quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Genérico avança com preço baixo

A produção e o consumo de cópias de medicamentos cujas patentes já expiraram - também conhecidos como genéricos - crescem de forma consistente no Brasil. Por trás da expansão das vendas acima de dois dígitos nos últimos anos há uma combinação de fatores, com destaque para o aumento da renda da população e perdas de patentes de produtos importantes. Analistas também observam maior prescrição por parte dos médicos e diminuição da resistência de camadas da sociedade que inicialmente duvidaram da eficácia e segurança dessa categoria de medicamentos.
Outro fator que contribui para a popularização do genérico é o programa federal Farmácia Popular. De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos (Pró Genéricos), que representa as 12 maiores indústrias desse segmento, de todos os medicamentos dispensados por meio desse programa, 65% são genéricos.
Mas é no preço que está o motor que impulsiona esses fármacos. Por lei, o genérico deve custar ao consumidor no mínimo 35% a menos do que o produto de marca com a mesma substância ativa. Essa diferença pode chegar a 85% em alguns casos, mas a redução média é de 50%.
A categoria de genéricos respondia no Brasil, em junho último, por 21,67% em faturamento e 25,87% em unidades do setor farmacêutico como um todo, segundo a consultoria IMS Health. "Estimamos que os genéricos crescem quatro pontos percentuais sobre a média de mercado no país, e que eles já são 32 de cada 100 unidades vendidas aqui", diz o diretor da IMS Health, Marcello Albuquerque. Estatísticas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) revelam que o número de registros de genéricos no país cresceu mais de 450% nos últimos dez anos, chegando a 3.330 em abril último.
Cerca de 120 classes terapêuticas, 400 substâncias ativas, 19.327 apresentações comerciais registradas e 101 laboratórios fabricantes (não chegavam a 30 em 2002) completam um escopo capaz de cobrir as doenças mais frequentes da população, incluindo algumas crônicas.
Esse universo gerou vendas de 321 milhões de unidades e R$ 5,1 bilhões em receitas no primeiro semestre deste ano, o que representa saltos de 21,7% e 33,1%, respectivamente, em relação ao mesmo período do ano passado. Os números mantêm o setor otimista quanto à meta que traçou para 2013: 30% do bolo total de medicamentos no país.
A IMS Health calcula em R$ 1 bilhão as vendas de produtos que perderão suas patentes nos próximos quatro anos. "Quando o detentor de uma patente lança um genérico, ele perde com a redução obrigatória do preço, mas preserva o seu mercado e de quebra ainda estimula e eficiência, a competição e a queda dos preços. O final é positivo, principalmente para o consumidor", diz Telma Salles, presidente da Pró Genéricos. Segundo ela, "as estratégias dos laboratórios para crescimento por aquisições, além dos investimentos parques fabris e centros de pesquisa" reforçam a percepção de que a expansão do setor vai se manter. Ela reconhece, porém, que ainda falta muito para o Brasil alcançar o mesmo patamar de mercados como Alemanha e Estados Unidos.


22/08/2012 - Valor Econômico - SP





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