quarta-feira, 15 de agosto de 2012

A tese de mestrado que rendeu uma fortuna de US$ 11,8 bilhões

Jim Goodnight,fundador do SAS Institute, conseguiu transformar um trabalho de conclusão de curso em um negócio dos mais lucrativos e agora espera conquistar clientes no Brasil com software de cálculos. 

Jim Goodnight pode não ser tão popular quanto o jovem Mark Zuckerberg, mas já está à frente do fundador do Facebook na lista dos dez homens mais ricos do mundo da tecnologia, de acordo com ranking feito pela Bloomberg. A fonte da fortuna de US$ 11,8 bilhões que fez o executivo ultrapassar o criador da rede social na lista atende pelo nome de SAS Institute, uma empresa de software criada em 1976 que tem faturamento anual de cerca de US$ 2,8 bilhões. Ao contrário da maioria dos nomes da lista, como o número um Bill Gates, o negócio de Goodnight não é conhecido do grande público. O criador do SAS montou seu império tecnológico sendo pioneiro no que hoje é conhecido como inteligência analítica, ou seja, sistemas voltados para análise de dados de empresas. O negócio começou a partir da tese de doutorado de Goodnight na Universidade Estadual da Carolina do Norte e hoje tem clientes em 134 países, algo inimaginável para o estudante de estatística. Agora, aos 70 anos, o executivo bilionário ainda encontra energia para fazer algo fora do usual para ele: um road show mundo afora para mostrar pessoalmente aos clientes as últimas apostas do SAS. Uma das paradas escolhidas por Goodnight foi São Paulo. Isso porque o Brasil é o sexto maior mercado do SAS, e é considerado o mais importante entre os emergentes.

Aqui, clientes como Petrobras, Vivo, Banco do Brasil utilizam os sistemas de inteligência analítica para tentar prever o futuro e definir os próximos passos do negócio. Explosão de dados Agora, a aposta de Goodnight é em um novo produto, que acelera as análises e é capaz de lidar com um maior volume de informações. A empresa tem a seu favor a explosão de dados digitais que precisamser analisados e armazenados hoje pelas companhias. Segundo Goodnight, a nova tecnologia chamado de High Performance Analytics, foi desenvolvida a partir da demanda de um cliente de Cingapura. O executivo explica que o sistema deste cliente operava duzentos trilhões de operações em oito horas. “Agora tudo é feito em quinze minutos”, conta Goodnight, com voz extremamente baixa, suamarca registrada. Amudança foi possível a partir do uso da nova tecnologia criada pelo SAS, em que vários processadores podem trabalhar em paralelo e gerar trilhões de cálculos em poucos minutos.

G o o d n i g h t apresentou ontem o produto para clientes em São Paulo e afirma que “as expectativas são altas”. De acordo com Márcio Dobal, presidente do SAS para a região do Cone Sul, já há conversas com três clientes interessados na tecnologia no Brasil, sendo dois da área de finanças e uma operadora. “Acredito que o contrato com a operadora deve fechar neste ano. Os outros ficam para o ano que vem”, diz Dobal. Segundo ele, no primeiro semestre deste ano a empresa sentiu os impactos da desacelera- ção da economia no Brasil e aumentou a venda de novas licen- ças entre 5% e 10%. O número é baixo se comparado ao feito do ano passado, quando o nú- mero foi 30%. “Acredito que até o final do ano o crescimento será de 15%. O ano passado foi explosivo e é difícil crescer em cima disso”, explica. A empresa não diz qual é a receita proveniente do Brasil, mas afirma que a região das Américas foi responsável por 46%da receita de 2011, o que significa US$ 1,25 bilhões. O faturamento total de US$ 2,8 bilhões faz do SAS uma das maiores companhias de software do mundo que ainda mantém o capital fechado.

15/08/2012   - Brasil Econômico - SP

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