil é o sexto
maior mercado do SAS, e é considerado o mais importante entre os emergentes.
Aqui, clientes como Petrobras,
Vivo, Banco do Brasil utilizam os sistemas de inteligência analítica
para tentar prever o futuro e definir os próximos passos do negócio.
Explosão de dados Agora, a aposta de Goodnight é em um novo produto,
que acelera as análises e é capaz de lidar com um maior volume de
informações. A empresa tem a seu favor a explosão de dados digitais que
precisamser analisados e armazenados hoje pelas companhias. Segundo
Goodnight, a nova tecnologia chamado de High Performance Analytics, foi
desenvolvida a partir da demanda de um cliente de Cingapura. O
executivo explica que o sistema deste cliente operava duzentos trilhões
de operações em oito horas. “Agora tudo é feito em quinze minutos”,
conta Goodnight, com voz extremamente baixa, suamarca registrada.
Amudança foi possível a partir do uso da nova tecnologia criada pelo
SAS, em que vários processadores podem trabalhar em paralelo e gerar
trilhões de cálculos em poucos minutos.
G o o d n i g h t apresentou
ontem o produto para clientes em São Paulo e afirma que “as expectativas
são altas”. De acordo com Márcio Dobal, presidente do SAS para a
região do Cone Sul, já há conversas com três clientes interessados na
tecnologia no Brasil, sendo dois da área de finanças e uma operadora.
“Acredito que o contrato com a operadora deve fechar neste ano. Os
outros ficam para o ano que vem”, diz Dobal. Segundo ele, no primeiro
semestre deste ano a empresa sentiu os impactos da desacelera- ção da
economia no Brasil e aumentou a venda de novas licen- ças entre 5% e
10%. O número é baixo se comparado ao feito do ano passado, quando o
nú- mero foi 30%. “Acredito que até o final do ano o crescimento será
de 15%. O ano passado foi explosivo e é difícil crescer em cima
disso”, explica. A empresa não diz qual é a receita proveniente do
Brasil, mas afirma que a região das Américas foi responsável por
46%da receita de 2011, o que significa US$ 1,25 bilhões. O faturamento
total de US$ 2,8 bilhões faz do SAS uma das maiores companhias de
software do mundo que ainda mantém o capital fechado.
15/08/2012 - Brasil Econômico - SP
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